Wilson se foi. O legado permanece
Wilson Antônio Pepino era um dos sujeitos mais respeitados em Iretama. Agricultor de profissão, foi também vereador por quatro pleitos. Mesmo eleito ao quinto, teve o mandato encerrado. Agora, pelo destino. No entanto, a responsabilidade maior era ainda com a turminha de casa. Casado e pai de quatro filhos, se desdobrava por todos eles. Um pai e marido presente. Mas anteontem, a caminhada chegou ao fim. Aos 61 anos, foi vencido pela Covid 19. A doença o levou. Mas o seu legado continua.
Pepino era daqueles sujeitos boa praça. De bem com todos. Como cidadão, empunhava com firmeza seus ideais. Como vereador, era um destemido lutador por políticas públicas. Principalmente, se elas favorecessem os mais oprimidos. Same Saab, prefeito e amigo, lembra de uma dedicação extrema aos mais necessitados. Na época do Assentamento Muquilão, Pepino ficava até horas da madrugada juntando papelada dos recém assentados. Eram certidões de casamento. Registro de filhos. Tudo para que estivessem corretamente cadastrados junto ao Incra e ao Banco da Terra. Ele sabia que, com os documentos em dia, teriam créditos do governo.
Homem generoso, mostrava seu lado humano a todo instante. Contava piadas. Cantava modas sertanejas, como Boate Azul ou Folhas Secas. No entanto, também era firme. Ainda mais, em se tratando do bem da sua comunidade. E não foi à toa que se tornou vereador. Batia no tema saneamento. Para ele, a Sanepar tinha dívidas com Iretama. Sempre preocupado com a população, deixou seus afazeres para apanhar, em Curitiba, a primeira ambulância do município.
Era julho de 1988. Num dos invernos mais rigorosos do estado, Pepino apanhou um busão rumo a capital. De noite, geada brava. Lá, encontrou-se com Same Saab. O prefeito não sabia dirigir. Então, juntos, retornaram com a ambulância. Um importante investimento cedido pelo governo do estado, ao município. Pepino foi na boleia e estava extremamente feliz. Era como se uma criança tivesse recebido o primeiro presente. Um ao lado do outro, viajaram até Iretama batendo as canelas de frio. A ambulância não contava com aquecimento interno.
Same conta que o amigo morreu feliz. Afastado do último pleito como vereador, foi eleito mais uma vez em 2020. E, ainda, retornou em grande estilo: Presidente da Câmara. “Ele não tinha a vaidade pelo poder. Seu objetivo era apenas colaborar com a comunidade. Morreu muito feliz”, diz o prefeito. Além de todas as suas virtudes, Same lembra de um companheiro religioso, dotado de muita fé. Também era torcedor fanático do Palmeiras. Já internado pela doença, não viu o vexame do time no último mundial.
Um dos filhos, Rafael, conta que Pepino era bastante presente na vida da família. Mesmo ocupado, com a agricultura ou a vereança, estava ao lado dos seus. Era o linha de frente das batalhas em família. “Fazia de tudo pra ver a felicidade dos filhos e de toda família. Trabalhou a vida toda pra ver os filhos formados”, contou.
Na jornada dos dias, tinha como meta mostrar os caminhos do bem. Principalmente, indicando a importância em ajudar ao próximo. Da necessidade em ser honesto. “Talvez por esses adjetivos ele tenha sido eleito tantas vezes”, comentou Rafael. Mas nas lições do dia a dia, Pepino esqueceu-se de uma coisa: ensinar a família a conviver sem a sua presença. Serão dias difíceis. Mas o legado continua.
Nessa quinta-feira (18), a comoção tomou conta da cidade. O corpo do agricultor foi sepultado pela manhã. Eram quase 10 horas da manhã. Um dia de calor e céu extremamente azul. Mas um dia cinzento. Dor e angústia. Um cortejo jamais antes visto marcou a última homenagem. “Nunca vi tanta comoção na cidade”, falou o procurador geral do município, Marcio Mattos.
Pepino estava internado na UTI-Covid da Santa Casa de Campo Mourão desde a semana passada. Ele foi intubado no último dia 10, não resistindo a doença. Foi a sexta morte pelo vírus em Iretama. A cidade está de luto.

