”Puxar papo”

É importante que um homem se sinta não só cidadão de uma nação

em particular, como também cidadão de um lugar específico de seu

país, que tenha suas lealdades locais. Assim como a lealdade à

sua própria classe, isso surge da lealdade à família

 T. S. Eliot 

            Será que vai chover? – Amistosamente ou não, a indagação continua ser um bom meio para iniciar um diálogo. E, ao puxar a conversa, quem quer também prosear responde acreditar que sim um opinar considerando que não irá chover.

            Então o escrevinhador aqui pergunta ao caro leitor, será que vai chover?

            Pronto, está iniciado o diálogo!

            Como se a maioria tivesse combinado, o 2014 começa com menção a fatos previsto para acontecer que certamente irão puxar o bate-papo. É ano da Copa do Mundo, ano das eleições, temas que certamente podem iniciar diálogos, grandes debates, discussões, como pode – a depender dos ânimos e da paciência, motivar o encerramento abrupto da conversa.

            E não é simplesmente a Copa do Mundo em si que servirá como assunto para qualquer momento, já que é naturalmente fundamental levar em conta ser o Brasil do futebol e por sediar a Copa pela segunda vez (a primeira foi em 1950).

            Enquanto não começar e quando começar mais ainda, o assunto será esse, o futebol, assunto que irá predominar em todas as rodas e rodadas de conversas. E os políticos sabem tão bem disso que não iniciarão para valer a campanha eleitoral para presidente, governadores, senatoria e parlamento. Seria perda de tempo, dinheiro, propaganda.

            É relevante, embora não seja tanto, que o voto refletirá o resultado da Copa, especificamente o Brasil conquistando ou a perder o título futebolístico. Conquistas eufóricas ou derrotas amargas são componentes que refletirão numa determinada parcela da população.

            Apesar de o futebol fazer parte da nítida e autêntica cultura brasileira, não autoriza a apontar que todo o brasileiro apaixonado por futebol seja um alienado. O protesto pelos gastos em obras caras, superfaturadas e que não foram além da construção de estádios, poderá levar um contingente às ruas, a exigir que o nível de exigência do chamado padrão FIFA, possa também ser exigido para obras e prestação de serviços em áreas como saúde, educação e segurança pública. Obras, aliás, que sequer saíram do papel, a chamada mobilidade urbana, se constitui até o momento em inércia notória e longe de ser destravada. Para ficarmos em um único exemplo paranaense, Curitiba está ameaçada de não sediar os jogos da Copa devido ao atraso nas obras. Nem o estádio está pronto, imagine o prometido metrô.

            Mas existe um fato palpável, o povo, torcedor, fanático ou não, é que irá pagar a conta.

            Está puxado o papo hoje. E… Será que vai chover?

Fases de Fazer Frases (I)

            A vida é espetáculo independentemente dos (ou sem) aplausos.

Fases de Fazer Frases (II)

            Verdade seja dita: a mentira existe.

Fases de Fazer Frases (III)

            Mentira não seja dita: a verdade existe.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            Amplamente noticiado, a Viapar, concessionária que explora o pedágio da rodovia que liga Campo Mourão a Maringá (BR’s 317 e 158) anunciou a duplicação dos 53 quilômetros entre Floresta e Campo Mourão. O término da obra está previsto para o final de 2015. Apenas nove quilômetros serão concluídos neste ano.

            Coincidência ou não, o anúncio é feito em ano eleitoral. Coincidência ou não, a maior parte dos investimentos ficará para o ano que vem, após as eleições, a depender do humor dos novos governantes. É, enquanto a mão dupla não existir, o jeito e percorrer não mão que se tem.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Visivelmente embriagado, o andarilho me pede dinheiro, algum trocado. Ofereci a ele um pastel e um café. O andarilho virou as costas e foi embora sem se despedir. Nem é preciso tecer maiores comentários e não faço críticas a ele, por conta de ser o alcoolismo uma doença, cuja dependência eu não posso e não desejo alimentá-la.

Reminiscências em Preto e Branco

            Mais do que colocar determinadas lembranças em um baú, é preciso de vez em quando não carregar a chave dele. O pior é tentar guardar um passado que não foi vivido.