Projeto transforma crianças de Campo Mourão em pesquisadoras da própria realidade

Um simples questionamento feito por alunos do 3º ano da Escola Municipal Professor Domingos José de Souza, em Campo Mourão, deu origem a um projeto que une ciência, agricultura, sustentabilidade, cultura regional e educação ambiental. A iniciativa, intitulada “Do Basalto ao Asfalto: do solo vermelho à formação de uma geração consciente do equilíbrio entre produzir e preservar”, vem despertando o interesse das crianças pela pesquisa e fortalecendo o sentimento de pertencimento ao município.

Tudo começou quando os estudantes passaram a observar a terra vermelha presente em estradas, lavouras e quintais da cidade e fizeram uma pergunta simples: “Por que a nossa terra é vermelha?”. A partir dessa curiosidade, iniciou-se uma investigação sobre a formação do solo, o basalto, a presença de ferro na terra e a relação entre agricultura, meio ambiente e qualidade de vida.

Ao longo do projeto, os alunos participaram de pesquisas, experiências científicas, construção de vulcões, análises sobre erosão, compactação e contaminação do solo, além de visitas técnicas à UTFPR, à Fazenda Experimental da Coamo, ao Museu de Geologia da Unespar e outros espaços educativos.

Mais do que compreender conceitos científicos, as crianças descobriram a importância do solo para a produção de alimentos e para a economia regional. Durante as atividades, passaram a entender que uma agricultura forte depende diretamente da preservação da terra e do equilíbrio entre produção e conservação ambiental.

Cultura local

O projeto também ampliou o conhecimento dos estudantes sobre a identidade cultural de Campo Mourão. Durante os estudos, eles aprofundaram pesquisas sobre a Festa Nacional do Carneiro no Buraco, compreendendo que a tradição gastronômica do município está diretamente ligada à fertilidade do solo e à força da agricultura regional.

Os alunos identificaram que ingredientes utilizados no preparo do prato típico, como milho, mandioca, legumes, verduras e temperos, dependem da produção agrícola e do trabalho realizado no campo. A partir disso, passaram a perceber que cultura, agricultura e sustentabilidade caminham juntas.

Como forma de compartilhar os conhecimentos adquiridos, os estudantes estão desenvolvendo panfletos informativos com auxílio da inteligência artificial. O material abordará a importância do solo vermelho, a força do agronegócio regional e a necessidade de conciliar produção e preservação ambiental.

Panfletos que serão entregues na Festa Nacional do Carneiro de 2026

Os panfletos serão distribuídos durante a Festa Nacional do Carneiro no Buraco de 2026, juntamente com a doação de mudas nativas e ações de conscientização ambiental promovidas pelos próprios alunos.

Segundo a professora Taina Durço de Carvalho, responsável pelo projeto, a proposta vai além dos conteúdos escolares e busca formar crianças mais conscientes sobre o território onde vivem.

“Queremos que eles entendam que o solo não é apenas terra. O solo produz alimento, movimenta a economia, sustenta tradições culturais e preserva vidas. Quando a criança compreende isso, ela também entende a importância do equilíbrio entre produzir e preservar”, destacou a educadora.

Integrando ciência, investigação, cultura regional e educação ambiental, o projeto vem transformando crianças em pequenas pesquisadoras da própria realidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e mostrando que cuidar do solo é também cuidar da agricultura, da cultura e do futuro.