O Brasil é o oitavo

Descobri que o analfabetismo era uma castração dos homens

e das mulheres, uma proibição que a sociedade organizada

impunha às classes populares

Paulo Freire

            Há algumas décadas, a definição de analfabeto era a pessoa que não sabia ler e escrever. Entretanto, tal definição não estava inteiramente correta, por não ser completa. Se de fato não saber ler e escrever, seja aspecto essencial, a conceituação precisou ser ampliada, papel que coube principalmente aos pedagogos, passando a ser: não saber ler, escrever, compreender o conteúdo e produzir textos.

            Não se trata de um mero acréscimo fruto do academicismo, mas imprescindível e parti de uma constatação bem simples e infelizmente comum no Brasil. Uma pessoa que lê uma determinada frase (e possa realizar a leitura sem tropeços) poderá simplesmente não entender o que acabou de ler. E quando professor após a leitura lhe pergunta o que ele entendeu, tem sempre alguém – de boa fé ou pela esperteza – que repete textualmente o que acabou de ler, destituído do senso crítico.

            Com o avanço tecnológico e mais especificamente com o crescente acesso à internet, veio mais um acréscimo, ou melhor escrevendo, um tipo de analfabeto, o virtual (ou digital). Na realidade trata-se de uma ferramenta a mais que somente evidencia o quanto é grande a condição do analfabeto, sem saber ler, escrever, produzir ou compreender um texto, o meio tecnológico pouco altera a condição limitadora, ou castradora como afirmou o grande educador Paulo Freire. 

            No dia 29 de fevereiro passado foi divulgado o 11° Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O Brasil. Foram avaliados 163 países e o Brasil ocupa a triste colocação, a oitava entre aqueles dez que respondem por 72% dos analfabetos. Existem no Brasil 8,6% de analfabetos e a meta para 2015, ao menos aquela pactuada, é para diminuir para 6,7%.

            Dois problemas, ainda persistem, embora já tenha sido piores: o acesso à escola e a permanência nela. A universalização da educação é um longo processo que exige uma permanente e eficaz política pública que envolva a União, as unidades federativas e as municipalidades, fato que não ocorre plenamente.

            Ademais, a evasão é uma realidade profundamente lamentável, sem falar na qualidade da educação, ou seja, é perversa a realidade da não inclusão escolar, sempre mais grave do que a evasão/reprovação e o aprendizado oferecido.

            Equilibrando-se na até aqui mal engendrada improvisação, governos se sucedem sem desejar efetivamente colocar em curso uma política da educação digna de nome. A sociedade por sua vez não se organiza o suficiente para exigir uma política de Estado, superior a gestões, o que significa afirmar que a Educação deveria ser um planejamento e ações de curto, médio e principalmente em longo prazo, responsabilidade que não poderia se circunscrever a mandatos de presidente, governadores e prefeitos.

            A condição de ser analfabeto limita tudo, desde o não saber, a menor humanização do indivíduo iletrado, a negação da cidadania, atinge negativamente não apenas o indivíduo, mas produz uma inaceitável realidade social, ou seja, as conseqüências nefastas do analfabetismo não atingem tão somente o analfabeto, e sim toda a sociedade.

Fases de Fazer Frases (I)

            Sobra o tempo que não se desfrutou na falta do que fazer, com ele.

Fases de Fazer Frases (II)

            Fácil é culpar as palavras que fogem quando não se tem o que dizer. Quando não se tem o que dizer é por não ter deixado as palavras virem, ou  não cuidados delas.

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Cidade em Revista é uma publicação excelente e, por causa da grande qualidade, completa cinco anos. O talento, a criatividade, a dedicação, somados ao fato de ousar sonhar e agir para realizá-lo, a Revista conta com o talento da Cidinha Coletty, o caminho a percorrer é árduo, mês a mês é preciso vencer dificuldades, especialmente às ligas ao financeiro. Aqui entra a importância dos valorosos parceiros que tornaram possível comemorarmos cinco anos de a ‘Cidade em Revista’, diz o editorial. Jornalista por vocação e formação, Cidinha é também presença marcante nas páginas sociais da Tribuna.

Reminiscências em Preto e Branco

            Mário Quintana afirmou: O pior analfabeto é aquele que sabe ler e não ler.