Eleições 2026: Requião Filho critica Moro, atual governo e promete embate político

O pré-candidato ao Governo do Paraná, deputado estadual Requião Filho (PDT), está em Campo Mourão nesta quinta-feira (14), onde participará de um encontro suprapartidário regional às 19 horas no Centro Cultural dos Bancários. O político fez uma visita à TRIBUNA e concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal, analisando o cenário político atual no Paraná. Ele adotou um tom de forte enfrentamento político ao comentar o cenário da disputa pelo governo do estado nas eleições de 2026. O parlamentar afirmou que sua pré-campanha será marcada por cobranças diretas aos adversários, como a privatização da Copel, ao atual modelo de pedágio e ao grupo político do governador Ratinho Junior.

Pré-candidato ao Palácio Iguaçu, Requião Filho afirmou que não pretende fazer uma campanha “morna” e sinalizou que deve intensificar o enfrentamento ao senador Sergio Moro e aliados do atual governo estadual. “Vai ter enfrentamento, sim, porque eu não passo pano para essa gente”, afirmou o deputado ao comentar o tom que pretende adotar durante a campanha eleitoral.

Na entrevista, o parlamentar também fez críticas ao pedágio implantado no Paraná, classificou a privatização da Copel como prejudicial ao Estado e voltou a defender propostas como ICMS zero para micro e pequenas empresas, fortalecimento da agricultura familiar e retomada de investimentos em infraestrutura logística.

Em tom crítico ao governo Ratinho Junior e ao processo de privatização da companhia, Requião Filho afirmou que a empresa deixou de cumprir o papel estratégico de desenvolvimento regional. “Hoje a Copel é um chupim da nossa economia. Ela tira dinheiro da economia, prejudica o agro, a indústria e a família paranaense”, afirmou. Segundo o deputado, a retomada do controle estatal da empresa poderia permitir redução do custo da energia elétrica, fortalecimento da indústria e incentivo ao agronegócio paranaense.

Requião Filho ainda avaliou o cenário eleitoral, comentou a relação com partidos de esquerda e afirmou que percebe crescimento de sua pré-candidatura nas pesquisas. Veja a seguir a entrevista completa.

Tribuna do Interior – Qual o objetivo deste evento suprapartidário realizado em Campo Mourão?

Requião Filho – O momento é de analisar a realidade que nós temos no Paraná, a conjuntura política que nós temos no Estado, o que tem dado certo, o que tem dado errado e o que pode melhorar. E isso a gente faz conversando com as pessoas. Então, a gente vem para cá conversar com as lideranças, conversar com o povo em geral, para ter essa leitura local e poder, na sequência, apresentar propostas regionais para todo o Paraná.

Como o senhor analisa hoje a corrida eleitoral no Paraná, com o nome de Sergio Moro aparecendo como favorito nas pesquisas?

Eu vejo o Moro perdendo o seu favoritismo. A cada pesquisa nova que sai, ele diminui. Agora que começaram as sabatinas, que o Moro está tendo que se explicar, responder perguntas e dar opiniões, essa liderança que ele tem nas pesquisas diminui. Pesquisa após pesquisa, ele cai. E o nosso nome, a nossa proposta, vêm ganhando tração, aumentando pesquisa após pesquisa. Estou sempre em segundo lugar, numa curva crescente. Isso me enche de esperança, porque dá para debater o Paraná, dá para ver que o paranaense quer algo a mais para o nosso Estado.

O senhor acredita em pesquisas eleitorais?

Eu acho que a pesquisa é uma fotografia do momento. E, quando ela é bem feita, pode ser analisada, interpretada e usada como uma ferramenta de trabalho. Mas a pesquisa pode, sim, ser utilizada como propaganda política e como uma tentativa de buscar uma tendência e direcionar o eleitorado.

O senhor se filiou ao PT em 2022, mas deixou o partido e hoje está no PDT. Por que essa mudança?

Porque o meu jeito de fazer política, o meu jeito de construir minha carreira, não cabia dentro do PT. Eu tenho uma tendência muito forte a falar o que eu penso e fazer o que eu falo. E tenho críticas pesadas ao Governo Federal, críticas pesadas ao PT nacional, e lá não cabiam essas críticas. Então, estou hoje no PDT, que me deu espaço para fazer as críticas necessárias ao Governo Federal, ao Governo Estadual e construir uma proposta de governo diferenciada aqui para o Paraná.

Apesar de ter deixado o PT, o senhor mantém diálogo com o grupo político. Essa aproximação é importante para o processo eleitoral?

Sim, é uma soma importante. É uma construção importante na conjuntura política atual contra o Sergio Moro e o caos que se tornou o lado político do atual governador. Isso mostra que estamos trabalhando em cima do que convergimos. Ou seja, é uma proposta para construir, uma proposta que quer mais. A gente se preocupa mais com o que concorda, que é cuidar de pessoas, do agricultor, do pequeno empresário, do microempresário, do cidadão paranaense, e se preocupa menos com CNPJs e financiadores de campanha.

O senhor mantém articulação com outros partidos para fortalecer sua candidatura ao Governo do Estado?

Sim, nós temos o PV, temos a Rede, estamos trabalhando com o Solidariedade, conversando com o PSB nacional. Temos conversas com diversos outros partidos. Nossa aliança pode chegar a nove partidos numa coligação. Então, é muito mais importante focar naquilo que nós podemos construir e oferecer de positivo ao Paraná do que focar no negativo. Todo mundo que quiser discutir o Paraná de volta na mão dos paranaenses é bem-vindo para conversar conosco e formar essa aliança.

Um dos principais discursos do senhor é a retomada da Copel para o controle do Estado. Por que o senhor considera isso importante?

Você já ouviu falar do Vorcaro? Do Banco Master? Do BTG? Do Tanure? Todos eles estão envolvidos na privatização da Copel. Eu acho que a privatização da Copel pode ser revertida, uma vez que os escândalos e as denúncias que nós fizemos venham à tona, ou ela pode ser readquirida pelo Estado do Paraná. Hoje a Copel é um chupim da nossa economia. Ela tira dinheiro da economia, prejudica o agro, a indústria e a família paranaense. A Copel, na mão do governo, como acionista majoritário de uma empresa mista, é uma ferramenta de desenvolvimento do Estado e aquecimento da economia. Energia barata é o agro produzindo mais. É a indústria vindo para o Paraná. É a dona de casa tendo mais dinheiro no bolso. Energia cara prejudica a economia e coloca dinheiro no bolso de gente lá fora, não aqui no Paraná.

Outra proposta defendida pelo senhor é zerar o ICMS para micro e pequenas empresas. Como isso seria possível?

Sete em cada dez empregos do Paraná são gerados por pequenas e microempresas. Apenas 2% da arrecadação de ICMS vêm dessas empresas. Esse ICMS está na margem de erro da arrecadação. Se nós zerarmos esse imposto num momento em que energia, água e custo de vida estão caros, a gente dá um fôlego para quem gera 70% dos empregos do Estado. E aí você me pergunta: o Estado vai abrir mão de imposto? Apenas 2%. Hoje 25% do orçamento do Estado está comprometido com incentivos fiscais dados a grandes multinacionais e grandes empresas. Se a gente rever isso, sobra dinheiro para zerar o imposto do micro e pequeno empresário.

Como o senhor avalia o atual modelo de pedágio implantado no Paraná?

O pedágio 2.0 do Paraná tem pai e mãe: Sandro Alex e Ratinho Junior. Foi um modelo construído por eles junto ao Tarcísio, então ministro do Bolsonaro. O pedágio é uma cópia do modelo antigo, piorado, mas com purpurina. O pedágio já arrecadou mais do que deveria e fez menos do que deveria ter feito. Agora vem aí o free flow. Está mais caro hoje do que era ontem, e nós avisamos isso lá atrás.

Como o senhor tem sido recebido nos municípios paranaenses como pré-candidato?

Com muito carinho, calor humano e vontade de ter um Paraná mais justo, um Paraná que cuide de pessoas. Um Paraná que invista em educadores bem pagos, respeitados e felizes dentro da escola. Que invista no policial militar, no policial civil, no praça. Não apenas em viaturas importadas para aparecer no Instagram. O paranaense quer mais. A avaliação do governador Ratinho é boa, mas não é ótima. É uma avaliação morna, para não falar ‘broxante’.

Hoje, quais são as principais bandeiras da sua pré-candidatura?

Menos imposto e mais emprego. ICMS zero para pequenas e microempresas. Apoio ao agricultor, à pequena e média propriedade. Retomada de programas como Trator Solidário, Fundo de Aval, Luz para Todos e irrigação noturna. Se a gente retomar a Copel, conseguimos novamente dar desconto para o campo pagar metade da energia usada à noite. Também precisamos de investimentos reais em logística, tanto no modal rodoviário quanto ferroviário.

Sua campanha será marcada por enfrentamento político?

“Vai ter enfrentamento, sim, porque eu não passo pano para vagabundo. Eu não preciso agredir ninguém, mas quero que o Moro explique algumas situações, quero que o Ratinho explique outras. Pode estar tudo legal, mas é imoral. Vai ter cobrança, sim, vai ter enfrentamento, sim. Mas também vai ter proposta para um Paraná que invista em educação, segurança e saúde.”

O que o senhor acredita que vai definir a eleição no Paraná?

Quem tiver a melhor proposta, a proposta mais robusta, e conseguir mostrar ao povo paranaense que o Estado pode ir muito melhor se tiver um governo parceiro.

Que mensagem o senhor deixa para o povo paranaense?

“Prestem muita atenção na coerência. Esses políticos que trocam de lado como quem troca de camisa não valem nada. Escolha seu lado, escolha sua ideologia, mas cobre do seu representante, no mínimo, coerência.”

Caso seja eleito governador, o que o paranaense pode esperar de Requião Filho?

Pode esperar um governador acessível, mas que não fica só no diálogo. Quero conversar com todo mundo, do patrão ao empregado, do pequeno agro à grande cooperativa. Mas não é só conversa; a gente tem que ter ação. Porque o que nós temos hoje é conversa e propaganda. Eu quero um Paraná que execute.