Caso “Matheus Jackowski” será julgado nesta quinta

Acontece na manhã desta quinta-feira (25), no Fórum de Campo Mourão, o julgamento do caso “Matheus Jackowski”. Aos 20 anos, ele foi assassinado com uma facada na região das costelas. O crime ocorreu na noite de 14 de maio de 2019, em um bar, da área central da cidade. Estudante de Agronomia, Matheus voltava de uma atividade da faculdade, na praça Getúlio Vargas. Ao lado de dois amigos, foi convidado a tomar um chopp. Mas deu tudo errado. Após uma confusão, ele foi esfaqueado.  

Naquela noite, os três amigos se sentaram ao redor de uma mesa, na calçada. Com a hora avançada, o pai de Matheus, preocupado, ligou em seu celular. O jovem disse que iria tomar a “saideira” e retornar o mais rápido possível. Mas naquela noite, Matheus não voltou. A lesão o levou antes mesmo de chegar ao hospital. 

Ricardo Cordeiro Casarin é o principal acusado do crime. Ele trabalhava como garçom no bar. Segundo relatos, ele deveria estar de folga. Não era para estar ali. Vendo a “treta”, decidiu por conta própria apanhar uma faca da cozinha e usá-la contra dois, dos três amigos. Um deles foi atingido na barriga e se recuperou. Matheus não teve a mesma sorte. Uma das artérias foi cortada. Caiu e não mais se levantou. Naquela noite, a “saideira” foi realmente a última de sua vida. 

Em seu depoimento à polícia, Ricardo alegou interceder junto aos três amigos, para que deixassem o cara que os incomodava. Afinal, tratava-se de um conhecido seu. No fervor da discussão, teria escutado um deles falar: “tenho um negócio pra você lá no carro”. Este foi o momento em que apanhou a faca sobre uma mesa da cozinha. Quando foi até o veículo, recebeu chutes, sacando a faca e desferindo os golpes, no “intuito de se defender”.   

Desde a morte do filho, Cláudio, 46, e a esposa, Ana Paula, 41, apenas sobrevivem. Um sofrimento sem fim. Uma dor que não passa. Foram dias e noites de lágrimas. De angústias. Pesadelos. Sentem uma falta do que não pode mais ser preenchido. Um vazio do tamanho do mundo. Restou a esperança em uma condenação. E, quem sabe um dia, um perdão. Mas isso cabe apenas ao tempo dizer. 

Matheus

Matheus tinha 20 anos. E muitos planos. Primeiro queria concluir a faculdade de Agronomia. Faltava pouco mais de um ano. Depois iria morar no Mato Grosso. Lugar ideal para profissionais da terra. Desejava sua independência financeira. Queria provar aos pais que andaria com as próprias pernas. Era um sujeito determinado. 

Antes de morrer, já trabalhava numa fazenda da cidade. Junto a isso, ganhava uns trocos fazendo aquários. Tinha paixão por peixes. Desenvolvia o projeto. Construía. Vendia os peixes. Há várias unidades suas espalhadas por Campo Mourão. Com a educação recebida em casa, virou católico. Sempre ia à igreja. Atuava também como uma espécie de coroinha. Um acólito. Segundo os pais, era um cara bacana com todos. Aberto ao diálogo. Não tinha preconceitos. Chegando até certo ponto, a ser inocente. Com a palavra, agora, a justiça dos homens.