Rindo vai se indo
A sátira é uma espécie de espelho que reflete todo mundo,
exceto os que se olham nele
Jonathan Swift
Procuro o meu celular em casa em todos os lugares que ele poderia estar. Nem sinal do celular. Eu preciso fazer uma ligação e o número não tenho de memória. Penso comigo mesmo, daqui a pouco em me lembro onde o encontrei.
Enquanto isso volto a corrigir provas. O telefone toca. Não o celular! Era o fixo. Eu estava tão concentrado na correção que o som do aparelho irrompe o silêncio daquela tarde quente e chuvosa. Atendo e imediatamente a pessoa pede para eu aguardar um minutinho. Aguardo o minutão. Sobre o que irei escrever para a Coluna de domingo? Eu sou o último a saber, parece estranho, mas é verdade.
A demora é bem maior, a paciência minha é grande, mas… Desliguei. Se for importante alguém vai ligar novamente, cedo ou tarde. Não ligou.
Lembro do celular, onde estaria ele? Procurei em todos os lugares. Não seria estúpido, por exemplo, em procurá-lo na geladeira, dentro do fogão, na saboneteira. Até de procurar não seria bem a estupidez, estupidez mesmo seria encontrá-lo.
Desisto. De achar o celular? De ligar? Bem, termino de corrigir mais uma turma. O computador está ligado, vejo se recebi alguma mensagem nova. Sempre tem uma mensagem nova, ainda que seja de algum assunto não tão novo assim.
Começo a me preocupar onde deixei o celular. Onde ele teria se metido sem que fosse chamado…
Desisto mesmo. Pensei comigo, agora mais decidido ainda, quando ele tocar ouvirei o som e então saberei e-x-a-t-a-m-e-n-t-e onde ele estará.
Pergunto a mim mesmo, qual será o assunto da Coluna? Desisto. Deixarei para pensar somente após eu retornar das aulas, isto é, não antes das 23 horas.
Ninguém liga para mim. Gostaria que alguém ligasse para o celular, lógico, eu saberia onde ele se meteu sem dar de há muito qualquer sinal de vida.
O fazer e o não fazer me incomodam, penso em não procurar o celular e, ao mesmo tempo passo a procurá-lo, logo em seguida desisto para, dali a pouco, com afinco sair a sua procura. Eu tinha certeza, ele estava no apartamento, veio e estava comigo… Nada do celular dar sinal.
Não sei mais o que fazer. As horas passam, ninguém liga para o meu celular, ou ligaram e ele estaria desligado?
Que angústia profunda, desespero incontido. Que memória fraca é a minha, esquecer completamente onde estaria o celular. Pois é, não faço a menor ideia.
A burrice tem limites, não é mesmo? Não! No meu caso a minha burrice vai além dos limites. Somente depois de um longo tempo é que me ocorreu a simples (se afirmar que a ideia seria brilhante, só faria elevar o grau da mina burrice) de ligar do meu telefone fixo para o celular, não é mesmo, ele tocaria eu descobriria, formidável.
Foi o que eu fiz! O celular tocou! Eu já estava atendo para saber de onde viria o sinal dele. Do quarto. Ele estava no bolso da calça, eu a troquei quando cheguei e fui tomar banho.
Eu atendi o meu celular e já fui respondendo para mim mesmo que estava feliz por tê-lo encontrado e somente depois eu concluí a ligação. Só não me lembro se desliguei primeiro o celular e o fixo.
Você não achou graça nenhuma, não é, caro leitor. Pois eu estou rindo até agora da minha burrice e depois a ideia genial de ligar para o celular… Só não sei sobre o que escrever para este domingo…
Fases de Fazer Frases (I)
O drama ama a tragédia. Mas ela não liga.
Fases de Fazer Frases (II)
Só se descobre o quanto custa ficar calado ao abrir a boca, sobretudo pela ideia alheia.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
O Mercadão Municipal vai ressurgindo efetivamente das cinzas. Na verdade há mais tempo, mas é que agora com a retirada dos tapumes e a continuação das obras, o visual do prédio reocupa o cenário urbano daquele espaço e do seu entorno.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Outro tapume, que se esfarela, mas se mantém há muito tempo. Bem no centro escondendo um antigo posto de gasolina, lamentável, certamente.
Reminiscências em Preto e Branco (I)
O antigo não carece do novo para se sobressair. O antigo se sobressai novamente no passado.
Reminiscências em Preto e Branco (II)
Conforme o divulgado, a Viação Garcia e o Café Damasco, tradicionais empresas paranaenses, foram vendias. Permanecem a história e o nome, mas já não é da gente do Paraná. Como o Mate Leão, Hermes Macedo, Prosdócimo.
