Animais, não. Anões podem

O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror

Oscar Wilde

 

            Depois de terminar de falar e tendo que em seguida me retirar por causa de outro compromisso, uma estudante, na saída do auditório do Colégio Estadual Campo Mourão, considerou contundente o raciocínio que fiz.

            Antes de narrar os fatos, convém situar o caro leitor. O referido e tradicional estabelecimento de ensino realizou importante evento na última quinta-feira para debater sobre o comportamento agressivo, que pode ser tanto físico ou moral e que ocorre de modo permanente e intenso. A violência pode ser praticada por um indivíduo contra outro; de um grupo contra uma pessoa; de uma pessoa fisicamente superior em relação a um grupo. Tem uma expressão em inglês para denominar a violência, e, por faltar o termo em português, terei que citá-la: bullying.  Um dos problemas e dilemas no Brasil é que o real e o ideal se apresentam em diversas situações tão dispares e separados por verdadeiros abismos que nos fazem admitir a possibilidade que eles não se justaporão para o bem de todos.

            São leis que existem para ditar regras comportamentais sociais, elas podem ser vistas como sinônimos de evolução, modernidade, civilidade, trazem no seu próprio bojo – mas observado por outro ângulo – dispositivos que deveriam absolutamente nos envergonhar.

            Nos bancos os dizeres são evidentes: Gestantes, mulheres amamentando ou com bebê de colo e idosos têm preferência na fila. Em um prisma, podemos ter um sentimento de orgulho, pois tais leis existem para assegurar cidadania, o respeito às mulheres e às pessoas mais velhas. De outro prisma, o sentimento pode ser de constrangimento, vergonha, uma vez que precisamos de leis que nos imponham a respeitar as pessoas, mesmo assim muitos só respeitam por existirem tais leis, ou fazem de conta que não sabem para burlar, no velho jeitinho brasileiro. 

            O ponto que procurei chamar a atenção no citado encontro e que levou a estudante a me dizer nunca tinha parado pra pensar nisso!, tem a ver com leis. Ela repetiu o que eu disse, no Brasil em muitos lugares é proibido os circos se apresentarem caso incluam animais no espetáculo (em Campo Mourão tem lei municipal). A proibição passou a ocorrer quando vieram a público os maus tratos que os animais sofrem para serem adestrados e obedecerem, além do espaço e alimentação muito aquém do ideal. Mas este mesmo Brasil dá muita risada dos anões nas apresentações dos circos, teatros e na televisão. Não é riso quanto à encenação, da qualidade que um anão tem ou pode ter na arte de representar. Na verdade riem quando eles ainda estão adentrando o palco pelo simples fato de serem anões! Outro exemplo factível se refere aos boxeadores que morreram ou tiveram sérios problemas advindos do que é chamado de esporte.

            Macacos, leões, cavalos, zebras, cachorros e elefantes estão protegidos. Iremos continuar rindo dos anões até quando? Aplaudiremos toda vez que um boxeador provocar a queda por espancamento do adversário, até quando?

 

Fases de Fazer Frases (I) 

         No cômodo da vida é preciso abrir a porta para alegria entrar e janela para a tristeza sair.

 

Fases de Fazer Frases (II) 

         A condessa é condescendente com o condicente?

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (I) 

         O colega de colunismo desta Tribuna professor Edson China Hirata, registrou em forma de agradecimento o comentário feito neste espaço a propósito da conquista do bi-campeonato de basquete. Ele não carecia de agradecer, mas é feita aqui agora menção para demonstrar o quanto os entusiastas do Amo Basquete são organizados e atentos.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II) 

         Domingo passado, na esquina da Rua São Paulo com a Capitão Índio Bandeira, frondosas árvores vieram ao chão sem dó nem piedade pela ação dos desbravadores às ordens de estúpidos. Elas deram lugar aos letreiros das lojas e claro, a sombra é agora passado. O dia de domingo ou feriado serviu para, mais do que evitar transtornos em dia de intenso movimento, o objetivo foi o de não chamar atenção. Quem terá notado? Quem sabe alguma criança que plantou alguma muda na semana do meio-ambiente ou no dia da árvore, em meio a discurseira em favor da natureza. E viva Campo Mourão!

 

Reminiscências em Preto e Branco

            Muito pode ser feito instantaneamente, o café solúvel, a mensagem pelo correio eletrônico, o avião supersônico que torna o grande mundo uma aldeia minúscula. Apesar da rapidez e da simultaneidade, se afirma não se ter tempo para nada, para si mesmo ou para as pessoas ditas próximas, tão distantes quanto o passado envelhecido há pouco segundos.