Plantio do trigo atinge 90% da área na região de Campo Mourão

As últimas chuvas contribuíram para o andamento do plantio do trigo na região de Campo Mourão. Nesta semana, atingiu 90% de sua área semeada na Comcam.  Dos 105.000 hectares reservados para a cultura nesta temporada, 94.500 já foram plantados pelos produtores rurais. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). 

Em relação à projeção inicial, houve um aumento da área. O Deral divulgou inicialmente 85 mil hectares para a cultura. Este ano, a produção estimada deverá ser 4% maior, atingindo 250.750 toneladas. Na safra anterior, os produtores plantaram 100.000 hectares do cereal. A produção foi de 240.000 toneladas. 

Além da área maior, o aumento na produção está ligada também à possível recuperação do potencial produtivo, que no ano passado foi afetado pela estiagem, causando a quebra na produção. 

A região de Campo Mourão tem potencial de produzir até 3 mil quilos de trigo por hectare. Porém, como o cereal é uma cultura bastante exposta, com riscos de geada, seca, ou chuvas na colheita, facilmente pode ter o potencial produtivo afetado.

Conforme levantamento da Seab, 100% da área cultivada até o momento encontra-se em bom desenvolvimento, sendo que 25% estão ainda no estágio de germinação e 75% em desenvolvimento. A janela para plantio do trigo foi aberta no começo de abril. O atraso no semeio, devido à estiagem, pode implicar em riscos à lavoura, como geadas, por exemplo. 

No boletim conjuntural divulgado pela Seab, esta semana, o engenheiro agrônomo, Carlos Hugo Godinho informa que no Paraná, o plantio do trigo atingiu 58% da área, percentual igual à média nos cinco anos anteriores. “Apesar da normalidade atual, este número contrasta com o de duas semanas atrás, quando o plantio estava em 9% da área, 15 pontos atrás da média de cinco anos”, observou.  

Segundo o agrônomo, as chuvas ocorridas nos dias 12, 21 e 23 de maio trouxeram umidade suficiente para regiões intensificarem o plantio, bem como para regiões que estavam com janela de plantio ideal se encerrando. O quadro geral do Paraná é positivo, com 92% das lavouras em boas condições e 8% em condições médias, apesar de ainda se destacarem algumas diferenças entre as regiões. 

“A Sudoeste é a principal responsável pelo rápido avanço do plantio, com todas as áreas em boas condições, porém, na região Norte e Oeste, parte das sementes ficou até 40 dias sem receber chuvas, o que poderá ter reflexos na população de plantas e na uniformidade de desenvolvimento. Cabe lembrar que apenas há duas semanas havia muita incerteza sobre essas áreas: dos 70 mil hectares classificados como médios (69% de 9% plantados), atualmente apenas 20 mil foram reclassificados como estando em boas condições, permanecendo a preocupação sobre a maior parte destas áreas precoces”, diz ao agrônomo no boletim.

Ainda conforme a Seab, especula-se sobre a possibilidade de algumas áreas de trigo serem semeadas sobre áreas perdidas de milho, porém ainda não foi identificado algum movimento relevante nesse sentido. A projeção de área do trigo foi revista marginalmente para 1,17 milhão de hectares, ante 1,16 mi no levantamento anterior, mas as revisões são relativas à região sem concorrência com o milho. Essa área, caso confirmada, é 4% superior à da safra anterior e tem potencial de gerar uma produção de 3,8 milhões de toneladas.  

O Paraná é o quarto produtor em volume e valor bruto da produção. Em 2019, foram colhidas 8,6 mil toneladas em 637 hectares, o que rendeu R$ 15,3 milhões. Para esta temporada, a safra foi estimada em um recorde de 3,77 milhões de toneladas. O aumento é de 21% ante 2020, com produtores sendo incentivados a aumentar o plantio em meio a preços favoráveis. A cultura do trigo é a principal alternativa de produção para a safra de inverno no estado do Paraná e se encaixa no período de abril a outubro, dependendo da região de cultivo, em sucessão à soja.