Especialista do Integrado alerta para riscos da ‘síndrome do pescoço de texto’

O uso prolongado do celular, aliado à falta de movimentação ao longo do dia, tem contribuído para o aumento de dores e tensões na região do pescoço, dos ombros e da parte superior das costas. O problema é conhecido como “síndrome do pescoço de texto” e tem atingido principalmente os jovens.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, mostram que quase todos os brasileiros conectados à internet utilizam o celular para acessar a rede. O tempo diante das telas pode chegar a nove horas por dia. A consequência desse hábito aparece no corpo. Segundo dados do Ministério da Saúde, dores relacionadas à coluna cervical atingem pelo menos 27 milhões de pessoas no Brasil.

A coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão, Jéssica Bianca de Souza, explica que o problema não está apenas na posição adotada durante o uso dos aparelhos. “O estopim para a fadiga e o desconforto está na combinação entre o tempo prolongado diante das telas, a pouca variação de postura e a redução dos movimentos corporais ao longo da rotina”, afirma a fisioterapeuta, que também é mestre em Sociedade e Desenvolvimento.

Quando o corpo está ereto e a cabeça alinhada aos ombros, o peso exercido sobre a coluna cervical fica entre cinco e seis quilos. Ao inclinar o pescoço entre 45 e 60 graus para visualizar o celular, no entanto, a pressão pode chegar a 27 quilos. Mantida por várias horas, essa sobrecarga provoca estresse nos músculos, ligamentos e discos intervertebrais. Com o tempo, pode causar processos inflamatórios, estiramentos musculares, deformidades ósseas e agravamento de hérnias de disco.

Entre crianças e adolescentes, o excesso de telas também está relacionado ao sedentarismo e à substituição de brincadeiras e atividades físicas pelo uso de celulares, tablets e computadores.

“A troca das atividades físicas pelo tempo de tela prejudica a saúde cardiometabólica, a aptidão física e a qualidade do sono justamente em uma fase de desenvolvimento. É fundamental incentivar brincadeiras, esportes e exercícios ao ar livre, além de estabelecer limites para o uso recreativo dos aparelhos”, orienta Jéssica.

A fisioterapeuta ressalta que prevenir as dores não significa permanecer durante todo o dia em uma posição rígida, considerada perfeita. O mais importante é evitar longos períodos de imobilidade. “Não existe uma postura perfeita que precise ser mantida o tempo todo. Nosso corpo foi feito para se movimentar. Mais importante do que passar horas em uma posição considerada ideal é não permanecer muito tempo sem mudar de postura”, explica.

Para reduzir os impactos do uso das telas, a orientação é manter o celular próximo à altura dos olhos, diminuindo a inclinação da cabeça. Sempre que possível, o aparelho deve ser segurado com as duas mãos.

No computador, a tela deve ser ajustada para que o pescoço permaneça em posição neutra. A cadeira precisa oferecer apoio para a região lombar, enquanto os pés devem permanecer apoiados no chão ou em um suporte.

O uso de suportes para notebooks também ajuda a manter os braços relaxados e a coluna sustentada. Durante o trabalho, pequenas pausas para levantar, caminhar e movimentar pescoço, ombros e coluna ajudam a interromper o ciclo de fadiga muscular.

A prática regular de exercícios de fortalecimento e mobilidade também é recomendada. Segundo Jéssica, fazer alguns minutos de alongamento não compensa uma rotina marcada por várias horas de imobilidade.

Dores frequentes, rigidez nas articulações, dores de cabeça provocadas por tensão, formigamento ou perda de força exigem avaliação médica ou fisioterapêutica.

Fisioterapia

A fisioterapia pode contribuir tanto para prevenir quanto para tratar problemas provocados pela má postura e pelo excesso de tempo diante das telas. O acompanhamento ajuda a melhorar a flexibilidade e a amplitude dos movimentos, além de fortalecer a musculatura e corrigir alterações no alinhamento corporal.

“O objetivo é preservar, desenvolver ou restaurar a capacidade funcional e a autonomia da pessoa em todas as etapas da vida. Mais do que aliviar a dor, o tratamento trabalha a biomecânica da coluna e a mudança dos hábitos diários”, acrescenta a fisioterapeuta.

Em Campo Mourão, a Clínica-Escola de Fisioterapia do Centro Universitário Integrado oferece atendimento especializado a moradores do município e da região da Comcam, com valores simbólicos.

A unidade funciona no Eco Campus, localizado na Rua Lauro de Oliveira Souza, 440, na Área Urbanizada II. O espaço oferece tratamentos nas áreas de Ortopedia, Traumatologia, Reabilitação Neurofuncional e Correção Postural, além de contar com piscina para hidroterapia e terapia por ondas de choque para controle da dor.

Os atendimentos são individualizados, realizados por acadêmicos sob a supervisão dos professores da instituição. Somente em 2025, a clínica-escola realizou 11.974 atendimentos. Os agendamentos podem ser feitos pelo WhatsApp (44) 3016-8690