Luiziana teve que emprestar oxigênio e camas hospitalares
Pequenas cidades da região, como Luiziana, começaram a sentir os verdadeiros efeitos da pandemia. Se antes, pacientes com evolução da infecção eram transportados até Campo Mourão, hoje não mais. E por um motivo bastante prático: não existem leitos. Agora, os enfermos permanecem no posto de saúde local, à mercê da própria sorte. Agora à tarde, um morador entrou na lista de espera para um hospital. Seu quadro se agravou. Enquanto o comunicado não vem, continua sob os cuidados daquela unidade. Não há o que se fazer.
Entre quinta e sexta-feira, a correria tomou conta das equipes de saúde de Luiziana. Com os casos aumentando – somente ontem foram 38 notificados -, o posto de saúde encheu de gente. Pessoas para receber notificações, buscando informações e outras, necessitando de atendimento. Muitos acamados. Em comum, a tal Covid. Foi preciso emprestar oxigênio e até camas da vizinha Iretama, como confirmou o secretário Edson Liss. “Pedimos emprestados para suprir a demanda dos últimos dias. Mas tudo será devolvido até amanhã”, disse.
Liss, que além de secretário de Saúde, é também enfermeiro de Luiziana, explica que o grande problema do município é a falta de refis de cilindros de oxigênio. “Se tivéssemos mais refis poderíamos fazer um estoque. Mas não possuímos. Temos apenas os que são usados no dia a dia”, disse. De acordo com ele, não chegou a faltar o produto. Mas, como a demanda está elevada em todo o Paraná, a proximidade com a empresa que revende, tornou-se essencial.
Na última quinta, uma paciente de 83 anos continuava na unidade. Como seu caso se agravava, decidiu-se levá-la até Terra Boa – não havia vagas em Campo Mourão. O problema é que Terra Boa, apesar de possui hospital, não tem UTI Covid. Infelizmente, lá, também não puderam fazer muita coisa. A paciente morreu. “É como enxugar gelo. Não temos o que fazer. O vírus está se alastrando rápido demais”, disse Liss. Até hoje, Luiziana contabilizava três óbitos pela Covid.
Para o secretário, o mais importante hoje, é que a população tome todos os cuidados. “A solução é a vacina. Mas, enquanto ela não chega, temos que nos conscientizar e evitar pegar esse vírus. Para ele, ainda falta educação aos brasileiros. É um problema cultural. “Outros países reaprenderam a viver. Enquanto aqui, continuamos com os mesmos hábitos”, disse. E ele não está errado. Ao andar pelas ruas de Luiziana, viu-se muitas pessoas sem máscaras. Para piorar, a reportagem também flagrou uma pequena aglomeração na porta de um bar. Sentados, na calçada, dividiam doses de bebida.

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