MP denuncia mãe de adolescente por omissão em atentado
O Ministério Público (MP) denunciou criminalmente a mãe do adolescente de 16 anos investigado pelo atentado a tiros que deixou duas pessoas mortas e três feridas em uma loja de conveniência em Campo Mourão. O crime aconteceu na noite de sexta-feira (17). A denúncia, requerida pela Promotoria de Justiça, responsabiliza a mulher, de 33 anos, por “omissão penalmente relevante”, por supostamente ter deixado de impedir que o filho mantivesse, dentro da residência da família, materiais de “alto potencial ofensivo”.
A Promotoria de Justiça sustentou que a mulher tinha conhecimento de que o adolescente armazenava munições, explosivos e equipamentos de uso restrito no imóvel, mas não tomou providências para impedir a situação ou comunicar os fatos às autoridades.
A acusada foi denunciada por três crimes: posse irregular de munição de uso permitido, posse ilegal de artefato explosivo e desenvolvimento clandestino de atividade de telecomunicação. Segundo o Ministério Público, a responsabilização ocorre porque ela teria se omitido diante da conduta do filho, mesmo tendo conhecimento da situação. Além da condenação criminal, o Ministério Público pediu à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 40 mil por danos morais coletivos.
Materiais encontrados
Após o atentado, equipes policiais cumpriram buscas na residência da família, onde apreenderam dois cartuchos intactos de calibre .38, um carretel com aproximadamente 500 metros de cordel detonante, material explosivo utilizado em atividades industriais, além de seis antenas de bloqueador de sinal de radiofrequência (jammer), equipamento de alta potência capaz de interromper comunicações móveis e dificultar o rastreamento de veículos.
No local também foram apreendidas cerca de cinco gramas de maconha e uma porção de substância semelhante a ecstasy. Segundo o Ministério Público, esses elementos embasam a acusação de que a denunciada “tinha o dever legal de cuidado, proteção e vigilância sobre o filho adolescente e teria se omitido diante da situação”.
O caso
O atentado ocorreu na sexta-feira (17), em uma loja de conveniência localizada na área central de Campo Mourão. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um adolescente chegou ao estabelecimento usando balaclava e efetuou diversos disparos contra as pessoas que estavam no local.
Os disparos causaram a morte de Marcio Bertholdi Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38 anos. Ambos foram atingidos sem serem os alvos do ataque, segundo as investigações. Outras três pessoas ficaram feridas, sendo elas Veridiana Gaya Menin Machado Sate, de 40 anos, apontada pela Polícia Civil como alvo do atentado. Ela sofreu ferimentos gravíssimos e permanece internada. Também ficaram feridos Izabela Roberto de Carvalho, de 23 anos, e Fábio Piassa, 40, que foram socorridos após os disparos. Izabela já recebeu alta hospitalar.
Autor apreendido
Depois de permanecer foragido por três dias, o adolescente se apresentou espontaneamente à Polícia Civil nessa segunda-feira (20), acompanhado de uma advogada. Na ocasião, entregou a arma utilizada no crime e confessou a autoria dos disparos.
Em depoimento, afirmou que agiu por vingança em razão de fatos ocorridos em 2024. Conforme a investigação, o alvo seria Veridiana. A Polícia Civil informou que o adolescente demonstrou arrependimento e foi apreendido, permanecendo à disposição da Vara da Infância e da Juventude. A arma apresentada foi encaminhada para perícia. A Polícia Civil continua investigando o caso.

