Centro Cívico: uma ideia lançada em 1989 que nunca saiu do papel em Campo Mourão
Trinta e seis anos após ser oficialmente apresentada, a proposta de criação de um Centro Cívico em Campo Mourão continua sem sair do papel. Idealizado para concentrar a estrutura administrativa do município e reduzir os gastos com aluguéis, o projeto atravessou sucessivas gestões sem ser executado, enquanto a Prefeitura segue funcionando de forma dispersa em prédios alugados, com custos anuais superiores a R$ 1 milhão.
O atual prédio da Prefeitura foi inaugurado em 1964, durante a gestão do prefeito Milton Luiz Pereira, com obra iniciada por seu antecessor, Antônio Teodoro de Oliveira. Ao longo de mais de cinco décadas, 13 prefeitos administraram a cidade a partir daquele endereço. Em 2004, o edifício foi tombado como patrimônio histórico municipal e passou por reforma no último ano do governo Tauillo Tezelli.
A primeira proposta concreta de implantação de um Centro Cívico foi lançada em julho de 1989, na gestão do prefeito Augustinho Vecchi, com apoio do vice-prefeito Elmo Linhares. A área escolhida foi o antigo almoxarifado municipal, na Avenida Guilherme de Paula Xavier.
O projeto previa a construção de um complexo administrativo reunindo a sede da Prefeitura, a Câmara de Vereadores, as secretarias municipais, além de espaços para a Comcam e para a Acamdoze. A proposta foi apresentada publicamente, mas não avançou para a fase de execução.
Com o passar dos anos, parte dos objetivos iniciais foi alcançada de forma fragmentada. A Comcam e a Acamdoze conquistaram sedes próprias somente anos depois, fora do projeto original, enquanto a Prefeitura e suas secretarias permaneceram espalhadas em diferentes imóveis pela cidade.
Em 1996, durante a gestão do prefeito Rubens Bueno, uma nova tentativa foi feita. Com o loteamento do Jardim Albuquerque, uma área foi reservada especificamente para a construção do Centro Cívico. A intenção era lançar a pedra fundamental ainda naquele mandato, o que não ocorreu com o encerramento da gestão.
O tempo transformou os terrenos antes destinados ao projeto. A área do antigo almoxarifado foi vendida no início da primeira gestão de Tauillo Tezelli e acabou ocupada por moradias. Já o terreno reservado no Jardim Albuquerque foi doado a entidades e órgãos governamentais, descaracterizando o plano original.
Uma nova possibilidade surgiu no fim de 2019, quando o Tribunal de Justiça do Paraná anunciou a construção de um novo Fórum para a comarca de Campo Mourão. O município doou um terreno no Residencial Parque do Lago e, em contrapartida, o Judiciário comprometeu-se a transferir o atual prédio do Fórum para a Prefeitura, para adaptação e instalação de secretarias hoje em imóveis alugados.
Em 2021, os projetos foram aprovados, com previsão inicial de conclusão em três anos. Pelo acordo, o Tribunal de Justiça tem prazo de até dez anos para executar a obra. Na ocasião, a Prefeitura informou que os gastos anuais com aluguéis ultrapassavam R$ 1 milhão, reforçando o argumento de economia com a centralização administrativa.
Especialistas em planejamento urbano apontam que um Centro Cívico favorece a integração entre secretarias, reduz deslocamentos, facilita o acesso da população aos serviços públicos e contribui para uma ocupação mais racional do espaço urbano. Também permitiria destinar o prédio histórico da Prefeitura a funções culturais e institucionais.
Mais de três décadas após o lançamento da proposta, Campo Mourão segue sem um Centro Cívico estruturado. O tema retorna ciclicamente ao debate público, associado à necessidade de planejamento de longo prazo, redução de despesas e modernização da administração municipal — até agora, uma grande ideia que a cidade concebeu, mas não concretizou.


