Paraná, 160 anos
Os dias prósperos não vêm por acaso. Nascem de muita
fadiga e muitos intervalos de desalento.
Camilo Castelo Branco
Na letra de Domingos Nascimento, musicada por Bento Mossurunga, o primeiro acorde do Hino do Estado do Paraná tem a bonita exaltação: O teu fulgor de mocidade,/Terra, tem brilhos de alvorada: Rumores de felicidade./Canções e flores pela estrada..
Os 160 anos de emancipação político-administrativa do Paraná (desmembrado de São Paulo em 19 de dezembro de 1853), é de se indagar: é um Estado plenamente maduro? Ainda é jovem? Muitos caminhos de mudanças e transformações já aconteceram, outros tantos estão em curso.
O Paraná tem sua face bem antiga, o surgimento dos povoados como Paranaguá, Antonina, Castro, Ponta Grossa e Curitiba, retratos permanentes da nossa História em contínua efervescência.
O Paraná é merecedor da concepção do recente amadurecimento com ápice atingido no ciclo de modernidade de cidades como Londrina, Maringá e Cascavel.
O Paraná é jovem, se espraia pelas cidades que vão paulatinamente se tornando a expressão do interior e sem o isolamento comum das décadas, sobretudo de 40/50, tornando-se centros regionais que ampliam cotidianamente como referência desenvolvimentista em nível estadual e no âmbito do sul do Brasil: cidades como Umuarama, Campo Mourão, Toledo, Pato Branco, Apucarana e Cianorte.
Paraná, lugar de todas as gentes, o pulsar da mistura de etnias diversas. Gentes que se identificam entrelaçadas pelo seu fazer determinante da identidade do paranaense, outrora destemidamente ao desbravar estoico e, com o envolver das gerações, culmina na fixação do tipo: aqui é o meu lugar!.
A seguir o poema do genial publicitário de saudosa memória, uma das mais belas manifestações sobre este querido Estado. Jamil escreveu a peça publicitária do governo do Paraná, e ganhou o prêmio Comercial do ano quando trabalhava na Opus Propaganda, sediada em Curitiba. O poema teve a fantástica interpretação do talentoso ator Othon Bastos:
MEU PARANÁ EU FAÇO – Jamil Snege
“O meu Paraná eu faço.
No cabo de uma enxada
No volante de um caminhão
Na escola em construção
No risco de uma estrada
O meu Paraná eu traço.
Sem desânimo e sem cansaço
Vou semeando este chão.
Vou aboiando o gado
Colhendo a espiga madura
Tirando da terra a feitura
Nem que seja de noite ou de dia
No campo ou na cidade
Sol quente, maré fria
O meu pedaço eu garanto.
Na fábrica, na oficina
No escritório, na usina
Não tem tempo ruim.
Geada ou cerração
Enchente ou estiada
Na ponta da madrugada
Já estou cuidando de mim.
Que importa se a vida é dura…
Amanso ela na canga
Transformo usura em fartura
Meto os peito, dou castigo
O meu Paraná
Eu brigo
Por isso eu digo, irmão
Tome conta deste chão
Garanta o seu pedaço
Assuma o seu quinhão.
O Paraná somos todos
Cada qual com sua parte
Seu ofício, sua arte
Repartindo o mesmo pão.
Fases de Fazer Frases
Era contrabando o bandolim tocado pelo bando. Contra o bando só o bandolim.
Olhos, Vistos do Cotidiano
A repercussão da morte de um operário na obra do estádio de Manaus (para a Copa) foi manchete. O que é raro destacar: A cada dia morre pelo menos um brasileiro na construção civil.
Reminiscências em Preto e Branco
Há muitos anos escrevo neste espaço ou falo quando o tema é o Paraná. Para provar que alguém é de fato paranaense, – nascido ou por escolha afetiva – é preciso contemplar a nossa araucária, símbolo desta dadivosa terra. Não basta apenas gostar, mas ser um apaixonado pela beleza, imponência, grandiosidade do nosso pinheiro! Ser paranaense é ser gralha azul, sempre!
