Prova de concurso da Polícia Civil suspensa em cima da hora revolta candidatos
Depois de sete horas de viagem de Campo Mourão a Curitiba para prestar o concurso da Polícia Civil, o psicólogo Rafael Silvestrin teve uma desagradável surpresa assim que desembarcou na rodoviária da capital. O Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná (NC-UFPR), anunciou o cancelamento das provas as 5h40. A alegação é que havia risco à saúde dos participantes.
“Se tinham que cancelar, que fizessem isso com antecedência. Assim como eu, centenas e pessoas viajaram de outras cidades, alguns de outros estados até. Tivemos o custo da viagem, o desgaste e agora quem vai arcar?”, argumentou Silvestrin, que fez inscrição para investigador.
A suspensão da prova poucas horas antes da avaliação revoltou os candidatos, que já avisaram que vão cobrar na Justiça os prejuízos que tiveram com as despesas de viagem. Mais de 106 mil pessoas estavam inscritas para a prova presencial deste domingo. São 400 vagas para as funções de delegado, investigador e papiloscopista. A prova será realizada em 350 locais em Curitiba e 19 em outras cidades do Estado.
No documento publicado em que justiça a suspensão, a organização do concurso alegou que durante “a última checagem realizada na madrugada” foi constatado que não havia condições de segurança indispensáveis para a realização da prova em todos os locais de Curitiba e Região Metropolitana.
Ainda de acordo com o texto, em meio à pandemia do novo coronavírus tais condições poderiam “colocar em risco a integridade das avaliações e o tratamento isonômico dos candidatos”. A data da prova já havia sido alterada duas vezes pelo mesmo motivo, porém nas outras o aviso foi feito com mais antecedência.
O Governo do Paraná afirmou, por meio de nota, que está cobrando esclarecimentos do Núcleo de Concursos da Universidade Federal do Paraná sobre a decisão. A Polícia Civil afirmou que foi surpreendida pelo anúncio e que encaminhou ofício ao núcleo requisitando as justificativas para a suspensão.
Em entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach, disse que o órgão deve adotar medidas legais para responsabilizar todos os envolvidos na suspensão do concurso público.

