Santa Casa poderá assumir plantões do Posto 24 Horas

Os plantões médicos da Unidade de Saúde 24 Horas de Campo Mourão poderão ser assumidos pela Santa Casa de Misericórdia. A definição está dependendo de questões legais, em estudos pelos departamentos jurídicos da prefeitura e do hospital. A revelação foi feita na manhã desta terça-feira (11), pelo prefeito Tauillo Tezelli, durante reunião de prestação de contas à imprensa.

Em princípio a contratação dos serviços da Santa Casa seria em caráter emergencial. Essa é uma alternativa encontrada pela administração municipal depois que a empresa que venceu a licitação não conseguiu contratar médicos suficientes para cobrir os plantões na Unidade, que funciona no Lar Paraná. Três dias depois de assumir o serviço, o representante da empresa que venceu a concorrência veio na prefeitura para rescindir o contrato porque não conseguiu médicos para os plantões, explicou o prefeito.

Segundo o prefeito, se a parceria com a Santa Casa for concretizada há possibilidade de fazer um credenciamento para que o hospital assuma, inclusive, os serviços quando forem transferidos para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que é um projeto da prefeitura para colocar a nova unidade em funcionamento. Estamos na fase documental, como ajustes de valores e questões legais, disse o prefeito.

O vice-presidente da Santa Casa, Getúlio Ferrari Junior, disse em entrevista à TRIBUNA que o corpo clínico do hospital tem condições de atender a demanda do Posto 24 Horas. Já estamos com a escala pronta, inclusive, afirmou. Assim como o prefeito, ele fez questão de lembrar que existem regras jurídicas a serem obedecidas para fechar o contrato. A Santa Casa e a prefeitura sempre foram um organismo só no atendimento à saúde e por isso vamos tentar achar um caminho para que a população seja atendida, completou. 

Boicote

A empresa que venceu a licitação para os plantões do Posto 24 Horas é a AC Serviços Médicos, de Curitiba, contratada pelo valor de R$ 3,32 milhões pelo período de um ano. Ela começou a prestar serviços no dia 5 de junho, mas com falta de médicos em algumas áreas, o que causou muita reclamação e revolta de quem procurou atendimento. Nos bastidores, o representante da empresa falou em boicote de médicos da cidade para forçar a empresa a desistir do contrato.

A situação foi tema de debate na sessão desta segunda-feira (10), na Câmara de Vereadores. Há murmúrios sobre pressão para que os médicos da cidade não assumam os plantões, disse o vereador Edoel Rocha. O vereador Edson Battilani defende uma investigação, já que é a segunda vez que isso ocorre em um ano. Isso é uma palhaçada, disse o vereador Miguel Ribeiro.

Enquanto tenta passar os plantões para a Santa Casa, a Secretaria Municipal de Saúde tem remanejado médicos das unidades básicas para atender os plantões. É o que estamos conseguindo fazer, no momento, para tentar atender a população, disse o prefeito. Na segunda-feira pela manhã, por exemplo, vários pacientes que buscaram atendimento foram orientados a voltarem à tarde porque não havia clínico geral na Unidade.