Fundação Educere: o berço do empreendedorismo de Campo Mourão

No corredor de entrada da Fundação Educere, um cartaz já traduz a coisa: “Você pode chegar lá. Comece por aqui”. A frase motivacional não é ao acaso. Ali, desde 1997, 14 empresas deixaram o ninho da organização para alçarem voos sozinhas. Elas nasceram a partir de sementes. Ideias criadas enquanto estavam incubadas. Mas a concretização ao mercado real, só foi possível mesmo, a partir do apoio da própria Fundação.

Criada pelo empresário Ater Cristófoli, a Educere surgiu para suprir a falta de mão de obra especializada a empresas de base tecnológica. Na época, ele sentia dificuldades em contratar gente para sua própria empresa, a Cristófoli Biossegurança. Assim, adolescentes e jovens entre 13 e 18 anos, a maioria vinda de escolas públicas, chegaram à Fundação atraídos, principalmente, pelos cursos de informática e disponibilidade da internet. Ali, passaram a aprender lições sobre mecânica, eletrônica e design de produto. O resultado foi estrondoso.    

Com o tempo, a Educere não só passou a especializar jovens, como também, percebendo o potencial dos alunos, possibilitou que as ideias inovadoras saíssem do papel. E isso aconteceu. Nos últimos 23 anos, empresas incubadas pela Fundação Educere ganharam destaque no mercado nacional. Exemplo disso é a Saubern Médica, líder no mercado nacional em equipamentos para hemodiálise. E a Lizze Equipamentos, atualmente, referência no país no segmento profissional de salões de beleza. 

Enquanto as 14 empresas tomaram forma, traduzindo ideias em realidade, 13 empreendimentos incubados seguem o mesmo caminho. Elas são as próximas a se consolidarem como unidades viáveis da economia brasileira. Mas para que isso aconteça, os passos são metricamente calculados e, estudados. 

Lidia Mizote, diretora da Educere, resume a coisa toda como um ecossistema. Um ciclo. Primeiro, a ideia de um produto é apresentada. Uma banca formada por empresários de empresas graduadas e parceiras, dão o veredito. Ali, são analisadas a viabilidade técnica e de mercado do projeto. Uma vez aceitas, as “sementes” são pré incubadas. E passam a ocupar uma sala da organização, desfrutando da estrutura e serviços à disposição do empreendedor. 

Mais adiante, validados a ideia, o mercado e o MVP (produto mínimo viável), o empreendimento passa a ser efetivamente incubado. Neste momento passa a ter um CNPJ e endereço. Começam então os preparativos para alçarem voos. E, quando menos se espera, já estão comercializando seus produtos, oferecendo empregos e contribuindo com os implacáveis impostos brasileiros. E eles não são poucos. Dados da Educere, referentes a oito de suas empresas ex incubadas, revelam que, juntas, arrecadaram em 2020, mais de R$ 20 milhões aos cofres municipais, estaduais e federais. Além disso, empregaram 300 pessoas diretamente. Chegando a um faturamento de R$ 125 milhões.    

O ecossistema colaborativo a que se refere Lidia Mizote, se traduz numa espécie de gratidão pelo empreendedorismo consolidado. Ou seja, os mesmos empreendedores, que um dia foram empreendedores incubados da Educere, passam a colaborar com a fundação. Seja ajudando financeiramente, compartilhando experiências com os jovens empreendedores, ou ensinado aos novos alunos. Parcerias para que os elos da corrente não se quebrem. E, pelo que se vê, isso não irá acontecer. Em breve, a Educere estará de casa nova. Com investimentos da ordem de R$11 milhões, um novo prédio deverá abrigar toda a estrutura até o final deste ano. A edificação está sendo construída entre o centro e o bairro Cidade Nova, numa área útil de aproximadamente 6 mil metros quadrados.   

Bruno Rodrigues tem apenas 17 anos. Ainda menino, já terminou o segundo grau. Mas, ao invés de fazer vestibular, preferiu adentrar a Educere. “Um amigo me contou que aqui eu teria inúmeras possibilidades. E, agora estou vendo que terei mesmo”, disse. Hoje, ele já está ajudando em projetos da empresa incubada OutBox. Empresa que desenvolve projetos para outras empresas. O idealizador é Flávio Cristófoli. Aos 38 anos, esta é a segunda empresa incubada na Fundação. “Também fui aluno. E um dos primeiros alunos daqui. Entrei aos 17 anos”, explicou.

Bruno, aos 17 anos, e Flávio, aos 38. Ambos na Educere

Na verdade, dentro de um prédio antigo, situado na saída para Peabiru, a população não tem ideia do que pode vir a surgir nos próximos meses. São produtos inovadores, de profunda pesquisa e que devem se traduzir em geração de renda ao município. E, em tempos de crise, um dos aspectos mais aguardados à retomada da economia.

Educere conta com 13 empreendimentos incubados

Agrocells: Empreendimento que desenvolveu um equipamento para produção de biológicos para a agricultura, prometendo economia em insumos, melhoria da qualidade do solo e mais saúde para as plantas. O equipamento foi testado nessa última safra, com aplicações em uma área de 4 mil hectares de soja e milho. Os resultados serão avaliados após a colheita.

Inhibidor: Empreendimento que está desenvolvendo um equipamento inibidor da dor a ser empregado em procedimentos estéticos, evitando que o paciente sinta dores sem o uso de anestésicos.

Silogênese: Empreendimento que está desenvolvendo um descensor de segurança inteligente para uso no interior de silos e graneleiros, protegendo os operados dos acidentes que ocorrem nesses ambientes.

Groen: Empreendimento que está desenvolvendo um equipamento automatizado para produção de microverdes em ambiente controlado, oferecendo ao mercado benefícios como produtos isentos de agrotóxicos e de altíssima qualidade nutricional, frescor, produção rápida e segura.

Biozone: Empreendimento que customiza a aplicação da tecnologia ozônio para higiene e limpeza, purificação do ar, aumento da durabilidade de frutas e legumes.

IoH Care: Plataforma de monitoramento de sinais vitais de pacientes desospitalizados (home care), promete reduzir custos de internamento e proporcionar ao paciente, maior conforto no processo de recuperação.

Outbox: Empreendimento que desenvolve projetos de equipamentos sob demanda das empresas de base tecnológica e serviços de impressão 3D.

Agrisolus: Empresa que atua no setor de aviários com o monitoramento do crescimento de aves e outros parâmetros envolvidos.

Atla Ensino: Empresa que desenvolveu uma plataforma de gestão escolar que permite o acesso de dados e informações em tempo real, conectando todos os atores da rede de ensino. A plataforma foi testada, validade pelos professores das escolas da rede municipal de educação de Campo Mourão.

Carbon Explore: Empresa que desenvolve soluções em grafeno para diversas aplicações. A Carbon Explore foi um dos projetos de Campo Mourão selecionados pelo Edital Sinapse de Inovação.

Raiovis: Empresa que está desenvolvendo um raio X portátil para uso odontológico. O produto já está na fase de certificação e deve entrar no mercado neste ano.

Da Capo: Empresa que está desenvolvendo dois produtos inovadores e disruptivos na área de saúde. O primeiro, é um acesso para pacientes de hemodiálise eliminando fístulas arterio venosas; o segundo, um esfíncter artificial para pacientes colostomisados, cujo objetivo é proporcionar ao paciente, controle sobre o esvaziamento do intestino.

Equipaxx: Empresa que está desenvolvendo autoclaves hospitalares, equipamentos de grande porte para uso hospitalar.