Mourãoense na Itália relata o “caos”

Gisele Daleffe é dentista na Itália. Mora em Bérgamo desde 2004. De família tradicional de Campo Mourão, ela diz que lá tudo parou. “A doença é muito séria. Virou um caos”, afirma. Longe da família, tem preocupação, sim. Mas não medo. Diz que o vírus é bastante transmissível, embora não tenha conhecidos infectados. Mas atenta para que os mourãoenses tomem todos os cuidados possíveis.

“Aqui estamos respeitando as normas estipuladas pelo governo. Saímos apenas para o necessário, como farmácias. A todo o momento autoridades nos lembram de ficar em casa”, disse. Ela tem preocupação com a economia. Acredita que a doença deixará um saldo destruidor. Mesmo assim não pensa em voltar. “Vou lutar como uma italiana. No que puder ajudar”, garante. Da área de saúde, ela deseja ser voluntária onde o governo precisar.  

Na Itália, ainda não há previsão da vida recomeçar como antes. Ela ressalta que não tem conhecidos que morreram. Mas lembra que os números fatais ultrapassam as 1,8 mil pessoas. E de todas as idades. “É uma coisa muito triste de se ver”, diz. Bérgamo é a capital da Lombardia e possui 200 mil habitantes.

Máscaras não existem mais para comprar. Álcool gel, sim. “Mas uma fábrica de camisas está colaborando. Começou a fazer máscaras com o próprio tecido”, disse. Gisele diz que, quando vai ao mercado, a recomendação é ficar até um metro longe de outras pessoas. Ela sugere que os mourãoenses façam uso do álcool gel e máscaras. E procurem ficar em casa. Sempre que puderem.

Segundo ela, embora o vírus seja mais agressivo aos idosos, na Itália já se verificam a morte de gente com idade abaixo dos 60. “É uma doença séria. Complicações pulmonares mortais. Trata-se de um vírus muito agressivo. E ainda sem remédios. O paciente precisa de UTI e respiradores. E isso está em falta aqui”, relata. Como consequência, médicos estão escolhendo quem salvar. É como se estivessem num fronte de guerra.  

Gisele diz que os italianos até criaram um lema ao coronavírus: “Andrá tutto benne”, ou seja, “Tudo vai dar certo”. E ela acredita que dará mesmo. Afinal as tormentas não duram todo o tempo. Infelizmente, como no Brasil, a sede de dinheiro também acontece por lá. Os preços de itens como máscaras e álcool tiveram aumento de preço.