Nem as tormentas seguram a Pro Solus

Ter uma boa ideia, às vezes, não é o suficiente para alçar voos. É necessário perseverar. Insistir. Estudar. Ultrapassar obstáculos. Este é um exemplo clássico da Pro Solus. Fundada em 2003, em Campo Mourão, a empresa partiu de um produto inovador. Enraizada em novas tecnologias, iniciou seus primeiros passos. Tudo ia bem. Até enfrentar uma crise cambial em 2005/06. Não fosse a persistência dos sócios, teriam encerrado as atividades. Mas, ao contrário disso, deram a volta por cima. Hoje, empregam 102 pessoas, diretamente. E seguem na liderança do mercado brasileiro, com alguns de seus produtos.

Jovens empreendedores, Alcides Daleffe Aires e Fernando Yukio Mizote, não só acreditaram no potencial da empresa, como fazem questão de identificar suas raízes, mourãoenses. Hoje, a indústria emprega, basicamente, mão de obra local. O resultado está nos números. Conhecida em todo território nacional, a marca Pro Solus está presente em mais de 450 revendas pelo país, de Norte a Sul. De uma forma geral, são mais de 20 mil tratores carregando implementos criados por ela. Somente em 2020, em plena pandemia, a unidade teve crescimento de 72,8%, em relação a 2019. Para 2021, a expectativa é crescer outros 100%. 

Mas, se hoje, os ventos sopram em favor da empresa, em 2005, sofreu golpe parecido a um tornado. Naquele ano, uma crise cambial derrubou a moeda americana. Com as commodities em baixa, principalmente a soja, agricultores não investiram. Os resultados foram catastróficos, agora, como um furacão.

Fernando lembra que, sem o investimento do produtor rural, a empresa desmoronou. Ficou 13 meses sem pagar aluguel. Teve água e luz cortados. O cenário era devastador. Mesmo com a insistência do próprio pai, que pedia para que desistisse da ideia, Fernando persistiu. Acreditou e ultrapassou os obstáculos. “Naquele ano fiz vestibular para medicina. Queria competir com meu irmão. Eu acabei passando. Ele não. Mesmo assim, decidi perseverar com a Pro Solus. Deu tudo certo. A aposta foi certeira”, disse. 

Com o caminho aberto ao crescimento, a empresa honrou cada um dos compromissos em atraso. Em 2007, com o dólar recuperado, a empresa alavancou as vendas com um produto desenvolvido, ainda em 2005: Um monitor, com alta performance tecnológica, mas de menor valor. Foi o início de uma subida ininterrupta. Participando de feiras agropecuárias de todo o Brasil, a Pro Solus começava a solidificar sua marca. E nunca mais parou. Em 2009, já era líder de vendas de monitores.  

Anos depois, em 2015, entrou em um novo mercado: o de pulverizadores de sulco. De tamanhos e modelos diferentes, consolidou a sua qualidade em todos os estados do país. Por cinco vezes, foi destaque na pesquisa da Revista Exame, como uma das pequenas e médias empresas brasileiras, com maior crescimento no Brasil, na área tecnológica. As consequências do trabalho não poderiam ser outras. Recentemente, a Pro Solus rompeu as fronteiras. Já está na Bolívia, Paraguai e Argentina. E, mais uma vez, é líder no segmento de pulverizadores. 

Hoje, os estoques da empresa estão repletos de máquinas. Todas vendidas. É um trabalho que não para. E, pelo bem da economia, em épocas de crise, não pode parar. Somente no último ano, a Pro Solus deixou aos cofres públicos mais de R$3,5 milhões, em impostos. E, além de empregar mais de 100 pessoas, ainda semeia renda a outras 200, indiretamente. Olhando ao passado, Fernando realmente acertou. Agora, como um raio no alvo.