Sem ter com quem contar
“(…) E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem ter com quem contar”
Chico Buarque e Vinícius de Moraes – Gente Humilde
Quem viveu situação sem ter com quem contar, sabe como é.
O fato propicia reação solidária, ajudar, ou fazer de conta que não viu nada.
Gente Humilde, do Chico e Vinícius – trecho acima –, ressalta:
Que vai em frente sem ter com quem contar.
Existem muitos cenários em que a pessoa hoje e amanhã conta só com ela.
Nada mais.
Ninguém olha para ou por ele. Invisível, translúcido, sem perceber, saber. Permanece recusando-se a crer, não existe para os outros, sequer para ela.
Abandono que num dia teve atenção, é menos pior do nascido no desamparo.
De ter sede sem nunca ter recebido e bebido um digno copo d’água.
Parar, pensar, sentir, agir, estar sozinho no mundo, obrigado a seguir em frente.
Qual é a pior situação de não ter com quem contar?
Alguém que perdeu-se na densa floresta ou no alto de uma montanha?
De estar soterrado e sequer poder gritar por socorro?
Na escuridão tentar agarrar fresta de luz?
Ter que se aquecer com o próprio corpo congelado.
Um preso achar que ninguém crê na inocência e sem conseguir prová-la?
A vítima de um acidente de avião, carro, sem saber se será socorrida a tempo.
De quem está no deserto a procura do oásis?
Paciente com dor lancinante sem ter médico algum para socorrê-lo?
De quem caminha inexoravelmente para o fim, estando à míngua.
Sem estrada, caminho, direção, só e tendo que caminhar.
Sem dúvida é a criança instintivamente sozinha sem poder seguir em frente.
Chora melancólica, desesperadamente, e a mãe não ouve, mãe que ela não tem.
Fases de Fazer Frases (I)
A má vontade jamais mata a boa vontade.
Fases de Fazer Frases (II)
A boa vontade pode não vencer, mas nunca é derrotada.
Fases de Fazer Frases (III)
Não confundamos: O lapso pontiagudo com o lápis de ponta aguda.
Fases de Fazer Frases (IV)
Se a vida é um sopro cuide para não faltar ar.
Fases de Fazer Frases (V)
Até o farto pode ser fardo.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Crescem a reclamação e a impaciência dos consumidores da Copel por causa das constantes interrupções do fornecimento de energia, neste espaço reiterado o que é público e inadmissível, comentário a respeito inclusive na Coluna anterior.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
O Pequeno Dicionário da Língua Morta – Palavas que sumiram do dicionário, autor mineiro Alberto Villas, é um livro muito bom. Ao recomendá-lo, aproveito para agradecer ao sempre querido sobrinho Rafael Carlos Eloy, mourãoense que hoje reside em Joinville, Santa Catarina. Como faz bem ser lembrado, agradeço com todo o afeto e enorme admiração que tenho por ele.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Espécie de contagem regressiva, esta Coluna vai se aproximando dos 38 anos de existência. A gratidão continuará a ser o sentimento maior para com cada leitor.
Tudo começou no dia 10 de julho de 1988. Prossegue graças a quem lê.
Olhos, Vistos do Cotidiano (IV)
Dia 13 a Escola Educare realizou uma bela festa junina, doces e salgados típicos, a presentação de danças. Destaque para a impecável decoração e organização de todo o evento.
E tem mais um importante detalhe, durante toda a festa os participantes eram informados sobre curiosidades e fatos históricos relativos a tudo o que é junino, como o arroz-doce, que faz parte de nossa culinária, prato oriundo de Portugal.
Corujice a parte, fui lá para assistirmos a dança da linda menina Cecília Rebechi Prado, oito anos, estudante do 2° B, neta por afeto meu, da avó Tânia Regina e dos pais Bruno e Maria Alice.
Olhos, Vistos do Cotidiano (V)
Upinha é como está escrito no espaço para atendimento das crianças, expressão carinhosamente diminutiva de UPA – Unidade de Pronto Atendimento de Campo Mourão. Outras cidades também usam tal identificação.
Farpas e Ferpas (I)
O preguiçoso só sente prazer de nada fazer.
Farpas e Ferpas (II)
Mágica maior é não saber o truque.
Farpas e Ferpas (III)
Tenha maior medo de errar quando não souber no que vai dar.
Sinal Amarelo (I)
Tudo que serve, servido está.
Sinal Amarelo (II)
Não conte vantagem, ao menos antes de tê-la.
Sinal Amarelo (III)
Passado é certeza nem sempre desvendado.
Trecho e Trecho
“Não há nada em que paire tanta sedução e maldição como um segredo”. [Soren Kierkegaard].
“Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante”. [Antonie de Saint-Exupéry].
Reminiscências em Preto e Branco
Tempo tem.
Tempo tinha.
Tempo terá.
Faz tempo, tempo é tempo.
Tempo o tempo faz o tempo.
José Eugênio Maciel | [email protected]
* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal

