Mais triste, a tristeza própria
“Pouco sabe da tristeza quem, sem remédio para ela, diz ao triste que se alegre;
pois não vê que alheios contentamentos a um coração descontente,
não lhe remediando o que sente, lhe dobram o que padece”.
Luís de Camões
Conheci um homem com a aparência que me impressionou imensamente. As roupas dele, de tão velhas e gastas, iam se desmanchando no corpo, ao mesmo tempo se prendendo ou se soltando de junto a pele totalmente enrugada em um corpo magérrimo que de tão esquálido e sujo, se tornara, de há muito, cadavérico.
Poucos dentes, todos quebrados, saliva que parecia espessa, olhos que lembravam o círculo de um poço profundo e seco.
O que fizeram com a vida dele? O que ele fez com o que fizeram dele? Que destino se impôs naquele miserável? O fardo que carregava tinha o peso de uma desnudada e cruel miséria.
Eu me encontrava numa praça a observar as árvores e pássaros. O cenário era dos bancos vazios ao meu redor, e pessoas raramente a cruzar o pequeno logradouro interiorano.
Sem ainda olhá-lo diretamente, percebo que aquele homem de olhar melancólico e lúgubre, me observa de tal modo que não sem explicar, sequer imaginar o motivo, até mesmo o de me pedir um agitório.
Então, vagarosamente ele levanta e vem lentamente em minha direção, “posso sentar aqui….a praça é pública”. Disse que não me importava.
… Uma pausa longa e intensa entre nós dois. Eu imaginei que ele desejasse conversar e não somente a me observar de soslaio. Decidi não tomar a iniciativa, achando, uma hora ele fala.
Demorou mas aconteceu. “Não tenho ninguém neste mundo, quando eu morrer vou ser enterrado na mesma hora, sem velório, pra quê, não tenho ninguém a chorar ou sentir a minha falta”.
Demonstrei o que de fato eu desejava, proporcionar toda a atenção para o que ele falava, até chegar a um ponto para indagá-lo. “Mas o senhor não tem ninguém mesmo? Nunca teve?
Agora sem divagar, foi conciso e ríspido com ele próprio, “Nasci órfão, morei e fugi do abrigo. Tinha uma mulher que logo morreu. Tivemos uma filha, morreu bebê, teve câncer. Tento esquecer da minha própria vida que não vale nada”. “O senhor está conhecendo um homem que é só tristeza. Sem razão para viver”.
Eu não estou “arrumando o texto”, ele falava bem, tinha vocabulário.
Mais do que tristeza, tinha a melancolia profunda, daquela que se volta inteiramente para dentro de si, na profundeza do nada.
Não me caberia lhe dizer absolutamente nada. Em continuei a ouvi-lo, com toda a atenção e respeito.
“O que posso fazer pelo senhor? Se estiver ao meu alcance eu farei”. Nem bem conclui a minha frase ele retrucou educadamente. “Nem um prato de comida!. Tenho o azar de não conseguir morrer de fome ainda”.
Fases de Fazer Frases (I)
Vida alheia não se deve elear.
Fases de Fazer Frases (II)
Colhem-se oportunidades sem plantá-las?
Fases de Fazer Frases (III)
Na maioria das vezes a maioria não tem vez?
Fases de Fazer Frases (IV)
O dano maior é o irreversível.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
É notável o número de ciclistas que não utilizam a ciclovia localizada no canteiro central da avenida presidente John Kennedy, no Lar Paraná. Recentemente, dia 21, um ciclista perdeu o equilíbrio e caiu praticamente embaixo das rodas de um caminhão. Ele se encontra em estado grave.
O que faz com que tantos “bicicleteiros” utilizem essa via movimentada com caminhões pesados, ônibus e outros veículos? A falta de conhecimento não é a causa. Eles podem até fingir não entender, mas se colocam em risco de modo tão imprudente a parecer que acreditam ter duas vidas.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
A disputa é eleitoral, é política e é também por e pelas pesquisas. Claro, os partidos e candidatos dão ênfase ao que for mais favorável para eles próprios. Existem institutos que nunca se ouviu falar deles antes, e que, depois das eleições, talvez desapareçam.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Sem pretender induzir e/ou seduzir o caro (e) leitor, apenas apelidar de SBT tanto o candidato Requião Filho (PDT) quanto o Sandro Alex (PSD) ao governo do Paraná. Pois, segundo as pesquisas, Sérgio Moro (PL) lidera a preferência do povo paranaense. SBT porque querem ir para o segundo turno, como a referida rede de televisão, que sempre comemora quando está em segundo lugar na audiência.
Farpas e Ferpas (I)
Ainda que o tempo é o senhor da razão, alcance a razão enquanto há tempo.
Farpas e Ferpas (II)
Inexiste rumo sem prumo.
Farpas e Ferpas (III)
Quem vive só da raspa, se lasca.
Sinal Amarelo (I)
A precipitação destrona o tempo para pensar e agir.
Sinal Amarelo (II)
Indispor-se com uma única pessoa pode atingir outras, sem que se queira.
Sinal Amarelo (III)
Rebeldia só se perde com o tempo da maturidade e aprendizado.
Trecho e Trecho
“Em livros de história/ Seremos a memória dos dias que virão/ Se é que eles virão”. [Engenheiros do Hawaii – O exército de um homem Só].
“O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino”. [Carl Jung].
Reminiscências em Preto e Branco
Templo flui, influi, frui, infla.
José Eugênio Maciel | [email protected]
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