De Campo Mourão à Georgia Tech, Victor Menezes conquista prêmio internacional por pesquisa sobre câncer
Uma trajetória que começou em Campo Mourão e chegou a um dos principais centros de pesquisa dos Estados Unidos acaba de ganhar mais um reconhecimento internacional. O pesquisador Victor Menezes, que está no último semestre do PhD em Bioengenharia pela Georgia Tech, conquistou o primeiro lugar no 7º Congresso Anual de Biópsia Líquida, realizado em Orlando, nos Estados Unidos. O trabalho foi escolhido entre quase 100 pesquisas apresentadas por pesquisadores de diferentes países.
A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Victor e busca desenvolver uma forma menos invasiva de identificar e acompanhar o câncer cerebral. Atualmente, em muitos casos, é necessário retirar uma amostra do tecido cerebral para confirmar o diagnóstico e acompanhar a doença. O procedimento envolve riscos e não pode ser repetido com facilidade.
O estudo investiga o uso de ultrassom para facilitar a identificação, no sangue, de substâncias produzidas pelos tumores cerebrais. A proposta é que, no futuro, exames de sangue possam ajudar médicos a diagnosticar e acompanhar essas doenças com menos necessidade de procedimentos invasivos.
Reconhecimento
O trabalho, desenvolvido há seis anos no Laboratório de Biofísica e Bioengenharia de Ultrassom da Georgia Tech, já havia recebido outros reconhecimentos. Foi publicado na revista científica Advanced Science, deu origem a uma patente e foi escolhido como artigo do ano de 2025 pelo programa de Bioengenharia da própria Georgia Tech. Victor também foi convidado para apresentar a pesquisa em congressos internacionais nos Estados Unidos, Noruega e Espanha.
Mesmo com a repercussão, o primeiro lugar no congresso foi uma surpresa para o pesquisador. “Ganhar este prêmio foi uma surpresa considerando que é um congresso internacional com excelentes trabalhos do mundo inteiro na minha área de pesquisa. Fiquei muito honrado com o reconhecimento, que reforça a importância da nossa contribuição para a sociedade e nos motiva a seguir adiante”, afirmou.
Victor trabalha sob orientação do professor Costas Arvanitis e em parceria com o pesquisador Henry Lee. O grupo também reúne cientistas e médicos da University of Maryland e da Johns Hopkins University, além de manter colaboração com hospitais norte-americanos.
Para ele, a principal motivação para continuar a pesquisa está nos próprios pacientes. “Quando estou esgotado no laboratório trabalhando na minha pesquisa, pensando em desistir, eu penso nas pessoas com câncer que estão sofrendo nos hospitais dizendo ‘eu só queria uma cura para a minha doença’”, contou.
As raízes em Campo Mourão
Apesar da carreira construída nos Estados Unidos, Victor não esquece as experiências que teve em Campo Mourão. Foi na cidade que passou a infância, praticou tênis, realizou diferentes cursos e fez os dois primeiros anos do curso técnico da UTFPR.
A ligação com a área de bioengenharia surgiu durante a graduação, quando fez estágio na Cristófoli Biossegurança. Segundo ele, foi sua primeira experiência no setor e um momento importante para definir os rumos profissionais. O fundador da empresa, Ater Cristófoli, também o incentivou a buscar oportunidades relacionadas ao desenvolvimento de produtos médicos.
Outro episódio marcante ocorreu durante uma ocorrência médica na Santa Casa de Campo Mourão. A experiência fez Victor decidir mudar o rumo da carreira e concentrar seus estudos no desenvolvimento de soluções para a área da saúde.
A ida para os Estados Unidos aconteceu ainda no ensino médio, durante um intercâmbio. O bom desempenho nos estudos e no tênis fez com que recebesse um convite para continuar seus estudos no país. Mais tarde, foi aprovado em algumas das principais universidades norte-americanas e escolheu a Georgia Tech, onde cursou Engenharia Mecânica antes de seguir para o mestrado e o PhD em Bioengenharia.
Hoje, ao olhar para essa trajetória, Victor considera que as oportunidades encontradas em Campo Mourão foram fundamentais.
“Campo Mourão me possibilitou criar independência, explorar vários interesses meus e me conectar com pessoas que me apresentaram possibilidades que eram desconhecidas antes”, afirmou.
Ele também lembra dos ensinamentos recebidos dentro de casa e de como, ainda criança, ouvia o pai falar sobre o MIT e a revista científica Nature. Hoje, estuda em uma instituição do mesmo nível e faz parte de um laboratório que publica pesquisas na revista.
“Apesar de eu nunca ter planejado o que estou vivendo hoje, vejo que não foi acidente, mas sim resultado da visão das pessoas e do ambiente que fizeram parte da minha criação. Sou muito grato a Campo Mourão e digo que a cidade foi a minha mola propulsora”, declarou.


