Política

Bueno defende investigação rigorosa de denúncia contra Temer

O deputado federal Rubens Bueno (PPS), disse em entrevista à TRIBUNA ser favorável a uma investigação rigorosa de denúncia envolvendo o presidente da República, Michel Temer (PMDB). O presidente teve uma conversa gravada por Joesley Batista, um dos donos da JBS. O conteúdo seria o pagamento de "mesada" ao ex-deputado Eduardo Cunha para mantê-lo calado. O ex-presidente do Congresso Nacional está preso desde outubro de 2016, condenado a mais de 15 anos na Lava Jato.

“Não tem que passar a mão na cabeça de ninguém, acho que a Justiça tem que prevalecer e temos que apoiá-la para cumprir o seu dever. De outro lado, se tivermos problema de maior seriedade a Legislação está aí para ser obedecida, cumpra-se a Constituição”, afirmou Bueno, ao defender as investigações para esclarecer o caso.

O deputado reconheceu que o País passa por um momento político bastante grave. “Ninguém pode negar a gravidade do momento que estamos vivendo no mundo da política. Temos a Lava Jato e outras operações acontecendo e de repente aparece uma gravação de uma delação envolvendo a maior empresa do mundo no setor de alimentos que é a JBS”, comentou.

Bueno defendeu ainda punição exemplar a políticos envolvidos em corrupção. “Eu sempre digo que a punição deve começar pelos nossos. Não tem que ter bandido favorito ou querido, todos têm que ser punidos. A sociedade não tolera isso e é preciso atuar em defesa do interesse público, da correta aplicação e do zelo do dinheiro público. Isso é fundamental”, ressaltou.

O parlamentar acrescentou que existem 4 saídas para Temer: a renúncia; o julgamento pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a Chapa Dilma/Temer por abuso de do poder econômico nas eleições de 2014 (esta hipótese já está descartada, uma vez que o TSE já decidiu pelo arquivamento da denúncia); a abertura de um inquérito no Supremo; ou ainda o processo de impeachment, se for autorizado a abertura. “Há estes caminhos a percorrer dentro do ponto de vista legal da ordem”, argumentou.

A gravação

Joesley Batista encontrou Temer em 7 de março deste ano, no Palácio do Jaburu. Na ocasião, o empresário informou a Temer que pagava "mesada", além de Cunha, ao doleiro Lúcio Funaro, presos na Lava Jato. Ao ouvir a informação, Temer teria incentivado. O Supremo Tribunal Federal (STF) enviou à Presidência da República as gravações que integram a delação premiada da JBS.