Campo Mourão sedia empresa voltada a peças para respiradores

Numa ironia do destino, a cidade com um dos maiores índices de letalidade do Covid-19, é também a mesma a sediar uma importante empresa voltada a peças de respiradores. Sim, a VRI. Ela tem em sua carteira de clientes uma fábrica de respiradores que é parceira do Ministério da Saúde. O Governo acaba de comprar 6,5 mil aparelhos. Desde o início da pandemia no país, a empresa vem trabalhando a pleno vapor. “Estamos trabalhando incessantemente para atender as demandas e necessidades atuais”, afirmou Anderson Augusto Berni, gerente Administrativo Financeiro.

Os módulos eletrônicos feitos pela VRI são vendidas a uma fábrica de São Paulo. São componentes eletrônicos que compõe os aparelhos de respiração mecânico. As tais máquinas, hoje, significam a chance de sobrevivência de parte dos brasileiros. Muitos deles, considerados no grupo de risco. De acordo com Anderson, nas últimas semanas a VRI vem fazendo de tudo para não faltar suprimentos e mão-de-obra para o processo produtivo, tentando assim até antecipar as entregas. Dados indicam que a empresa tem capacidade para produzir até 100 módulos ao dia.

Anderson conta que a produção, hoje, é infinitamente maior que ao registrado em janeiro, por exemplo. “Janeiro é um mês onde as indústrias estão retornando aos trabalhos. Portanto é um mês com menor volume fabril”, disse. No entanto, já no início de março, quando notícias sobre o corona aumentaram, a fábrica de São Paulo sinalizou aumento na produção. Isso fez com que toda a engrenagem da indústria fosse atingida. “Não é só fabricar. Temos que buscar fabricar com menor tempo. Isso pode ser a diferença entre salvar ou não vidas em menor tempo”, explica. Correndo contra o tempo, a empresa teve que buscar matéria prima com um tempo inferior a que faziam usualmente. 

Por uma questão de confidencialidade, a VRI pediu para não divulgar o nome da fábrica de São Paulo. Mas trata-se da maior parceira do Ministério da Saúde na aquisição de respiradores. Com as engrenagens “pegando fogo”, ainda mais em tempos de pandemia, a VRI teve que se adaptar aos novos tempos. Anderson conta que estão tomando todos os cuidados possíveis com seus colaboradores. A unidade disponibilizou equipamentos de proteção, além de informações diárias aos trabalhadores. “Também criamos um cronograma de trabalho, home office, melhor disposição dos funcionários na fábrica, medição diária de temperatura, afastamento e repouso para as pessoas inclusas no grupo de risco e quem tiver qualquer tipo de sintomas. Estamos tendo muito cuidado para podermos ajudar nessa guerra através do nosso trabalho”.