Setembro: o mês significativo
Setembro vem do latim “Septem”, que significa sete. O nome tem origem na posição que ocupava no antigo calendário romano. O sétimo mês do ano que começava em março.
O calendário foi alterado por Numa Pompílio e mais tarde por Júlio César. Setembro mudou de posição mas não de nome. Este mês tem trinta dias e é o nono do calendário gregoriano.
No Brasil já é uma tradição que setembro seja celebrado pela Igreja católica, desde 1971, como “Mês da Bíblia”. Mas desde 1947, se comemora o Dia da Bíblia no último domingo de setembro. A iniciativa nasceu do espírito do Concílio Vaticano II, que incentivou a aproximação dos fiéis com a Sagrada Escritura. Este foi escolhido como Mês da Bíblia porque no dia 30 deste mês a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo (que viveu de 340 até o ano 420 d.C). Ele foi um grande biblista e foi quem traduziu a Bíblia dos originais (grego, hebraico e aramaico) para o latim, que naquela época era a língua falada e usada também na liturgia da Igreja.
Cremos, os de fé cristã, que a Bíblia é um livro divino e humano: inspirada por Deus, mas escrita por homens, por Deus movidos e assistidos enquanto escreviam; redigidos por autores diferentes, em épocas, línguas, estilos e locais diversos, num espaço de tempo de cerca de mil e quinhentos anos.
Também, em 2013, Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, deu notoriedade e colocou no calendário nacional a campanha internacional – Setembro Amarelo -. E, desde 2014, a entidade em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM divulgam e conquistam parceiros no Brasil inteiro com essa linda campanha.
O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a iniciativa acontece durante todo o ano. O Setembro Amarelo surgiu com a ideia de quebrar tabus, reduzir estigmas, estimular que as pessoas busquem e ofereçam ajuda.
O objetivo da campanha é desmistificar o tema do suicídio, promover o diálogo e oferecer apoio a pessoas em sofrimento emocional. Segundo a última pesquisa realizada pela OMS, o suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil, e estima-se que 38 pessoas cometem suicídio diariamente no país.
Em 2026 a campanha do Setembro Amarelo está com o tema “Escutar é estar presente”. O foco é lembrar que oferecer uma escuta acolhedora pode representar o primeiro passo para que alguém em sofrimento emocional encontre apoio e não enfrente esse momento sozinho.
Patriotismo, por sua vez e celebrações de setembro, é o sentimento de amor e respeito à pátria, vultos históricos, riquezas naturais e patrimônio material e imaterial e aos seus símbolos. A Constituição Federal prevê em seu artigo 13, § 1º e regulamentados pela Lei nº 5.700 de 1971, que são símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacional.
Para o grande jurista brasileiro Miguel Reale, o Patriotismo “significa devoção ou dedicação, orientação das forças do espírito no sentido do bem-estar nacional”. Ou seja, é uma postura pessoal de identificação e valorização da nação e de seus símbolos. Em síntese, patriotismo é uma virtude civil do indivíduo que ama seu território, o passado histórico que constituiu sua nação, a identidade cultural de onde vive e todo seu patrimônio construído.
A palavra pátria vem do latim, e sua etimologia está associada à palavra “pater” que significa pai ou paternidade. Assim, o termo pátria e a ideia de Patriotismo estão associados ao pertencimento à essa terra ancestral e seus descendentes.
O Patriotismo está acima do amor por um governo ou partido específico, e engloba o amor por todo o conjunto de valores, tradições e gestos que um determinado povo comporta.
Destaque-se dentre as principais datas comemorativas de setembro os dias 6 de setembro – Dia da oficialização da letra do hino nacional, 7 de setembro – Dia da Independência do Brasil (feriado nacional) e o 18 de setembro – Dia dos símbolos nacionais.
Os símbolos nacionais representam a nação brasileira e os fundamentos constitucionais: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. Eles não são meras representações visuais ou sonoras, são pilares que carregam o peso da história, da cultura e do espírito de um povo.
Os símbolos nacionais têm o poder de unir cidadãos em torno de um propósito comum, independentemente de suas diferenças políticas, ideológicas ou culturais. No caso do Brasil, a bandeira verde, amarela, azul e branca, com a inscrição “Ordem e Progresso”, é uma representação visual da luta pela independência, pela soberania e pela democracia.
Reivindicar a bandeira é reafirmar que ela é um símbolo maior do que qualquer movimento ou ideologia. É reafirmar que ser patriota não é monopolizar símbolos, mas respeitar as diferenças, lutar pela justiça social e trabalhar por um país mais inclusivo e democrático.
Para que os símbolos nacionais possam ser verdadeiramente compreendidos em sua plenitude, é essencial que o sistema educacional reforce o significado histórico e cultural de cada um deles. Desde o ensino fundamental, os estudantes devem aprender que a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais são representações de nossa soberania, liberdade e diversidade. Eles devem ser respeitados, não temidos ou apropriados por discursos de ódio.
Em homenagem ao Setembro signiicativo e patriótico, concluo com os versos – A Pátria – poema de Olavo Bilac (1865 – 1918) ao proclamar:
“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o sue esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!”.
GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, membro da Academia Mourãoense de Letras, da Academia de Cultura de Curitiba, do Centro de Letras do Paraná e da Academia de Artes, Ciências e Letras do Brasil

