Clima contribui para desenvolvimento de trigo e colheita do milho na Comcam
O mês de julho mais seco, tem favorecido o desenvolvimento de grande parte da área com trigo na região de Campo Mourão. A ausência de chuvas também está contribuindo para o avanço da colheita da safra 2024/2025 do milho de segunda safra. Essas são duas das culturas agropecuárias comentadas pelos técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), no boletim que traz as condições de cultivo, divulgado nessa terça-feira (22).
O trigo, principal cultura do outono/inverno já está semeado em 100% da área estimada de 61.980 hectares. A produção esperada é de aproximadamente 180 mil toneladas do grão. A umidade que se manteve no solo após chuvas no final de junho e início deste mês, aliada à presença do sol no momento posterior, foram benéficas e permitiram o avanço dos trabalhos no campo. “Com exceção das geadas fortes no início do mês, o clima mais frio e seco são fatores ideais para a cultura do trigo”, frisou o agente técnico do Deral em Campo Mourão, Paulo Borges, ao comentar que a cultura encontra-se em diversos estágios de desenvolvimento na região. Por outro lado, ele observou que algumas áreas em fase de frutificação já se percebe sinais de déficit hídrico.
Em relação a prejuízos causados pelas geadas, ainda resta muita dúvida quanto à dimensão ocasionada pelas temperaturas negativas. Mas as áreas mais afetadas foram as plantadas antes do preconizado pelo zoneamento agrícola, o que não ocorreu na região de Campo Mourão. “Onde o plantio recém foi finalizado o desenvolvimento das lavouras é satisfatório e os tratos culturais continuam, com atenção ao controle fitossanitário e aplicações preventivas de fungicidas e inseticidas. Até o momento não há relatos de maior pressão de pragas e doenças”, detalha o boletim.
Borges informou que atualmente 30% das áreas com trigo estão em desenvolvimento vegetativo na região da Comcam, 52% se encontram no estágio de floração e outros 18% já no período de frutificação. Segundo o agente técnico, a ocorrência de chuvas neste momento geraria condições mais ideais para as áreas que se encontram em frutificação.
Ainda conforme o boletim divulgado pelo Departamento Rural, a maior parte da área semeada com trigo está em boas condições de desenvolvimento (93%), enquanto 4% apresentam bom desenvolvimento e 3%, condições ruins.
Atualmente, os triticultores já começam a se preocupar com a rentabilidade financeira da cultura. Em maio a saca valia R$ 80,00 em média, agora já caiu para R$ 78,00, antes mesmo do início da colheita, período em que os valores geralmente caem ainda mais. Por outro lado, em janeiro o preço da saca de 60 quilos estava bem abaixo da cotação atual praticada: R$ 73,00. “A comercialização do trigo pode ser considerada complexa devido a diversos fatores que influenciam o mercado, como a variação dos preços internacionais, a qualidade do grão, a logística de transporte e armazenamento, e a dependência de fatores climáticos. Neste caso, o produtor tem que ficar atendo ao mercado para vender e comercializar a sua produção no melhor momento”, alertou Borges.
Milho
O tempo mais seco está contribuindo também para o avanço da colheita do milho de segunda safra que está em ritmo acelerado na Comcam e com boas produtividades, Em algumas áreas de certa forma, até surpreendentes considerando os problemas climáticos ao longo do ciclo. Esta semana a colheita atingiu 70% da área cultivada com milho na região de Campo Mourão, que são 479.750 hectares.
A estimativa inicial de produção era de 2,4 milhões de toneladas. Porém, devido a problemas climáticos, como chuvas irregulares em diversas regiões, este volume deverá ser menor ao final da safra. Alguns municípios têm expectativa de conclusão dos trabalhos de retirada do milho segunda safra das lavouras até o final deste mês.

