“Nóis num pega um livro pra lê”

Há muitos, muitíssimos leitores que não gostam de que se os

 obriguem a pensar, e que querem que se lhes diga

 o que já sabem,o que já têm pensado

Miguel Unamundo

 

                O ministro da educação Fernando Haddad esteve na audiência pública do Senado para a qual fora convocado a prestar esclarecimentos sobre a polêmica em torno da Coleção Por uma vida melhor, livro distribuído pelo Ministério em todo o país. O livro gerou polêmica e por vários dias foi um dos principais assuntos dos meios de comunicação tendo em vista os erros de concordância defendidos pela autora em contraposição à norma culta da nossa língua e em defesa do modo popular.

                Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado, exemplificou a professora Heloísa Campos, afirmando enfaticamente no livro e posteriormente nas entrevistas que concedeu não existir qualquer erro.

                O ministro, que antes dissera que não interferia na escolha dos livros didáticos comprados pelo ministério, resolveu defender mais a professora, mais o livro, mais a compra deles (400 mil) sem, entretanto, conseguir defender a Educação brasileira, e sim o ministério que ele comanda, que age em nome dela, ainda que tal não seja.

                Na mencionada audiência o ministro defendeu a tese de preconceito e qualificou de fascistas as manifestações que contenham críticas e censuras a referida, digamos, obra. Haddad disse que a crítica é uma injustiça crassa. Principalmente a expressão crassa, empregada pelo ministro em resposta às indagações senatoriais, certamente nem de longe seriam compreendidas pelos que falam ou escrevem os livro mais interessante estão emprestado, ou ainda, eles pega os peixe. A palavra crassa, elegantemente empregada pelo ministro, também é um preconceito a espessa ignorância que ainda grassa neste País, infelizmente.

                A língua é dinâmica, se transforma, é escrita de um modo formal e falada de outro modo, simples, informal. Mas é imprescindível que respeitemos minimamente a forma padrão. Evidentemente que se entenda o que alguém fale ou escreva sem respeitar as regras de concordância e se respeite o fato de ainda não ter conseguido aprender. Mas, para ilustrar e não tecer maiores comentários, o vocabulário é como os sinais de trânsito, todos devem conhecê-lo e respeitá-lo. Aliás, em qualquer cidade ou estado brasileiro as regras são as mesmas, padronizadas e todo o motorista terá que conhecê-las para ter a Carteira Nacional de Habilitação. Então o pouco letrado ou analfabeto seria vítima de preconceito por não poder dirigir?

                O ministro, que ocupa tal cargo desde os tempos de Lula e permanece graças à ingerência do então presidente, não precisa ir dar explicações na Câmara dos Deputados, lá na Comissão de Educação, já que pode dispor de um grande defensor dele, do governo dele, do livro dela. Haddad está sossegado, uma vez que na Comissão de Educação da Câmara tem o deputado Tiririca. Melhor defesa impossível para Haddad, da professora, do livro e do ministério, casualmente intitulado de Educação.

Fases de Fazer Frases (I)

                O relógio é o único que não vê a hora passar.

Fases de Fazer Frases (II)

                Sagaz, o sádico sacode o sacro sáfaro

 

Fases de Fazer Frases (III)

                Pouco ou muito esterco posto ao pé da flor não irá alterar o perfume dela.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

                Em relação a esta Coluna registro a sempre gentil e amável atenção da professora Adalgisa Terezinha de Jesus, ela sempre faz observações oportunas e edificantes, as quais agradeço.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

                Uma frase, em poucas palavras, tão intensas que passei a refletir, a pensar, a compreender, a sair do meu lugar, caminhar em direção a novos rumos, vendo e sentindo coisas novas, ou ainda olhando e sentindo de outro modo experiências que eu não tinha dado o valor que elas mereciam e ainda dei muito valor, sofri quando agora me alegro dando risada de mim, me chamando, feliz, de ‘sua boa’. Obrigada por ‘te conhecer’ lendo não só este mas muitos textos, sem que você soubesse de mim, agora, quando te cumprimento, você é demais escrevendo, muito. Compartilho com os caros leitores trechos da correspondência que recebi de Marília, São Paulo, assinada pela farmacêutica Ana Júlia Andrade, ao se referir principalmente a uma frase escrita nesta Coluna no domingo anterior: Os rios secam na memória quando não mais bebermos as boas lembranças. O futuro se evapora e volta como chuva só para encharcar nossos olhos d’água do que fomos e não mais poderemos ser. Ana Júlia afirmou que não mais irá mergulhar nos rios secos do passado. Obrigado a ela pela atenção.     

 

Reminiscências em Preto e Branco (I)

                Vai desaparecendo a necessidade de se aprender a fazer o nó na gravata. Muitas das gravatas podem ser compradas com o nó pronto, com zíper. O colete já é passado, igual destino nós a serem feitos. Mas o terno e quem o veste não pode perder a elegância e o cavalheirismo, lição a ser praticada e não apenas ensinada/aprendida.

 

Reminiscências em Preto e Branco (II)     

                Aos 43 anos o Vardo morreu. Nos últimos anos tinha se tornado o andarilho mais conhecido de Campo Mourão é com uma notável característica, de realizar longas caminhadas rapidamente e ter a mania de apanhar lixo das ruas e calçadas e jogá-lo no quintal das residências. Era também comum pedir café. Valdo Ferreira da Cruz era o personagem a andar em direção que, só ele poderia imaginar. Há alguns anos aqui neste espaço escrevi sobre a figura personagem de nossas ruas, intitulado O Vareio do Vardo, descanse em paz.