O negro e o outro, o “quinto dos infernos!”
O ouro brasileiro deixou buracos no Brasil, templos
em Portugal e fábricas na Inglaterra.
Eduardo Galeano
São numerosos e profundos os fatos pertinentes a escravidão no Brasil. É oportuno conhecê-los, notadamente no Dia da Consciência Negra, cabe a reflexão história e atual.
A exploração no Brasil-colônia ocorreu com a utilização da mão de obra farta e absolutamente gratuita, Os escravos negros trabalhavam até o exaurimento da capacidade física e psicológica dos negros.
A então área portuguesa, dadas às continentais dimensões territoriais brasileiras, foi um vasto campo aberto a extração, produção e o envio da grande (maior muitas vezes) parte das riqueza para Lisboa. O ouro é cabal exemplo de tal processo. Foram dois séculos de exploração da riqueza em estado puro, o ouro! Principalmente no século XVII e precisamente durante um século, o Brasil enviou para Portugal cerca de 800 toneladas de ouro, segundo o professor Angelo Carrara, doutor em História Social. Nos estudos do mencionado historiador carioca, em 1710 apenas cinco pessoas foram responsáveis por 47,65% de todo ouro extraído, elas ficavam com o equivalente a uma média de 16 quilos cada um; ao passo que 568 pequenos auríferos detinham, com 184 quilos no total, a equivaler 71 gramas para cada. Por serem obrigados a enviar para Portugal a quinta parte de todo o ouro encontrado no Brasil (corresponde a 20%) a alta taxação do citado imposto é uma alusão à tal quinta parte, o que tornou comum o protesto, dito aos cobradores: vá pros quintos dos infernos!
Aos negros eram aplicados todo tipo de castigo, além de terem que trabalhar até 18 diárias, eles sofriam violência moral e física, muitos eram mortos caso tentassem ficar com algumas gramas de ouro. Uma das humilhações consistia em obrigar os negros a ingerirem grandes doses de laxantes e defecarem na presença dos capatazes e senhores, para expelir o ouro que por ventura tivessem engolido.
Dando um salto na História do Brasil, ao chegar a abolição da escravidão (somos o último país a acabar com ela, formalmente) no 13 de maio de 1888, mas de fato ela perdurou entre 30 e 50 anos depois, alcançada finalmente graças ao Zumbi dos Palmares, reflexo de uma intensa luta. Os os proprietários rurais só concordaram com fim da escrevidão quando a Princesa Isabel negociou com eles o pagamento indenizatório de toda a mão de obra que os senhores tinham. Os ricos ficaram ainda mais ricos, pois receberam ouro do Império, novamente os negros pagaram para os ricos com a riqueza que os descendentes e africanos produziram ao longo de tal época.
Temos uma enorme dívida com os negros, se ela pode ou não ser paga com as chamadas cotas sociais/raciais, o que é indubitável é que temos uma dívida com os negros. A herança maldita colonial impregnou como cultura dominante, presente no olhar para os negros, como se eles tivessem engolido o ouro que extraíram, ouro que gerou a riqueza europeia, sempre alerta para o negro ladrão daquele tempo, o negro ladrão que hoje rouba vagas nas universidades e que quer – vejam só! – ascensão social, estando a merecer, pela mesma ótica da exploração vil, mais doses de laxantes.
Frases de Fazer Frases (I)
Opor ou pôr, eis a posição.
Frases de Fazer Frases (II)
Se um pôde, outro pode. Como se pôde saber quem pode?
Olho, Vistos do Cotidiano
Sem exagero, quando o caro leitor estiver lendo esta Coluna agora, é certo que árvores estarão sendo derrubadas em Campo Mourão, sem dó ou piedade. Reclamações dos que se preocupam com tal fato, notícias na imprensa, nada contém a sanha voraz da motosserra.
Infelizmente é muito fácil se se deparar com o cruel, criminoso e impune extermínio das árvores. A desculpa lacônica é a mesma, trata-se de árvores doentes, que ameaçam cair e causar danos à vida ou prejuízo material. Doentes estão os que cinicamente comandam a matança do verde a gerar lucros com a madeira.
A prefeitura não é de toda culpada. Ela é também ao não se opor, mas tem quem pede, insiste e quer tirar as árvores para aparecer o letreiro com propaganda do estabelecimento comercial; ou para não mais varrer as folhas caídas nas residências: eis o retrato infame, lamentável.
Não carece de citar exemplo da brutal atitude, ficaria desatualizado, a cidade vai ficando cada vez mais pelada, mesmo quando plantadas outras árvores no lugar, e, ao crescerem estarão vulneráveis a mesma sina de agora.
Nem sombra das muitas árvores que davam sombra. Poucas sobram, muitas soçobram.
Reminiscências em Preto e Branco
Como a música escutada muitas vezes e, sem que se desejasse, torna-se para sempre impossível ouvi-la como outrora. Mas a memória afetiva permanece nítida, ouvida a canção reminiscente, som que prossegue. Vilma Bathke transformou-se em saudade, tinha 71 anos. Ela me conhecia desde pequeno, nos tempos em que eu frequentava a casa dela (quando foi casada com o saudoso Pedro da Veiga) em razão da amizade com os dois filhos deles, o Adriano e o Beto. No nosso tempo de meninada, quando Campo Mourão não tinha o tamanho atual, as famílias se conheciam. Para frequentar a casa de alguém as mães procuravam saber de que família você é. A Vilma foi especial, lá na casa dela fazia café, nos dava atenção, importância. O Adriano e o Beto também vinham na casa dos meus pais. Atualmente nas vezes que a encontrava, Vilma, sempre gentil, repleta de afeto, a me tratar do mesmo modo, como se os filhos dela e eu não tivéssemos crescidos. À eternidade se caracteriza pela saudade, música da vida que por inteiro não desaparece.
