Municípios da região adotarão lei seca nos fins de semana para frear coronavírus

Prefeitos da região de Campo Mourão definiram durante reunião online na manhã desta terça-feira (18) que adotarão em conjunto a proibição da venda de bebidas alcoólicas (lei seca) a partir das 20 horas de sexta-feira às 5 horas de segunda-feira. A medida visa frear a disseminação de coronavírus (Covid-19), cujos casos estão em disparada na região, causando o colapso no sistema público de saúde.     

Além disso, outras ações serão adotadas, como intensificação do combate a festas clandestinas e domiciliares, limitação de pessoas nos supermercados, entre outras. As medidas terão validade até o dia 31 deste mês. A Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), fará a edição de uma recomendação que será encaminhada aos municípios para o alinhamento das ações. 

“A gente precisa ser parceiro um dos outros nesta hora e nos unir para pelo menos tentar amenizar o problema porque a situação está apertando cada vez mais aos municípios”, frisou o presidente da Comcam, Leandro César Oliveira, prefeito de Araruna. Ele disse que os municípios não tem policiais suficientes para uma fiscalização mais enérgica  e que os fiscais estão enfrentando desaforos com o desrespeito por parte de alguns moradores. “A vida dos prefeitos está virando um inferno. E se a gente não segurar agora mais gente vai morrer e alguém ainda vai querer responsabilizar o prefeito”, falou Oliveira. 

Na região, as cidades de Campo Mourão e Goioerê são as que estão em situação mais crítica. Em Campo Mourão, todos os leitos de UTI e enfermaria da Santa Casa e Central Hospitalar estão ocupados. Além disso, 17 pacientes aguardam por leitos na Unidade de Pronto Atendimento, dos quais 12 estão com catéter nasal e cinco com máscara de alto fluxo. A situação se repete na Santa Casa de Goioerê.

Segundo o prefeito Betinho Lima, de sexta-feira da semana passada até essa segunda-feira (17), sete pessoas morreram na cidade por complicação do coronavírus. “Tinha feito lockdown total, mas por força de lei, tive que abrir mercados. Os médicos não estão mais aguentando, disseram que se não fizesse alguma coisa para acalmar iam entregar a UTI”, relatou o prefeito. Segundo ele, uma criança de 11 meses está infectada com Covid no município. “De um lado tem os comerciantes e de outro o Ministério Público cobrando o que será feito”, disse. 

Betinho informou que a Santa Casa tem 10 leitos de UTI-Covid, mas que está com 14 pacientes intubados e 20 leitos de enfermaria, mas 27 internados. “Vou segurar o máximo que der pelo menos até 7 dias para acalmar. Vamos ter que aguentar firmes”, falou. Ele disse que há pacientes em macas nos corredores do hospital aguardando por leitos para internamento. 

O secretário de Saúde de Campo Mourão, Sérgio Henrique dos Santos participou da reunião. Ele citou que os maiores riscos estão no momento em que as pessoas não utilizam máscara de proteção ou não cumprem o distanciamento social. Outra situação que será combatida com rigor no município, segundo ele, são as festas clandestinas. 

O secretário afirmou que outra constatação para o aumento de casos de Covid, é o funcionamento do comércio noturno.  Santos adiantou que a prefeitura vai proibir a partir desta semana que os estabelecimentos coloquem mesas sobre as calçadas. “São medidas que podem até prejudicar os comerciantes e que não queríamos tomar, mas não temos outra alternativa”, afirmou. Ele comentou ainda que no município vigorará a lei seca das 20 às 5 horas, todos os dias da semana. “Estabelecimentos de varejo terão que ter um distanciamento de 8 metros entre as pessoas”, informou.  

Durante a reunião, os prefeitos foram unânimes em afirmar que as fiscalizações serão focadas nos municípios em festas clandestinas, festas domiciliares, bares noturnos e locais onde há maior movimento de pessoas, como mercados, onde o risco de contaminação com o vírus é maior.  “Em Ubiratã vamos limitar a quantidade de pessoas nos mercados para não gerar aglomeração. Com relação aos bares também vamos atuar com restrições e fiscalização intensa”, falou o prefeito de Ubiratã, Fábio D'Alécio. “O comércio ainda não vamos mexer, porque é onde menos temos problema. Por outro lado, eles serão nossos parceiros, vão nos ajudar a fiscalizar”, ressaltou. 

O prefeito de Moreira Sales, Rafael Brito do Prado,  presidente do Ciscaomcam, avaliou que os municípios estão colhendo o 'fruto' do Dia do Trabalho e Dias das Mães, em relação ao aumento de casos. “Foi relaxamento total no Paraná. Esta semana saltamos de 50 casos ativos para 100”, lamentou. “Estamos fiscalizando e multando quem não seguir as regras. Não estamos 'alisando'”, avisou. 

Ele também disse que não é o momento de fechar o comércio. “Temos que fazer este teste e se não mudar este quadro aí sim partimos para o lockdown total”, afirmou, ao criticar que boa parte da população não está colaborando com as ações de enfrentamento ao vírus. “Não é possível que algumas pessoas ainda insistam em se reunir em festas. Tem que mexer no bolso dessas pessoas. Tem que chegar na casa onde há aglomeração e fazer a pessoa passar vergonha, escrachar na mídia”, defendeu.

Prado disse ainda que na cidade, algumas igrejas fecharam as portas por conta e as que estão funcionando estão operando com 50% de sua capacidade seguindo os protocolos de segurança. “Precisamos fazer esta análise de onde estão vindo os casos. E aqui não estão vindo das aulas presenciais e nem do comércio”, ressaltou. Ele lembrou que os prefeitos aguardavam um decreto mais rígido do Governo do Estado, o que não aconteceu.