Fim do Mundo em 2012

O assunto do momento é o fim do mundo. Acreditando ou não, basta ter uma rodinha de pessoas que logo o assunto começa. Cada um com uma versão, uma piada enfim algo para dizer sobre a tragédia.

Mas por que este tipo de assunto não sai da boca do povo?

Porque a mídia alimenta o medo coletivo.

Teorias apocalípticas geram especulação – e muito dinheiro. Um exemplo simples é a superprodução 2012, do diretor Roland Emmerich, lançada em 2009 que rendeu mais de US$ 800 milhões, cerca de quatro vezes o seu custo. Usando o calendário maia como mote, o filme foi cuidadosamente pensado para gerar lucro durante os três anos que antecedem a grande catástrofe, com várias versões para a TV e merchandising.

O cinema-catástrofe, como 2012, Armagedon (1998) e Um dia depois de amanhã (2004) e tantos outros filmes cujo argumento é a iminência de um grande desastre natural, aposta em estratégias semelhantes à da propaganda partidária: o sucesso é obtido na medida em que se alimentam ansiedade e medos coletivos.

Experimente pesquisar os termos 2012 fim do mundo no Google, site de busca da internet. O resultado supera 9 milhões de referências. Segundo o Google, até 2008 a procura por 2012 Mayans (maias, em inglês) era relativamente estável. Em novembro de 2009, ano em que 2012 chegou às telas, ela era seis vezes maior em relação ao mesmo mês do ano anterior. E daí em diante só aumentou.

Outros setores também são aquecidos pela profecia…

Outro exemplo bem menos conhecido é a construção de bunkers, isto é, abrigos subterrâneos particulares.  Projetamos espaços para que uma família de quatro pessoas sobreviva por até um ano com o máximo de conforto possível. O local é equipado com suprimentos médicos, produtos de higiene, roupas, máquina de lavar e comida enlatada que garante uma dieta rica em todos os nutrientes, explica o americano Robert Vicino, proprietário da construtora Vivos, que oferece tanto abrigos coletivos para até mil pessoas como esconderijos luxuosos para famílias pequenas por preços que variam de US$ 35 mil a US$ 85 mil por pessoa. Vicino não hesita em usar a profecia como marketing.

Se pararmos para pensar, vamos recordar que já se cogitou o fim do mundo outras vezes, como em 2006 – por causa da data 6/6/6 – e na virada para o ano 2000. A medida em que se alimenta o medo coletivo o assunto fica mais evidente, gerando sucesso e muito lucro.

Faz sentido para você?

Boa reflexão e excelente  semana!!