Adolescente se apresenta, confessa autoria de atentado e se diz arrependido, diz delegado
A investigação sobre o atentado que chocou e comoveu Campo Mourão na sexta-feira (17) ganhou um desfecho nesta segunda-feira (20). O adolescente de 15 anos, apontado como autor dos disparos, apresentou-se espontaneamente na 16ª Subdivisão Policial (SDP) acompanhado de um advogado, confessou o crime, entregou a arma utilizada no ataque (uma pistola) e prestou depoimento à Polícia Civil.
Durante o interrogatório, o adolescente também demonstrou arrependimento, segundo a polícia. “Ele disse que o alvo era apenas a Veridiana. Como não é atirador, efetuou disparos de uma distância em que praticamente não havia como atingir somente ela, acabando por acertar outras pessoas”, informou o delegado-chefe da 16ª SDP de Campo Mourão, Nilson Rodrigues da Silva.
Após ser ouvido, o autor confesso foi encaminhado ao Juízo da Vara da Infância e da Juventude e permanecerá em apreensão cautelar no Centro de Socioeducação (Cense) do município. Ao anunciar a apresentação do adolescente, o delegado Nilson classificou o episódio como um dos crimes mais graves registrados no município nos últimos anos. “Foi um crime bárbaro. Seis pessoas foram vitimadas. Isso gerou uma enorme comoção em Campo Mourão. A partir do momento em que o crime aconteceu, as diligências começaram imediatamente, com as polícias Civil e Militar trabalhando em conjunto para chegar ao autor”, afirmou.
Silva destacou o trabalho feito pelas equipes de investigação desde os primeiros momentos após o atentado. “Parabenizo meu chefe de investigação e todos os agentes da Polícia Militar que trabalharam neste caso. Chegamos rapidamente ao indivíduo. Hoje ele se apresentou na delegacia, confessou o crime e apresentou a arma utilizada.”
Segundo Silva, embora a autoria esteja esclarecida, a investigação ainda prossegue para confirmar todas as circunstâncias do atentado. “O caso está elucidado. Existem diligências ainda a serem realizadas. Ele falou em vingança. Precisamos confirmar se realmente essa foi a motivação. Nosso compromisso é esclarecer integralmente os fatos.”
O delegado lamentou as consequências do ataque, lembrando que as vítimas fatais eram pessoas bastante conhecidas em Campo Mourão.
“As pessoas mortas eram trabalhadoras, conhecidas na cidade. Assim como aquelas que ficaram feridas. Não é realmente possível permitir que uma barbaridade dessa aconteça.”

A delegada Laís Alves, responsável pela investigação, reforçou que o adolescente assumiu integralmente a autoria do atentado e detalhou a versão apresentada durante o depoimento. Segundo ela, o menor afirmou que decidiu atacar Veridiana motivado por fatos ocorridos em 2024. “Ele confessou que praticou o crime por vingança. Alegou que Veridiana coordenou ações que resultaram em lesões corporais nele próprio e em sua mãe. Posteriormente, o irmão dele foi assassinado. Segundo o adolescente, ele guardava essa mágoa desde então”, detalhou a delegada.
Ainda conforme Laís, o autor confesso afirmou que “há muito tempo” planejava matar Veridiana, mas nunca havia encontrado uma oportunidade.
Na sexta-feira, ao saber que ela estava na conveniência onde ocorreu o atentado, passou diversas vezes em frente ao estabelecimento para confirmar sua presença antes de executar o ataque.
A arma utilizada, segundo o depoimento, seria uma pistola calibre 9 milímetros pertencente ao irmão já falecido. “Ele afirmou que manteve essa arma guardada justamente para se vingar dos fatos que atribui à Veridiana“, explicou a delegada Laís. A Polícia Civil também investigou a possível participação de terceiros na fuga do adolescente. Segundo a delegada, foram analisadas todas as hipóteses de apoio logístico antes e depois do atentado.
A mulher apontada inicialmente como possível participante foi ouvida na delegacia. Em um primeiro momento, permaneceu em silêncio. Posteriormente confirmou que prestou apoio ao adolescente somente após o crime, quando ele já havia retornado para casa, trocado de roupa e deixado o local. De acordo com a investigação, ela afirmou desconhecer que o atentado havia ocorrido. “Pelas informações prestadas pelo adolescente, ela não tinha conhecimento dos fatos e não participou da fuga logo após o crime. Mesmo assim, todas as circunstâncias continuam sendo apuradas.”
Outro ponto ainda investigado é a origem de aproximadamente 500 metros de cordel detonante encontrados na residência da mãe do adolescente.
Segundo Laís, o menor declarou em depoimento que encontrou o material durante uma pescaria em um lago e decidiu levá-lo para casa. “Essa informação também será apurada. Nosso objetivo é buscar a verdade. Nós não adotamos integralmente tudo aquilo que é mencionado durante o interrogatório. Todas as linhas de investigação permanecem abertas até que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos”, afirmou.
A mãe do autor, presa no sábado após a Polícia Civil localizar munições, drogas e o cordel detonante em sua residência, foi colocada em liberdade e responderá ao processo em liberdade. A Polícia Civil informou ainda que existem suspeitas de eventual envolvimento do adolescente em outros delitos registrados em Campo Mourão. Essas informações serão confirmadas ou descartadas no decorrer das investigações. A pistola calibre 9 milímetros utilizada no atentado foi apreendida e será submetida à perícia.
O caso
O atentado aconteceu na noite da última sexta-feira (17), em uma conveniência localizada na Avenida Guilherme de Paula Xavier, esquina com a Rua Mato Grosso, na área central de Campo Mourão.
Os disparos provocaram a morte de Marcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38, que morreram ainda no local.
Também foram baleados Veridiana Gaya Menin Machado Sate, de 40 anos, apontada pela investigação como alvo do atentado; Izabela Roberto de Carvalho, de 23 anos, que perdeu a visão do olho esquerdo e permanece internada; e Fábio Piassa, 41 anos, atingido na coluna, além de sofrer lesões no baço e em um dos rins. Ambos continuam hospitalizados em Campo Mourão. O crime gerou comoção na cidade e teve repercussão nacional.

