Auditoria, lacres e escolta reforçam segurança de urnas eletrônicas em Campo Mourão
As 232 urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições em Campo Mourão vêm passando por uma sequência de procedimentos antes de chegarem aos locais de votação. O trabalho inclui conferência dos sistemas, geração das mídias, testes, lacração dos equipamentos e transporte com acompanhamento das forças policiais.
Campo Mourão tem 70.464 eleitores aptos a votar. O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno para presidente da República e governador ocorrerá no dia 25 do mesmo mês. Cada eleitor fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual, senador na primeira vaga, senador na segunda vaga, governador e presidente da República.
A preparação das urnas começou nesta quinta-feira (24), no Fórum Eleitoral da cidade, com a cerimônia de geração de mídias. Nesta etapa, a Justiça Eleitoral verifica se os programas utilizados correspondem aos sistemas homologados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo informou à TRIBUNA o juiz da 31ª Zona Eleitoral, Vitor Toffoli, as mídias digitais produzidas durante a cerimônia serão instaladas nas urnas durante a carga e lacração, marcada para esta sexta-feira (25). “Hoje fazemos a verificação dos sistemas eleitorais para saber se correspondem aos que foram homologados. Na sequência, geramos todas as mídias que serão utilizadas nas urnas no dia da eleição”, explicou.
Dos 232 equipamentos, 216 serão destinados às seções eleitorais e 16 permanecerão como urnas de contingência. Elas poderão ser utilizadas caso alguma substituição seja necessária no dia da votação. As mídias reúnem os arquivos necessários ao funcionamento de cada urna, incluindo dados dos eleitores, candidatos, locais de votação e seções eleitorais.
A chefe do Cartório Eleitoral de Campo Mourão, Sueli Bisi, explicou que o procedimento começa pela auditoria dos sistemas e pela verificação das assinaturas digitais. “A gente primeiro faz a auditoria dos sistemas, verificando as assinaturas digitais e os programas instalados para a geração das mídias. Depois, essas mídias serão utilizadas para dar carga nas urnas”, informou à TRIBUNA. Durante a carga, cada equipamento recebe os dados correspondentes à seção eleitoral em que será utilizado.
Depois de carregadas e testadas, as urnas recebem os lacres de segurança. Conforme Toffoli, eles são assinados pelo juiz eleitoral, pela promotora eleitoral e por um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). As assinaturas permitem conferir, no dia da eleição, se os lacres permanecem intactos e se houve alguma tentativa de violação do equipamento. Até serem encaminhadas aos locais de votação, as urnas ficarão guardadas em uma área reservada do Fórum Eleitoral. O transporte será feito pelos Correios no sábado anterior à eleição, com acompanhamento das forças policiais. As cerimônias de geração de mídias, carga e lacração podem ser fiscalizadas por representantes do Ministério Público, OAB, partidos políticos e entidades da sociedade civil.
A promotora de Justiça da Comarca de Campo Mourão, Rosana Araújo de Sá Ribeiro, afirmou que o Ministério Público acompanha os procedimentos realizados pela Justiça Eleitoral e também estará presente durante a votação. “O Ministério Público é fiscal e garantidor do regime democrático e da ordem jurídica. Tem a atribuição constitucional de fazer com que as eleições transcorram dentro do princípio da legalidade”, afirmou.
Rosana disse que, no dia da eleição, promotores eleitorais e servidores do Ministério Público atuarão na fiscalização do pleito. Ela ressaltou que o acompanhamento não se limita às cerimônias desta semana, mas abrange outras etapas do processo eleitoral.

Auditoria
Entre os mecanismos de fiscalização está a escolha, por sorteio, de urnas que passam por auditoria. Os equipamentos selecionados são encaminhados a Curitiba, onde é realizada uma votação simulada e filmada. Os votos inseridos durante o teste são comparados com o resultado apresentado pelo equipamento. O procedimento permite verificar se a urna registrou corretamente cada voto simulado. “É feita uma votação filmada, como se fosse uma votação verdadeira. Ao final, é verificado se os votos computados pela urna correspondem aos que foram efetivamente inseridos”, explicou Toffoli.
Também há controles realizados na própria seção eleitoral. Antes do início da votação, a urna emite a zerésima, documento que comprova não haver votos registrados no equipamento. Ao final da votação, é impresso o boletim de urna, que informa a quantidade de votos recebidos por cada candidato. O documento é gerado antes da transmissão dos dados. “Antes de qualquer transmissão, já se mostra, de forma offline, quais foram os votos computados naquela urna”, acrescentou o juiz.
Campo Mourão terá 1.133 pessoas trabalhando diretamente na eleição, entre 864 mesários e 271 auxiliares de apoio logístico. Os convocados passaram por treinamentos presenciais ou pela internet, conforme a função exercida. Sueli destacou que a preparação busca garantir o atendimento aos eleitores e o andamento da votação ao longo do dia. “O Tribunal Regional Eleitoral está preocupado com o fluxo nos locais de votação e para que todos os eleitores consigam fazer sua escolha na urna com tranquilidade”, afirmou.
A carga, conferência e lacração das urnas começam às 9 horas desta sexta-feira (25), no Fórum Eleitoral. A cerimônia é aberta à população e não é necessário apresentar documento para acompanhar o trabalho. Os eleitores também poderão testar uma urna, simular a votação e conferir como aparecerão na tela os números, nomes e fotografias dos candidatos.

