Joãosinho Trinta e Sérgio Brito: Culturas, popular e clássica

A cultura é uma necessidade imprescindível de toda uma vida, é uma dimensão

constitutiva da existência humana, como as mãos são atributos do homem

(José Ortega Gasset)

                No último dia 17 morreu aos 78 anos o carnavalesco Joãosinho Trinta. Os títulos conquistados por diferentes escolas é pouco para espelhar a importância dele para o carnaval. Sem exagero algum, ele reinventou o carnaval, trazendo para a avenida elementos da nossa rica e diversa cultura popular, no entrelaçamento vibrante das nossas etnias: o índio, o negro e o europeu.

                A maior festa do mundo em organização e expressão teve em Joãosinho um novo patamar, o da expressão cristalina com enredo e alegoria que traziam no ritmo e nos belíssimos carros a expressão social no sentido crítico, como através das agruras vividas pelas camadas populares. O samba não era mais destituído da chamada alienação.

                A cultura popular em sentido amplo, que amealhava também a clássica a ponto de não se poder distingui-las – ainda bem! -. a harmonia das alas, a sincronia temática de apontamento das nossas vicissitudes como povo miscigenado secular e atualmente, o carnavalesco sabia interpretar e colocar nas escolas de samba que atuou e produziu um pensamento que é uma verdadeira e provocante consideração: pobre gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual.

                Durante muitos carnavais que ainda virão, Joãosinho Trinta está presente, dada a sua inegável e profícua influência, belamente colorida e autêntica, sem dúvida um legado magnífico.

                No mesmo dia, 17, morreu Sérgio Britto, 88 anos. Nos últimos cinquenta anos pelo menos, o teatro brasileiro é marcado pela presença ricamente substancial de um protagonista genial, tanto na concepção teatral engajada, como também atuando e dirigindo memoráveis peças. O espetáculo para ele não tinha divisões entre plateia e palco; entre realidade e ficção; entre o ideal e o real. Britto vivia a paixão cultural da representação intensa e ininterrupta. Não era egocêntrico, mas profundamente abnegado e solidário, estimulando e respaldando muitos nomes outrora iniciantes nas artes cênicas. Era notável mesmo quando não o desejasse, para ele não tinha papel menor ou espetacularmente fenomenal, toda atuação do ator deveria ser importante e para ser representado da melhor maneira. Embora a alma fosse do teatro, na televisão ele deixou a sua marca, caprichosa, elegante, digna de um ator singular. Tinha amigos de muitas gerações, era ético, humano, inteligente. 

                Sérgio Brito, dono de uma memória altiva, dinâmica e precisa, era também erudição, a cultura nobre, fina e com classe ímpar e que ele eloquentemente tinha e transmitia. Embora clássica como cultura, o patrimônio popular em termos de cultura recebeu e conquistou nele a sabedoria da paixão e da lucidez da interpretação maiúscula.

                Joãosinho Trinta e Sérgio Britto protagonistas dos mais importantes da nossa cultura, neles louvamos a história de elevado saber e envolvimento, pois eles foram à alma do nosso povo na sua mais autêntica expressão cultural, material e imaterial.          

 

Fases de Fazer Frases (I)

O primo prima pela prima. Mas a prima não prima pelo primo que prima por ela.

 

Fases de Fazer Frases (II)

A vida é pêndulo, equilíbrio entre emoção e razão.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Semana passada o deputado federal Zeca Dirceu (PT) visitou Campo Mourão. A repercussão maior não foi a visita e sim o conteúdo distribuído pela assessoria de imprensa do parlamentar. No texto foram sugeridas perguntas evidentemente todas favoráveis ao Zeca e óbvias demais, do tipo: quais foram as emendas apresentadas que merecem destaque?; como foi a sua atuação parlamentar este ano?; E por aí vai. Zeca disse ser muito comum, ao conceder entrevistas, notar a falta de preparo de repórteres, jornalistas e apresentadores. Sem carecer entrar no mérito ou generalizar, o fato é que existem pessoas despreparadas, como também tem gente talentosa nos meios de comunicação da nossa região.

                O escrevinhador aqui, figurante entre os que não dispõem de capacidade para perguntar, sugere algumas questões ao petista: Praticamente um ministro por mês, deixou o governo Dilma envolvido em escândalos de corrupção (a única exceção foi Jobim, que teve que sair ao declarar que não votou na presidente), o que o senhor tem a dizer sobre tantos escândalos? E o mensalão, o seu pai Zé Dirceu, foi indiciado, você deseja que o crime venha a prescrever? Sobre a estrada Boiadeira e o escândalo envolvendo toda a cúpula do DNIT, qual é o seu posicionamento?      

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

Bem orientados, funcionários do Supermercados Paraná, atenciosos e gentis, agradecem aos fregueses dizendo, tenha um ótimo dia. Não é por acaso que a palavra ótimo é empregada. Se dissessem tenham um bom dia, fariam referência ao concorrente, o Supermercado Bom dia.

Assim sendo, quem sabe se lá nas lojas revendedoras de celulares Tim, se alguém perguntar se os produtos têm qualidade, os funcionários evitarão responder, Claro.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

Na última quarta, em Política & Ação, deste Jornal, numa das notas, intitulada Elogios à parte, foi noticiado o elogio feito pelo amigo, poeta e confrade da Academia Gilmar Cardoso: O Maciel é um escritor que se renova e se supera cotidianamente. O Maciel é surpreendente. O texto é primoroso, se referindo ao Fases de Fazer Frases da semana passada. Surpreendente eu estou com tamanho elogio. Registro o meu efusivo muito obrigado!

 

Reminiscências em Preto e Branco (I)

O tempo não vale nada quando ele é perdido sem se dar conta dele.