Ruas vazias. Idosos sem proteção
A exemplo do mundo, Campo Mourão quase parou ontem. Uma sexta que virou domingo. Quase, porque parte do comércio continuou aberto. Consequentemente, pessoas na rua. A maioria sem proteção. A preocupação recai sobre a população mais idosa, alvo principal do coronavírus. Não era raro encontrar gente acima dos 60 andando nas ruas. Bares também foram ponto de concentração de idosos.
Maria Aparecida Iurk levou a mãe, dona Oliva, de 87 anos, para dar uma volta a pé no quarteirão. Ela tem alzeimeir e precisa se exercitar, diariamente. A filha explica que, geralmente, anda dentro do próprio condomínio com a mãe. “Está ventando muito hoje. Preferi trazer pra andar aqui fora”, disse. Ela sabe dos riscos do corona. Mas acredita que, evitando conversar com outras pessoas, não tem problema. “Não tenho muito medo disso não. Vamos evitar o contato”, disse. Dona Oliva estava sem máscara.
Na praça São José, um senhor de 85 anos estava sentado sob a sombra enorme de uma árvore. Não usava máscara e disse não temer a epidemia. “Sei da existência do vírus. Mas não tenho medo nenhum”, revelou. Segundo ele a vida seguirá normalmente, sem máscaras. Ele preferiu não ser identificado. Argumentou que já possui vírus demais em seu organismo e que, mais um, não fará diferença.
Clarinda Moraes, 89, está receosa com o vírus. Ela atendeu a reivindicação dos filhos e não sai mais de casa. Inclusive todas as visitas foram suspensas. Ela está com saudades das netas, que preferiram não visitá-la. Uma forma de respeito e carinho. “Não tenho medo porque tenho muita fé em Deus”, disse. Ela deseja que tudo isso passe o mais rápido possível. E que o mundo volte a ser como antes.
Embora algumas lojas tenham permanecido abertas, ontem, o centro parecia como um dia de domingo. Poucos carros. Pouca gente na rua. Ainda assim, a maior parte sem proteção. Alguns bancos restringiram a entrada do público, de uma só vez. Então o que se viu foram grandes filas na rua. Queira ou não, um tipo de aglomeração. Definitivamente, a vida deixou de ser como antes. O que não muda é a vida boêmia de alguns. Na noite de quinta e, na tarde de ontem, era comum a cena de homens mais velhos em mesas tomando o seu gole. Mas o ritual deve parar. É que a prefeitura decretou o fechamento de casas noturnas, bares e pubs nos próximos 15 dias. Tudo para o vírus parar de infectar. Mas e quem não acredita nisso?

