Conselho Tutelar já atendeu neste ano 25 casos de violência ou exploração sexual

A data de hoje, 18 de maio, é dedicada a Campanha Nacional do Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Para marcar a data, uma live foi realizada nas redes sociais da prefeitura de Campo Mourão para tratar do assunto. Só este ano (em menos de cinco meses), o Conselho Tutelar já atendeu 25 casos de exploração e violência sexual contra esse público. Desse total, 17 foram por violência sexual. Já o CREAS faz acompanhamento de 67 casos.

A transmissão da live foi uma iniciativa da Secretaria de Assistência Social e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), que iniciaram as atividades referentes à campanha nacional. “O objetivo é capacitar os profissionais do sistema de garantia de direitos, das políticas públicas de saúde, educação, esporte e cultura, bem como os pais e as próprias crianças e adolescentes, no combate ao abuso e à exploração sexual em nosso município e região”, explica a coordenadora o CREAS, Andreia Vinch.

No ano passado o CREAS realizou acompanhamentos de 109 crianças ou adolescentes que sofreram violência sexual. “Neste momento de pandemia tem aumentado o número de violências sofridas nas famílias entre elas se destaca o abuso sexual ou a exploração sexual”, informa Andreia. 

A presidente do Conselho Tutelar, Vilmara Queiroz de Souza, pede a atenção dos pais e responsáveis pelas crianças e adolescentes, a começar pela internet. “Hoje a maioria tem acesso às redes  sociais, onde nudes e mensagens de cunho sexual são muito adotadas pelos abusadores”, adverte.
 
Ela também chama a atenção para casos em que adolescentes permanecem até o anoitecer na casa de amigas. “Temos que ter esse olhar, esse cuidado. E nesse dia trazemos esse alerta, a orientação para que as famílias comecem a observar com quem está deixando os filhos, pois os abusadores são pessoas próximas, a maioria do convívio familiar”, reforça.

Sinais

Na live a psicóloga Thais Radeki reforçou as orientações do Conselho Tutelar e citou e lembrou que por conta da idade a criança não tem consciência do abuso, pois a pessoa tem um vínculo de afeto familiar. “Por isso é preciso estar atento a sintomas e sinais que podem não ser propriamente a violação”, explica.

Thais também explicou que os sinais e sintomas variam de um indivíduo para o outro. “É preciso entender que existe um rol de sintomas que podem caracterizar o abuso, assim como entender que alguns sinais envolvendo a sexualidade infantil pode ser uma coisa natural da idade”, orienta. Ela também lembrou que os casos de abusos são registrados em todas as classes sociais.

A psicóloga advertiu também para os cuidados e responsabilidade que se deve ter com as denúncias.  “Uma denúncia feita de forma errônea também é prejudicial para a criança e para a família. Há casos denúncias de abusos que não se confirmaram e pessoas inocentes foram punidas até com a vida”, alertou a psicóloga, ao lembrar que esse tipo de crime não costuma ser tolerado nem mesmo no interior de presídios.

História

A data de 18 de maio foi escolhida para marcar a campanha nacional em memória da morte da menina Araceli Crespo, de apenas 8 anos, em 1973. Naquela dia ela saiu de casa para ir à escola e nunca mais voltou. Araceli foi violentamente assassinada num crime que chocou o Brasil. 

Autorizada pela mãe que era viciada em cocaína e possivelmente traficante de drogas, ela saiu mais cedo da escola para levar um envelope até um prédio no centro da cidade de Vitória, no Espírito Santo. Ao encontrar os destinatários da encomenda, a criança foi drogada, espancada, estuprada e assassinada. 

O corpo de Araceli permaneceu dias escondido em um freezer, desfigurado por um ácido corrosivo, até ser abandonado em um terreno e localizado por uma criança que brincava no centro da cidade. Os suspeitos de envolvimento no assassinato pertenciam a famílias importantes do Estado e eram conhecidos pelas festas que organizavam, onde drogas e violência sexual com crianças e adolescentes eram as principais atrações. Eles nunca foram condenados.

Serviço

Os canais para denúncias são: Disque 100, Conselho tutelar (99125-6727); CREAS (99851-8855 ou 3518-4408)  Polícia Civil (3523-4250); Polícia Militar (190).