Tribuna do Interior

José Eugênio Maciel 07/03/10

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MULHERES, O CAVALHEIRISMO ACABARÁ?

(...)

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

(...)

Motivo - Cecília Meireles

Quando era bem menino, acompanhei o meu saudoso pai quando ele foi levar uma das minhas irmãs para a casa dela. Depois que ela desembarcou, observei o seu Eloy esperar que ela acenasse da porta, despedindo da gente. Pouco antes eu tinha perguntado a ele o motivo de “ainda” estarmos com o carro parado, e então ele explicou, “meu filho, é uma questão de cavalheirismo, ao esperarmos observando que entre, ela estará segura, também é um gesto de consideração, de carinho, não importa se ela é filha, esposa, irmã, namorada, e sim que se trata de uma mulher”.

Em outra ocasião em que eu era também muito criança, recordo estar na sala de casa quando chegou uma senhora para conversar com a minha mãe. A dona Elza perguntou-lhe como ela estava de saúde, após ter saído do hospital, submetida a uma intervenção cirúrgica, e foi aí que eu me intrometi na conversa, afirmando, “do que a senhora foi operada?”. Imediatamente o meu pai interveio – ele estava na cozinha tomando café – e me chamou, “sente-se, meu filho”, embora a expressão dele fosse serena e tranquila, eu estava apreensivo, pois eu sabia que tinha sido chamado por ter aprontado alguma, sem imaginar sinceramente o que. “José Eugênio, você a partir de agora ficará sabendo, jamais se deve perguntar a uma mulher do que é que ela foi operada, para que ela não fique constrangida em dizer sobre a intimidade dela”. Creio ter sido a primeira vez que ouvi a palavra constrangimento, bem como o contexto de intimidade.

O cavalheirismo acabará? Nós homens devemos nos perguntar e indagar as mulheres. Se o cavalheirismo caminha para a extinção, o que pode representar um exagero, o fato é que ele é uma prática que tem diminuído e, dependendo das situações, é raro ou não mais existe. Não me coloco como exemplo, embora faça um esforço para agradar as pessoas e, no caso das mulheres, ser para com elas um cavalheiro. A palavra esforço aqui empregada não tem o sentido de algo como se fosse uma obrigação, mas sim o de empenho e espontaneidade para agradá-las.

Amanhã é o Dia Internacional das Mulheres, data que me motivou trazer à tona o cavalheirismo. Não se trata de discorrer o tema como algum enfoque inédito ou apresentar receitas, mas o de lembrar gestos simples que nós homens devemos praticar sempre com interesse, singularidade, esmero, prazer, objetivando sermos cortezes para com todas as mulheres, não importando a condição delas em termos sociais ou mesmo a ligação que tenham conosco. É mais que suficiente ser cavalheiro sempre em se tratando de estar com uma mulher, ainda que ela seja desconhecida e que, numa situação casual, é sempre momento para agirmos com cavalheiros.

Dirão os mais novos, ou os mais velhos também, “os tempos são outros”, fazendo crer que o cavalheirismo seja um comportamento incabível nos dias de hoje. Ledo e ivo engano! Se as serenatas caíram de moda, não implica em oferecer-lhe o CD que ela tanto aprecia.

Abrir portas do carro, da casa, do escritório e dar a preferência que elas sigam primeiro, eis o nosso papel como cavalheiros. Carregar as compras, pacotes, malas. não deixar que a mulher tenha que fazer tais esforços. Puxar a cadeira para que ela sente, levantar para dar lugar a ela no ônibus, metrô em qualquer lugar. Oferecer-lhe o paletó ou a blusa para protegê-la do frio. Pagar a conta do restaurante, do lanche, do cinema e não deixar que ela saiba o quanto custou e jamais fazer uma cara de que achou muito caro, o que acaba sendo uma desfeita, dando a entender que ela não vale tudo aquilo que a conta indica. Ouvir as mulheres, mas sempre atentamente, ter paciência para esperar que elas se arrumem, jamais olhe no relógio, tanto por esperá-la quanto estiverem na companhia delas. É como o noivo a esperá-la para a cerimônia, a noiva irá se atrasar, e o bom cavalheiro não dirá em tempo algum sobre tal demora, irá voltar os olhos dele para elogiá-la pela beleza do vestido e pelo brilho dos olhos dela.

Cavalheirismo é atenção, afeto, generosidade, carinho, consideração que, ao se ter não implica em colocar a mulher numa condição de sexo frágil, que careça de todo tipo de ajuda. Evidentemente que não, e sim tratá-la com cavalheirismo manifestando um enaltecimento que elas sempre merecem, sempre. E mesmo o cavalheirismo habitual deve ser acrescido de surpresas, como o manifestar todo o afeto, de mandar flores, escolhendo um buquê diferente e sem que exista uma data especial. Qual a mulher que não gosta de ser tratada de tal maneira? E tem algo que elas reclamam muito dos homens, eles são extraordinários cavalheiros até o momento em que não acham que precisam mais, quando passam a namorar e se casam, pois a mulher, segundo elas, já foi conquistada, já “são deles”, e, como o tempo, aliás, nem sempre muito, perdem por não agirem como se cada momento fosse de conquista e encantamento. As mulheres se decepcionam com inteira razão.

Fases de Fazer Frases

Para que haja o efeito, é preciso que aja feito.

Olhos, Vistos do Cotidiano

“Agricultores reclamam da falta de conservação das estradas”, manchete da página cinco desta Tribuna da última terça. A presidente da Associação dos Moradores do Barreiro das Frutas Eli de Oliveira afirmou que luta há pelo menos quatro anos para que aconteça a recuperação e conservação das estradas, e desmentiu o diretor geral da secretaria de Obras do Município de C. Mourão Vanderlei Veiga Ribeiro, “mas já tivemos vários dias de sol e nada foi feito. (...)” Ela desmentiu o diretor que tentou se esquivar, alegando não ter arrumado as estradas devido ao intenso período das chuvas. É verdade que choveu muito ultimamente, como também é fato ter feito sol, mas a Eli frisou, “faz quatro anos que não é feito nada”.

Vanderlei Veiga Ribeiro já foi presidente do Sindicato dos Servidores Municipais e já tentou uma vaga na Câmara de Vereadores, sem obter sequer a suplência. Ele ficou conhecido alguns anos por fazer críticas e por supor ter solução para tudo. Mas até agora ele só é fala, fala, fala...

Reminiscências em

Preto e Branco

Brasileiras, mulheres extraordinariamente marcantes, menciono a seguir somente algumas de uma lista que sempre há de contemplar seguramente muitas outras figuras. Famosas ou aparentemente no anonimato, são protagonistas de um mundo melhor, que fazem ou que sonham e lutam, como as índias e as negras que aqui iniciaram tudo: Tarsila do Amaral, Inezita Barrozo, Cacilda Becker, Cora Coralina, Maria Ester Bueno, Tônia Carreiro, Leila Diniz, Elis Regina, Bibi Ferreira, Anita Garibaldi, Chiquinha Gonzaga, Clementina de Jesus, Berta Luz, Anita Malfati, Maria Quitéria, Cecília Meireles, mãe Menininha do Gantois, Nélida Piñon, Adélia Prado, Rachel de Queiroz, Nise da Silveira, Magdalena Tagliaferro e Lygia Fagundes Telles.         


 

 

Última atualização ( Ter, 11 de Maio de 2010 15:14 )  

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