Produtores amargam prejuízos com temporal; em Janiópolis, criador perdeu 7 vacas com granizo
Além de estragos na zona urbana, a tempestade com ventos de mais de 100 km/h e muito granizo, na tarde de terça-feira (30), deixou um grande prejuízo também na agricultura na região da Comcam. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), núcleo de Campo Mourão, ainda está fazendo o levantamento da situação, mas adiantou à TRIBUNA, que há relatos de perdas significativas principalmente nas cidades de Boa Esperança, Janiópolis, Juranda, Goioerê e Ubiratã.
Em Ubiratã, Calcula-se, que 3% da área de milho safrinha ainda não colhida foi afetada. Já em Janiópolis, outro município severamente atingido pelo temporal, os danos foram ainda maiores. O granizo matou sete cabeças de vacas leiteiras de um produtor rural na localidade Pedra Branca. Um prejuízo de mais de R$ 30 mil.
“O temporal atingiu uma faixa entre a região da Comunidade Graminha e parte do distrito de Arapuã danificando lavouras de milho que estavam em fase de granação, áreas com hortaliças e mais de 7 mil hectares de pastagem utilizada pela cultura leiteira”, informou José Claudio do Prado, responsável pelo IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater), de Janiópolis.
Prado comentou que a tempestade de granizo, além de intensa, veio com pedras grandes de gelo. “Muitos produtores nosso foram severamente atingidos”, lamentou. A estimativa é de perdas entre 20% a 25% nas lavouras de milho ainda não colhidas no município.
O pequeno produtor rural Ivonei Bruno Metezeger, de Boa Esperança, distante 14 quilômetros de Janiópolis, sofreu grandes prejuízos, principalmente na lavoura de milho. Ele que plantou 9 alqueires do grão, informou que a lavoura estava na fase de frutificação. “As folhas praticamente foram trituradas pelas pedras de gelo”, falou. Segundo ele, o milho não vai atingir a granação ideal com os danos causados nas plantas.
O produtor sofreu perdas também com o trigo (4 alqueires) e hortaliças. Segundo ele, o vento forte acamou a planta. Dificilmente a lavoura irá se recuperar, acredita. Já as suas hortaliças teve perda de 100% da produção. “O que tinha plantado na horta perdeu”, frisou. Metezeger comentou que fazia tempos que não via uma tormenta tão forte como a de terça-feira. “Infelizmente muitas lavouras ainda estão susceptíveis, e as perdas foram inevitáveis”, lamentou.
Já na região de Ubiratã, o técnico agropecuário do IDR-Paraná, Jhonata Mendes Alves, informou que os prejuízos maiores foram registrados nas lavouras de milho, que não suportaram a força dos ventos de até 114 km/h. “Muitos produtores já acionaram o Proagro [Programa de Garantia da Atividade Agropecuária] devido aos altos prejuízos”, relatou o técnico agropecuário. Segundo ele, o estrago nas lavouras foi causado principalmente pelo vendaval.
“Muitas lavouras que já estavam prontas para colher se perderam. Uma tristeza”, comentou Alves, ao informar casos de produtores que tiveram perdas de praticamente 100% de sua produção. Nas culturas de inverno, como trigo e aveia, há relatos de perdas pontuais. “As lavouras de trigo ainda estão em perfilhamento e pouco foram atingidas”, complementou.

