Santa Casa reinaugura maternidade e amplia de 22 para 30 o número de leitos

A Santa Casa de Campo Mourão reinaugurou nessa terça-feira (29) a maternidade, reformada após os danos provocados pelas chuvas de novembro de 2025. Com oito novos leitos, o setor passou de 22 para 30 vagas de internação, com possibilidade de chegar a 38. A troca da cobertura e as demais intervenções receberam quase R$ 3 milhões em investimentos. Durante a entrega, também foram anunciados cerca de R$ 10 milhões em melhorias estruturais previstas para o hospital.

A reforma incluiu melhorias no centro cirúrgico e reuniu os espaços da maternidade em uma única ala. A Santa Casa atende os 25 municípios da região de Campo Mourão, que somam uma população estimada de mais de 340 mil habitantes. A solenidade reuniu autoridades, entre elas o prefeito Douglas Fabrício, médicos, funcionários e representantes da comunidade.

Segundo o diretor da Santa Casa, Hugo Mota, a transferência das pacientes que permanecem em uma ala provisória está prevista para esta quarta-feira (30). O espaço temporário foi organizado após o temporal que comprometeu a estrutura da maternidade no ano passado. Os quartos reformados estão climatizados e terão cortinas blackout. A maternidade também conta com três salas de pré-parto, permitindo concentrar o atendimento no próprio setor. “A mãe que vem ter um parto normal entra aqui dentro desse bloco, desse setor, e sai com o neném no colo. Ela não precisa ir para nenhum outro setor”, explicou Mota.

Espaço foi totalmente revitalizado. Com oito novos leitos, o setor passou de 22 para 30 vagas de internação, com possibilidade de chegar a 38

A secretária municipal de Saúde de Campo Mourão, Camila Kravicz Corchak, destacou a importância do hospital para o atendimento à região. Segundo ela, somente entre pacientes de Campo Mourão, o hospital registra mais de mil nascimentos por ano. “É um momento importantíssimo não só para Campo Mourão, mas para toda a região. Aqui nascem milhares de bebês”, afirmou.

Camila explicou que a maternidade foi priorizada pelas condições estruturais em que se encontrava, mas que o planejamento prevê obras em outras áreas. O trabalho envolve a prefeitura, o governo do Estado e a administração da Santa Casa, sob intervenção administrativa, com Carlos Motta à frente da gestão. “Começou pela maternidade devido às circunstâncias estruturais em que ela se encontrava”, disse. A proposta, acrescentou, é que o hospital seja entregue com melhorias ao término da intervenção.

A secretária reconheceu que a rede pública ainda enfrenta dificuldades para atender à demanda por consultas e exames. “A gente investe muito dinheiro, mas ainda não é suficiente”, afirmou. Segundo ela, a Secretaria de Saúde trabalha para reduzir o tempo de espera. “A gente tem trabalhado bastante para reduzir esses tempos de espera, para que a gente consiga atender a população aí na sua integralidade”, complementou.

A reforma contou com apoio de prefeituras, empresas, comunidade e do Departamento de Polícia Penal (Depen). Entre os parceiros estão estabelecimentos que forneceram materiais de construção. Mota informou que os 25 municípios da região contribuíram para a recuperação do setor. “A gente teve a ajuda de todos os 25 municípios da região”, disse.

O diretor ressaltou que a administração pretende levar as intervenções a outras áreas da Santa Casa, que conta com mais de 600 funcionários. Para isso, defendeu a continuidade da participação da comunidade, além dos recursos públicos. “O que a gente conseguiu fazer aqui, com a ajuda de vocês, a gente quer fazer na Santa Casa toda”, afirmou. “A ajuda que a gente recebe de vocês, a gente dá para o paciente. Esse é o nosso objetivo.”

Durante a inauguração, o prefeito Douglas Fabrício destacou a manutenção da intervenção administrativa e a ampliação do prazo para dar continuidade aos trabalhos no hospital. “Nós mantivemos a intervenção, prorrogamos o prazo, colocamos um prazo aí até o final do nosso mandato para justamente poder fazer todas as melhorias que nós conseguimos fazer aqui na Santa Casa nesse período”, afirmou.

Para o gestor, a participação de empresários e moradores foi necessária para viabilizar a reforma e continuará sendo importante para os próximos investimentos. “Quando a comunidade tem confiança em quem está fazendo o trabalho, é isso que acontece, as pessoas ajudam”, disse. “Por mais que a gente consiga investir recursos públicos, ainda assim vai precisar de mais para poder atender”, declarou.

Durante a inauguração, o prefeito de Campo Mourão, Douglas Fabrício, destacou que as melhorias beneficiarão toda a população regional

Sob intervenção

A Santa Casa enfrentou problemas de funcionamento antes dos danos provocados pela chuva. Em 30 de janeiro de 2024, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) notificou o hospital com um indicativo de interdição ética. A medida apontava irregularidades na assistência e dificuldades para manter escalas médicas, concedendo prazo de 15 dias para adequações. O indicativo não determinava o fechamento total do hospital.

Em 9 de fevereiro daquele ano, a prefeitura decretou intervenção administrativa para preservar os atendimentos. Após medidas de reorganização, a UTI Neonatal foi reaberta em 25 de fevereiro de 2024, conforme as demonstrações contábeis da instituição. Em junho, o CRM comunicou a retirada do indicativo de interdição ética diante das melhorias verificadas, mantendo o acompanhamento do hospital.

Em novembro de 2025, as chuvas provocaram infiltrações e alagamentos na Santa Casa, especialmente na maternidade. Conforme as informações apresentadas pela direção, a água chegou a cerca de 20 centímetros em alguns quartos. A área atingida precisou ser interditada, e o atendimento foi transferido para um setor provisório.

Em fevereiro de 2026, a prefeitura encaminhou à Câmara um projeto para abertura de crédito de R$ 2,8 milhões destinado à recuperação da estrutura do telhado danificada pelo temporal. Em junho, a intervenção administrativa foi prorrogada até 31 de dezembro de 2028, com possibilidade de encerramento antecipado caso o hospital recupere sua autonomia administrativa e financeira.