Comércio de peixes também sente impacto da crise gerada pelo Covid-19

Durante a Quaresma e de modo especial, na Semana Santa, os católicos adotaram a tradição de consumir carne de peixe, o que sempre fez aquecer o comércio do produto nessa época. Este ano, porém, a crise gerada pela pandemia de Coronavírus, tanto financeira quanto da necessidade de isolamento social, impactou diretamente nas vendas. 

No Supermercados Bom Dia, as vendas de pescados caíram cerca de 40 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. “Esta semana teve um aquecimento, mas não na mesma proporção que no ano passado. Infelizmente estamos vivendo um momento que ninguém esperava nem estava preparado”, disse o gerente Leandro de Lima, ao acrescentar que em razão da crise os preços foram reduzidos  em cerca de 30 por cento. 

A situação não é diferente no Supermercado Carreira, onde as vendas de peixes também caíram cerca de 30 por cento. “Nesta semana melhorou um pouco, mas já estamos trabalhando com o estoque controlado para evitar prejuízos”, explicou o responsável pelo açougue, Paulo Sérgio Albino. 

O sócio-proprietário do Paraná Supermercados, Alvaro Machado da Luz, disse que este ano a empresa comprou a mesma quantidade de bacalhau do ano passado, mas não chegou a vender 50 por cento do estoque, mesmo fazendo promoção. “A maior saída são filé de tilápia e de merluza, além da sardinha em lata, que não teve alteração de preço em relação ao ano passado”, explicou.

Tanto o Bom Dia quanto o Paraná Supermercados vão atender neste feriado de Sexta-Feira Santa e fecham no domingo de Páscoa. Já o Supermercado Carreira estará fechado nesta sexta e também no domingo. 

De acordo com a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), o setor sente os efeitos da redução do consumo de pescado nesse período, conhecido historicamente pelo aumento de até 40% no volume de vendas. Para tentar minimizar os impactos da crise, a Peixe BR, juntamente com oito associações estaduais de piscicultura, enviou ao governo federal um pedido de medidas emergenciais para o setor.

Pesque pague teve queda de 70 por cento nas vendas

Se os reflexos da crise gerada pelo Coronavírus já foi grande nos supermercados, nos pesque e pague foi ainda maior. “Nossas vendas aqui caíram cerca de 70 por cento”, revelou Robson dos Santos, funcionário de um pesque pague entre Campo Mourão e Peabiru.

O local sempre foi bastante frequentado por oferecer não apenas oportunidade para o cliente pescar quanto serviço de lanchonete. “O pessoal costumava vir com a família, pois aqui é para diversão. Agora, com o decreto sobre o isolamento social, a lanchonete não está atendendo e aí só para comprar peixe o pessoal vem pouco”,  disse Robson. 

Segundo ele, a empresa também fornece peixes para lanchonetes, bares e até hotéis de Campo Mourão e Peabiru, o que também teve queda drástica na procura. “O prejuízo nosso foi grande”, avalia, ao acrescentar que em período normal o local conta com 40 funcionários para atender aos domingos e feriados. “Agora estamos apenas em cinco”, revelou.

Além disso, a manutenção dos peixes vivos é trabalhosa nos 19 tanques de criação. “Além de alimentar, tem que movimentar eles de um tanque para o outro conforme vão crescendo”, explicou. Na tentativa de amenizar os prejuízos, a empresa está fazendo entregas em Campo Mourão e Peabiru, mediante cobrança de uma taxa de R$ 4,00. A tilápia, que tem maior saída, é vendida a R$ 11,49 o quilo e o pacu a R$ 17,50.