Reabertura do comércio divide opiniões e gera polêmica em Campo Mourão

Parte dos empresários mourãoenses está cobrando a prefeitura para reabertura do comércio, que está de portas fechadas desde segunda-feira (23). O município baixou decreto determinando oficialmente o fechamento integral a partir de terça-feira (24), até o dia 4 de abril. A medida foi tomada com base científica, para minimizar os riscos de contaminação do Coronavírus (Covid-19) e preservar a vida.  Porém, vários lojistas estão pressionando a administração municipal a revogar o decreto para voltarem ao trabalho. O assunto vem dividindo opiniões em Campo Mourão e já virou polêmica, principalmente após o pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, na última terça-feira, que é contra as ações de enfrentamento. 

A TRIBUNA obteve informações de uma fonte próxima à administração municipal de que o prefeito Tauillo Tezelli (Cidadania), deverá manter o decreto até o dia 4, mesmo pressionado por comerciantes. “Não existe nada definido em relação a abertura e antecipação do decreto. Continua válido como está, vai até o dia 4”, informou. 

Ainda segundo esta fonte, a administração está indecisa de antecipar a abertura devido ao ciclo do vírus, de 14 dias. “Começamos a contar [o tempo do ciclo viral] a partir do primeiro caso que foi confirmado quando ainda era suspeito. Qualquer antecipação deste ciclo corremos risco de ter muitas pessoas que já estão infectadas, mas não demonstraram ainda os sintomas, de começarem a circular pela cidade, podendo eclodir um pico de crise na outra semana ou no mês seguinte”, disse . Ainda segundo a fonte, considerando que mesmo que se pense na reabertura do comércio, teria de pensar em um planejamento de como fazer. “Não seria simplesmente abrir o comércio e pronto”, frisou. 

Enquanto a administração municipal discute a medida junto às autoridades de saúde e empresários, o assunto vem gerando grande repercussão em Campo Mourão, principalmente nas redes sociais. Muitas pessoas defendem a reabertura do comércio, justificando que os empresários irão ‘quebrar’, porém, outras, justificaram que a saúde é prioridade neste momento. A reportagem fez um levantamento e constatou a sociedade bastante dividida sobre o assunto.  

“A MP [Medida Provisória] que visava suspender temporariamente o contrato de trabalho foi revogada. Lamentavelmente o sacrifício temporário poderá se tornar um sacrifício a longo prazo, mas a pressão popular venceu uma medida que visava a proteção do emprego. Realmente esse tempo de quarentena servirá para rever algumas prioridades e comportamentos. Sinto cheiro de egoísmo daqueles que exigem 100%, cobram e não estão dispostos ao sacrifício. Realmente empreender num país de cultura miserável é para loucos”, falou Ralph Wagner Marek, em sua página do Facebook. 

Da mesma forma defende o empresário Alexandre Fuchs: “Para ser bem sincero, pode reabrir tudo, ninguém está respeitando a quarentena mesmo. Não faz diferença…”. A internauta Irenice Viana Lage, é outra que é a favor da reabertura do comércio: “O presidente [Jair Bolsonaro] está certo, o povo está circulando se reunindo, fazendo festa. Porque não ir trabalhar?”, questionou. Igualmente pensa o autônomo Evandro Silva. “Já tá (sic) na hora de voltar”. Compartilha da mesma ideia José Freitas: “Tem de voltar urgente a abrir [o comércio]”, falou. 

O internauta Thiago Vinicius da Silva, também é favorável a retomada do funcionamento do comércio, porém, pede atenção aos idosos e demais pessoas mais susceptíveis ao vírus. “Precisam voltar a trabalhar a economia precisa reagir, vamos trabalhar com responsabilidade e tomando os devidos cuidados que a OMS [Organização Mundial da Saúde] recomenda, ou queremos uma crise sem precedentes no nosso país?”, alertou. 

Contra a reabertura

Por outro lado, existe um grande número de pessoas que é contra a reabertura do comércio neste momento de pandemia. “Poderiam ao menos aguardar o período do decreto municipal. Seria mais prudente”, pede Marisa Goettel.

A internauta Andreia Braganholo alerta para o perigo:  “O povo tá (sic) achando que isso é brincadeira ou uma simples gripe como o presidente diz, mas só depois que o surto estiver lá em cima vão ver o que vai ser dessa cidade (…) Isso não é brincadeira gente, olhe quanta gente já morreu com esse vírus”, observou.

“Isso não e politicagem, é pandemia. Parem de misturar saúde com política, que coisa feia. Povo sem noção. Deixem o perfeito trabalhar, ele está fazendo tudo pra (sic) proteger o povo. Prefeito, Deus o abençoe poderosamente”, defende Vanda Tebinca.

Já a internauta Fernanda Cordeiro, é mais enérgica em seu posicionamento. “Façam passeata! Não tem máscaras e álcool nem pra funcionários da saúde imagina pro (sic) seu funcionário trabalhar. Façam passeata, seu funcionário não trabalha dentro de um carro, na loja eles ficam expostos”, falou ao se referir a uma possível carreata que deve acontecer na cidade de pessoas prós a abertura do comércio. 

Outra que é contra a reabertura das lojas é Cristina Bonfim Figueredo. Ela sugere boicote dos consumidores caso as empresas voltem a funcionar. “Vergonha maior vai ser os consumidores que saem bem mais participar dessa ignorância. Pois o prefeito só quer o bem da família. Empresários falidos depois recupera,  já falecidos não”, argumentou. 

Maringá

Em Maringá, um grupo de comerciantes, moradores e empresários da cidade fez um buzinaço na tarde dessa quinta-feira (26). O protesto foi contra o decreto municipal que determinou o fechamento do comércio da cidade por 30 dias. A concentração foi no estacionamento do Estádio Regional Willie Davids. Depois, os motoristas saíram em carreata por ruas e avenidas da região central de Maringá. 

Além do buzinaço, quinze entidades que representam vários segmentos empresariais de Maringá assinaram um manifesto, que foi encaminhado para o prefeito Ulisses Maia (PDT). A proposta dessas entidades é que sejam oferecidos quarentena e trabalho em casa para os grupos de risco e possibilidade de funcionamento de empresas em horário diferenciado, para evitar aglomerações.

Em nota, a prefeitura informou que as medidas foram tomadas com base científica, para minimizar os riscos e preservar a vida. Disse ainda que o município segue os protocolos recomendados pela organização municipal da saúde e outros grandes organismos internacionais.