Inspeção de pulverizadores ajuda produtores a reduzir desperdício e deriva de agrotóxicos

Um trabalho de orientação técnica voltado ao uso correto de pulverizadores agrícolas tem auxiliado produtores rurais de Peabiru a melhorar a eficiência na aplicação de defensivos e reduzir riscos ambientais nas lavouras. A iniciativa é desenvolvida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em parceria com o Senar-Paraná, por meio de inspeções periódicas em equipamentos utilizados na pulverização de inseticidas, fungicidas e herbicidas.

Durante a safra 2025/2026 da soja, até o mês de fevereiro, foram realizadas 16 inspeções em pulverizadores agrícolas no município. O trabalho envolveu 34 participantes, entre produtores, operadores de máquinas e responsáveis técnicos das propriedades. Segundo o extensionista do IDR-Paraná em Peabiru, Antônio Eduardo Egydio, o objetivo principal é garantir que os equipamentos estejam corretamente regulados antes das aplicações.

Muitas vezes o produtor tem um bom produto e faz o manejo correto da lavoura, mas a aplicação não ocorre da forma adequada por falhas de regulagem ou manutenção do equipamento”, explicou. As inspeções fazem parte de um conjunto de ações ligadas à Tecnologia de Aplicação de Agrotóxicos (TAA) e à Inspeção Periódica de Pulverizadores (IPP).

O foco do trabalho é reduzir problemas como a deriva, fenômeno em que o produto pulverizado é levado pelo vento para áreas vizinhas, podendo atingir culturas sensíveis, áreas urbanas ou vegetação nativa. Durante as avaliações realizadas nas propriedades, os técnicos identificaram uma série de falhas mecânicas nos equipamentos utilizados nas lavouras. Entre os principais problemas estavam válvulas de corte com defeito em cerca de 25% das máquinas avaliadas, manômetros quebrados em 30% dos pulverizadores e sistemas antigotejo com regulagem inadequada em 60% dos casos.

De acordo com Egydio, esses problemas podem comprometer diretamente o resultado das aplicações. Equipamentos desregulados causam desperdício de produto, aumentam o custo da aplicação e ainda podem gerar arrasto do defensivo para fora da área de cultivo”, afirmou.

Foram realizadas 16 inspeções em pulverizadores agrícolas no município. O trabalho envolveu 34 participantes

Após as inspeções, os produtores recebem orientações para manutenção, troca de peças e regulagem dos equipamentos. Um dos pontos que mais chamou atenção dos técnicos foi o estado das pontas de pulverização.
Segundo o levantamento, 60% dos produtores optaram por substituir os bicos utilizados nas máquinas após a avaliação técnica.

A escolha correta da ponta de pulverização faz muita diferença. Ela influencia diretamente no tamanho das gotas, na uniformidade da aplicação e na redução da deriva”, explicou o extensionista. Entre os modelos utilizados na substituição, destacou-se o bico tipo leque na cor verde, que permite trabalhar mais próximo ao alvo da pulverização e reduzir o chamado “efeito guarda-chuva”, quando ocorre sobreposição das faixas de aplicação.

O trabalho de inspeção utiliza um equipamento chamado Fluxin, desenvolvido por uma empresa de Campo Mourão, que permite medir com precisão o desempenho de cada ponta de pulverização. Durante as avaliações, uma situação específica chamou a atenção da equipe técnica. Uma pulverizadora costal a bateria, utilizada para aplicação de produtos biológicos em pequenas áreas, também passou por aferição.

Depois do ajuste, a máquina passou a trabalhar com quatro bicos leque laranja a 40 libras de pressão. Antes disso, com apenas um bico amarelo, ela chegava a mais de 75 libras”, relatou Egydio. Segundo ele, a regulagem correta do equipamento permitiu adequar a pulverização para o controle biológico de pulgões em culturas como melancia, quiabo e milho verde. A expectativa é ampliar o número de inspeções até o final da safra, quando começa o cultivo do milho, com previsão de avaliar mais 15 pulverizadores e ampliar a participação de produtores nas atividades técnicas”, destacou o técnico do IDR-PR.