Jorge Luis Borges, senhor das palavras

Publicamos para não passar a vida a corrigir rascunhos.

Quer dizer, a gente publica um livro para livrar-se dele”.
Jorge Luis Borges

Não basta afirmar que é o maior escritor argentino. É um dos mais influentes escritores no mundo do século XX. Herdou do pai o prazer da leitura. Jorge Luis Borges trabalhou como diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires de 1955 a 1973. Estive na referida Biblioteca, um dos maiores acervos da América Latina.

O livro Biblioteca de Babel escrevera influenciado pelas majestosas estantes. O personagem bibliotecário que narra a história era cego e de suas páginas se extrai uma de suas mais famosas citações: “Agora que os meus olhos mal conseguem distinguir o que eu mesmo escrevi, estou preparado para morrer”.

O escritor sentia e sabia que ficaria cego, fato definitivo aos 55 anos, herança paterna e do avô, cegos devido ao descolamento da retina.

Ele não está enterrado na cidade portenha, mas em Genebra para onde se mudou, foi para a Suíça cuidar do pai já cego. É de se imaginar o drama dele, leitor voraz, não poder nunca mais ler.

Antes de minha estada na Argentina, frequentemente lia numerosas citações do escritor, um grande frasista. Porém, sem que eu saiba explicar, pensava e planejava ler pelo menos uma obra de Jorge Luis Borges. Porém, outros livros que eu tinha que ler primeiro, então, ficava para depois… E assim daquela viagem passaram quase trinta anos! Até que em agosto, ano passado, finalmente comprei Obras Completas e logo comecei a ler sem parar.

A paixão do tema tratado manda no escritor”, afirma ele. Nos contos, na poesia e na prosa a paixão o deixa levar para todos os caminhos. Alás, sobre caminhos, lembro de memória a frase dele, “Todos os caminhos levam a morte. Desvie deles”.

Primoroso ao descrever os cenários de Buenos Aires, andava muito, a observar ruas, árvores, casas, pessoas, o céu, inspiração para o seu escrever, como em:

AS RUAS –As ruas de Buenos Aires já são minhas entranhas. / Não as ávidas de turba e de agitação, / mas as ruas entendiadas do bairro, / quase invisíveis de tão habituais, / enternecidas de penumbra e de ocaso e aquelas mais longínquas/ privadas de árvores piedosas/ onde austeras casinhas apenas se aventuram, / abrumadas por distâncias, / a perder-se na profunda visão de céu e de plenura. / São para o solitário uma promessa/ porque milhares de almas singulares as povoam, / únicas ante Deus e no tempo/ […] …”

O Pampa do Sul, personagens e circunstâncias, em cada página a imaginação arguta em versos e prosas de seus imortais escritos. E são muitos os escritores retratados por ele, ora a fazer menção, citar trechos, ora ao realizar análise literária.

Como é difícil selecionar algumas de suas obras, então basta afirmar que não se pode deixar de ler Jorge Luis Borges e assim termino com um dos seus dizeres sobre a vida: “Existe um rio cujas águas dão a imortalidade; em alguma região haverá outro rio cujas águas a apeguem”.

Jorge Luis Borges é o deságue dos rios Paraná e o Uruguai, sendo ele a própria grandeza oceânica do Rio da Prata.

Fases de Fazer Frases (I)

Caminhos novos são novos modos de nos conhecermos.

Fases de Fazer Frases (II)

Caminhos novos são novos modos de conhecer novos rumos.

Fases de Fazer Frases (III)

Não se oponha a si mesmo, mas se ponha.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Alguém sabe me indicar se tem em Campo Mourão alguma livraria aberta depois das 18 horas?”-, indaga um dos membros de um dos grupos de rede social do qual faço parte. Imediatamente outro responde:

“Mas você nem lê em horário comercial e agora quer achar livraria aberta depois das seis da tarde!”

Não citarei nomes para evitar errôneas interpretações, mas apenas menção ao fato pela ironia.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

É também típico por parte de alguns segmentos mourãoenses debater, polemizar e apontar o que entendem ser a solução, por vezes sequer descruzam os braços nem procuram ouvir todos os lados e interpretações de um fato. É o caso dos chamados moradores em situação de rua.

“CM amplia atendimento a pessoas em situação de rua com o Centro Pop”, informa este Jornal na quinta passada. O serviço já foi ampliado, é permanente e destinado a atender pessoas nessa situação, de modo individualizado, com acolhimento. Além do Município, os recursos contam com a participação dos governos federal e estadual. É preciso ressaltar, o intuito é a plena reinserção das pessoas à sociedade.

Farpas e Ferpas (II)

Quando alguém afirmar que te conhece, mas não sabe de onde, responda que não sabe aonde o conheceu.

Farpas e Ferpas (I)

Depois de tudo, o nada basta.

Farpas e Ferpas (II)

Depois do nada, o tudo basta.

Sinal Amarelo (I)

Equilibrar-se pode ser tão inútil quanto ter um pé em cada canoa a vida toda.

Sinal Amarelo (II)

Até o tempo que dispomos precisa ser edificado.

Trecho e Trechos

Definir é imitar”. [Oscar Wilde].

Não existem amores feios nem prisões belas”. [Pierre Gringore].

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Quando não damos conta da história descontamos da memória.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Não precisamos de paredes mas do hábito de pendurarmos quadros da história.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

Roupa não sai de moda, sai do corpo.

José Eugênio Maciel | [email protected]

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal