Com investimento de R$ 2 bilhões, Coamo prevê concluir usina de etanol até março de 2027
As obras da primeira usina de etanol de milho da Coamo Agroindustrial Cooperativa, em Campo Mourão, já ultrapassaram 50% de execução e seguem dentro do cronograma para entrar em operação até o fim do primeiro trimestre de 2027. O investimento total no empreendimento, incluindo toda a infraestrutura de apoio, chega a aproximadamente R$ 2 bilhões, consolidando-se como um dos maiores projetos industriais da história da cooperativa e do Paraná.
A atualização foi feita pelo presidente-executivo da Coamo, Airton Galinari, em entrevista à TRIBUNA, durante o Encontro de Inverno da cooperativa, nessa quinta-feira (25). Segundo ele, apesar dos atrasos pontuais provocados pelas chuvas das últimas semanas, o ritmo da construção permanece acelerado.
“Estamos tentando recuperar os dias perdidos por causa das chuvas, que acabaram interferindo um pouco no andamento da obra. Mesmo assim, já ultrapassamos a metade da construção e agora a indústria começa realmente a ganhar forma. Até pouco tempo havia muito trabalho de fundações e estruturas subterrâneas. Neste momento começam a surgir os grandes equipamentos e a dimensão do empreendimento passa a ser percebida”, afirmou.
A usina está sendo construída no parque industrial da cooperativa, às margens da BR-487, em Campo Mourão, e será a primeira planta de etanol de milho do Paraná. O projeto representa um marco na estratégia de industrialização da produção agrícola da Coamo, agregando valor ao milho entregue pelos cooperados.

Galinari destaca que o empreendimento representa uma nova etapa para a cooperativa. “É uma verdadeira revolução na comercialização do milho. Pela primeira vez vamos verticalizar uma parcela significativa dessa produção. Já fazíamos isso em pequena escala com a fábrica de rações, mas agora avançamos para um volume muito maior, agregando valor ao produto dos cooperados e fortalecendo toda a cadeia produtiva.”
Após a conclusão da maior parte das obras civis e das fundações, a construção entrou na fase de montagem dos equipamentos industriais. Segundo Galinari, estão em andamento simultaneamente as instalações dos setores de moagem do milho, fermentação, destilação do etanol, armazenagem do DDGS (farelo de alto valor proteico), sistemas de biomassa, tanques de armazenamento de etanol e toda a infraestrutura energética da planta.
“Hoje todas as frentes estão em andamento. As bases civis estão bastante avançadas e agora o foco está na montagem dos equipamentos. É uma etapa importante porque a indústria começa a mostrar sua dimensão.”
Levantamento divulgado recentemente pela própria cooperativa aponta que o canteiro de obras reúne cerca de mil trabalhadores de mais de 70 empresas especializadas, número que deverá dobrar nas próximas etapas da construção.
A nova indústria terá capacidade para processar aproximadamente 1.700 toneladas de milho por dia, utilizando entre 500 mil e 600 mil toneladas do cereal por ano, matéria-prima produzida pelos próprios cooperados. A produção diária será de aproximadamente 765 mil litros de etanol, além de cerca de 510 toneladas de DDGS, utilizado na nutrição animal, e 34 toneladas de óleo de milho, destinado principalmente à indústria de biodiesel.
Outro diferencial do projeto será a autogeração de energia. Alimentada por biomassa proveniente de reflorestamento de eucalipto, a usina produzirá cerca de 30 megawatts, quantidade suficiente para abastecer integralmente o parque industrial da Coamo em Campo Mourão.
“Além da produção de etanol, essa indústria vai gerar energia para todo o parque industrial da cooperativa. É um empreendimento altamente sustentável e que trará benefícios permanentes para os cooperados, para Campo Mourão e para toda a região”, ressaltou Galinari.

