O juramento de Dilma ou de Serra

Não acredito em verdades absolutas e isso implica a anulação da política 

Raul Seixas

O aborto deveria mesmo ser o principal tema do debate presidencial?

Antes de analisar propriamente o que possa contribuir como resposta para tal indagação, cabe como essencial e inarredável ressaltar, quem se eleger terá que solenemente prestar juramento no sentido de respeitar a Constituição Federal promulgada em 1988.   E respeitar o preceito – que significa ordem, determinação e prescrição – é jurar fidelidade ante à Carta Magna, cumprir e fazer cumprir as leis.

Um erro comum, que em diversos casos chega a ser um afronta ou oportunismo demagógico para angariar votos, é constatar candidatos e partidos propondo defender isso ou aquilo mais aquele outro, como se viu no primeiro turno no Paraná e o que se pôde saber noutros lugares do País, simplesmente contrariando parcial ou totalmente as leis máximas vigentes. É claro que existem leis que podem e até mesmo devem ser alteradas, inclusive algumas delas cabe-se revogá-las integralmente. Entretanto, o candidato não pode arrogar exclusivamente para si como se viesse a ter todo o poder para concretizar o discurso de campanha. Ademais, ainda que seja muito forte o poder do Poder Executivo, como também é fraco o poder do Poder Legislativo, prometer lutar por uma determinada causa não assegura, por si só, que ela irá acontecer apenas devido o candidato ter ganhado as eleições.

O aborto está previsto no Código Penal brasileiro para os casos de estupro ou tendo em vista o iminente risco de morte da mãe. A jurisprudência tem dado ganho de causa em situações nas quais comprovadamente o feto apresentar deformidades que estiolem próprio bebê.

Determinados ques-tionamentos podem ser colocados em sentido inverso como resposta ou com outra pergunta. A candidata Dilma, ciente que perdeu muitos votos motivados pelos cristãos que fizeram abertamente pregações contrárias a ela, tem feito todo esforço para se desvencilhar do que disse em 2007, quando se declarou a favor do aborto. Cinicamente o PT tenta convencer que ela jamais fez tal afirmação, embora existam conteúdos da entrevista que mostra o quanto ela foi enfática em favor do aborto. Dilma trata agora de repetir ser a favor da vida. Ora, ele diz o óbvio, pois, do contrário implicaria em ser a favor da morte. Convém registrar a reunião que comandou visando criar um novo fato político-eleitoral, evangélicos estão a favor dela agora. Ora, querem obter poder ocupando espaços até então supostamente preenchidos pelos católicos na chamada campanha anti-Dilma. Também cabe uma indagação ao contrário, para os líderes católicos, caso a Dilma não tivesse se manifestado a favor do aborto num passado recente, não importaria outras questões? Ou seja, todos os candidatos importaria que eles fossem simplesmente contra o aborto, ainda que não se pautassem pela ética ou se enquadrassem em envolvimentos de corrupção, mesmo assim prestariam como candidatos?

Procurando aproveitar a situação Serra despolitiza o conteúdo do debate como se o aborto devesse efetivamente ser a maior questão a ser tratada. Defender a vida de há muito o poder público não o faz efetivamente, haja vista as mortes de crianças devido a fome, a morte de jovens por causa da violência urbana e consumidos pelas drogas e a morte de brasileiros em razão de não contarem com a assistência médico-hospitalar dão bem a ideia da maneira tacanha como se dá a política, principalmente nas campanhas eleitorais, propostas antigas vem à tona por serem velhos e seculares as nossas agruras sociais.                   

O Estado brasileiro ainda não o é totalmente laico e principalmente a Igreja Católica quer instrumentalizá-lo para realizar o proselitismo pela coercitividade das leis e costumes que compreende serem superiores a tudo e a todos. É livre a liberdade como é livre a manifestação religiosa, o mesmo direito que se assegura aos cristãos professarem a fé, também é o de outros que sejam indiferentes a qualquer crença ou a instituição dela.

Como ilustração histórica que serve como fundamento para a resposta à pergunta realizada no início do texto de hoje, é tangente ao juramento de toda e qualquer pessoa quando em juízo. O brasileiro jura perante a Constituição e não perante a bíblia como nos tempos coloniais. E não se trata de desmerecer a bíblia e a fé religiosa, mas a de respeitar outros credos ou a ausência deles.   

Fases de Fazer Frases

Não basta dar asas a imaginação, é preciso ciscar ideias novas.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Ganhador do prêmio Nobel de Literatura, o escritor peruano Mario Vargas Llosa se junta, por exemplo, ao peruano Pablo Neruda, enquanto que o Brasil está muito longe de conquistar a citada honraria.

Pensador da política e ativista da liberdade de expressão, Llosa disputou a presidência do seu país em 1990 e foi derrotado por Alberto Fujimori. Influenciado pelo processo eleitoral, Llosa produziu uma das suas maiores obras, Um peixe fora d’água análise da conjuntura política com recordações maravilhosas dos tempos de infância.

Pode parecer estranho, mas uma comparação ajuda a explicar o grande sucesso dos escritores latino-americanos em relação a falta de prestígio brasileiro: O Peru não elegeu Llosa (e Fujimori acabou renunciando envolto em corrupção e se asilou no Japão por ser descendente) ao passo que o Brasil, especificamente São Paulo, elegeu para deputado o Tiririca. Analfabeto, ainda que não seja de todo iletrado Tiririca é o retrato de muitos que não lêem nada ou muito pouco.

Reminiscências em Preto e Branco (I)

Dia 15 foi o dia do professor. O que dizer? Muito. E o mais importante, fazer tudo o que diga respeito ao saber conhecer-se e a sabedoria do conhecimento, somado, compartilhado, jamais subjugado ou dividido como negação.

Reminiscências em Preto e Branco (II)

Osvaldo Broza comentou sobre o Artigo do último domingo desta Coluna. Por um se vê todos, mourãoenses, alusivo aos 63 anos do Município, escreveu o amigo e confrade, Não lembro de não ter lido alguma delas, e completa: Eu sou um desses todos que  você bem retratou com maestria, inteligência e texto impecável, finalizou. Broza, obrigado pela tua sempre edificante e estimuladora atenção.

Reminiscências em Preto e Branco (III)

É de não entender, mas cabe o ditado, antes tarde do que nunca, o biólogo britânico Edwards ganhou o Nobel de Medicina, 32 anos depois de se tornar o criador da fertilização in vitro. Ele é pai de quatro milhões de bebês.