Não me livro de um livro (…)

Dê-me uma meada de lã e eu teço um agasalho. 

Dê-me uma palavra e eu formulo uma frase, eu escrevo um texto. 

Dê-me um texto e eu componho um livro

Retratos de Leituras – Inajá Martins de Almeida, bibliotecária

 

            Por causa das palavras, elas que se fazem presentes neste espaço há mais de 25 anos, de todas aquelas que também emprego oralmente ao longo da vida. É também por causa de tudo o que já li e que cada vez mais me inspira a ler, diminuindo o meu receio e insegurança – mas nem sempre eliminando por completo a falta de capacidade de escrever, quando ainda me faltam a inspiração e preparo criativo, e que as palavras fogem todas antes mesmo que eu pudesse prendê-las, colocando em ordem. Aliás, elas que fugirão sem empreender fuga, foram sem antes terem vindas, palavras que me faltam para dizer o quanto eu sou grato a todo aquele que lê esta Coluna, sempre, ocasionalmente, seja enfim por qual motivo, o meu eloquente e humilde sentimento é o da gratidão.

            Sem possuir as palavras, não sou dono delas e me deparo com a incompetência (não desejada) de pretender utilizá-las do melhor modo possível, entretanto sem alcançar tal objetivo, então me resta apenas escrever: muito obrigado!

            Agradecer o último dia 26, sábado, quando, juntamente com o grande e singular poeta, amigo Gilmar Cardoso, lançamos Juntos… Poesia nossa de cada dia. Familiares, amigos, os que cultivam o hábito da leitura, se fizeram presentes para possibilitar que o lançamento e autógrafos fossem um grande sucesso, graças à generosidade e acolhida de todos. Ao usar da palavra, fui tomado pela emoção. Na trajetória da minha vida o gosto pela leitura como fonte de conhecimento e prazer é uma herança dos meus saudosos pais Eloy e Elza, sempre queridos e que deixaram tal legado para todos nós filhos. As palavras naquele momento foram engolidas pelas reticências e pelas lágrimas, pois embora eles não mais estejam fisicamente, vivenciar aquele momento como espelho do que eles puseram à disposição, além do caráter e a honra, o ler e o expressar corretos.

            Torno público mais uma vez – e certamente será sempre ínfimo, não pelo meu desejo, mas por esta incapacidade própria – agradecer sem ser jamais demais, o quanto foi positivo contar com o carinho dos que lá estiveram e também por parte de todos aqueles que, na impossibilidade, não se furtaram a registrar o fato, se somando ao desejo que fosse uma manhã marcante, inesquecível.

E foi e prossegue a pairar nas minhas reminiscências, no ontem, no agora e por quanto eu viver, hei de sempre me reportar à doce, edificante e inspiradora experiência daquela manhã. Obrigado!

            A literatura, assim como os que a produzem, está acima das origens e das nacionalidades, é própria de quem escreve se tornar universal. Assim, cito um dos mais ilustres brasileiros, político e historiador pernambucano, fundador da Academia Brasileira de Letras, Joaquim Nabuco (1849-1910) disse: A ilusão do autor é um dos mais finos estratagemas da Criação. E para quem escreve, a ilusão não chega a ser ou é apenas algo que não se realiza, e sim o que dá sentido ao ideal almejado, que, enquanto não ocorre, é acalentado como sonho. Para completar, menciono o jornalista e escritor judeu-húngaro que viveu no Reino Unido, Arthur Koestler (1905-1983): A ambição de um autor deveria ser […] trocar cem leitores contemporâneos por dez leitores daqui a dez anos, e por um leitor daqui a cem anos.                   

Fases de Fazer Frases (I) 

            Perigos estão ao nosso redor, e o medo dentro da gente. 

Fases de Fazer Frases (II)

            Ame sem pedir nada, é tudo o todo que terás.

Fases de fazer Frases (III)

            Acostumar-se a ter hábito e deixar habitar o costume.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Caso tenha que fingir, prefira fingir ser ignorante, e não inteligente. É inteligente fingir ser ignorante, pois sempre será possível se aprender. Já a falsa inteligência leva a mostrar a ignorância que temos, a nem sempre permitir que venhamos saber.   

Olhos, Vistos do Cotidiano

            Na semana passada vários meios de comunicação registraram, graças as câmeras instaladas nas vias públicas, um rapaz tendo o nefasto capricho de quebrar o caule de cada árvore recém-plantada no perímetro urbano de Maringá, durante um longo trajeto que ele percorreu. Dano ao patrimônio público, ato tipicamente de vândalo e agressão ao meio ambiente. As mudas foram estupidamente mortas! A indignação naquela cidade foi geral e legítima.

            Já aqui em Campo Mourão tal fato não ocorre. Simples e lamentavelmente por quase não se vê mudas novas sendo transplantadas em novos lugares, quando muito, elas são substituídas por frondosas árvores que na maioria das vezes continuam sendo tombadas pela ganância criminosa, especialmente por parte de vários comerciantes e moradores, com a complacência do poder público local.

Reminiscências em Preto e Branco

            Quando fechamos a janela, o findar do dia e a consequente noite que virá, é como se deixássemos de descortinar o futuro para nos voltarmos para o passado que mora na casa da gente. Até que um dia a janela não mais se abrirá, quando a noite de um dia é para sempre, sem o descortino da vida.