Por um se vê todos, Mourãoenses

POR UM SE VÊ TODOS, MOURÃOENSES

Uma cidade é o mundo se amarmos um dos seus habitantes 

Lawrence Durrell

            Pela avenida principal se vê o Capitão Índio Bandeira que traçou o primeiro caminho para todos os caminhos, através deles o rastro e a direção aprumada do destino.

            No Rio do Campo flui a água de todas as nascentes, nas correntes borbulhantes ou na calmaria irrompidas nas quedas de todos os seus afluentes.

            No campo de visão maior o campo das planícies verdejantes, da florada da terra sulcada a abrigar a semente que rapidamente se fez planta e dela o fruto, do campo que é o nome primeiro. Como primeiro foram as suas expedições em busca do ouro mineral não encontrado, mas em seu lugar o ouro verde das densas matas de pinheirais, perobas, cedros.

            A fé materializada na cruz no cumprimento da promessa, erguida pelo tropeiro, altivo símbolo a inspirar todos os templos na comunhão metafísica, dos sinos, das procissões e romarias, da espiritualidade de todas as epifanias, sendo a maior a de São José.

            Chão batido vicinal, terra da granulação do pó ou ma massa do barro, solo fértil e dadivoso onde se fincou os mourões das propriedades rurais das fazendas repletas da Boa Esperança, das comunidades e patrimônios, no Barreiro das Frutas ao Piquiri, ao Ivaí, no ponto de partida ou chegada no Piquirivaí.

            A primeira lição do primeiro professor, o José Domingos de Souza, com ele contempla-se todas as escolas, todos os saberes, o conhecimento como maior sentido, o sentido da vida da nossa gente, que sente, pensa, faz, na comunhão de sonhos, esforços, na construção cotidiana a espelhar nitidamente o somatório das gerações.

            O principiar de tudo, datado em 1947, no Outubro do dia 10, de todos os dias, de todos os meses. De todos os anos palmo a palmo, espalmando o campo e a cidade, o feliz e a cidade, a felicidade da história do passado que não passa sem ficar e a se projetar no futuro que se tem nas mãos, muito mais e além do que completas hoje, Campo Mourão, 63 anos.

 

Fases de Fazer Frases (I) 

         No embevecer há de embeber o embeiçar no gole que degola.

 

Fases de Fazer Frases (II) 

         Para ouvir é necessário silêncio e meditar é necessário silenciar para olvidar.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (I) 

         O clima do já ganhou petista se caracterizou, no domingo passado das eleições, como a arrogância do triunfalismo que esmagaria a oposição. Quem ganhou mesmo foram certos institutos de pesquisas com seus números incertos. O segundo turno não pôde ser abortado por quem o defendia mas que agora nega a maternidade dele.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (II) 

         A eleição presidencial tem como protagonista até quem não se candidatou mas que foi e terá algum tipo de peso decisivo. Com a defenestração da Casa Civil, Erenice comandou o tráfico de influência em família, tendo o marido e o filho agenciando negócios públicos e lucrando privativamente. Ela substituiu a própria Dilma que a indicou. Parece até clima para a volta do cassado José Dirceu. A mulher fora da disputa mas sem ela não haveria agora disputa do segundo turno, Marina fez quase vinte milhões de voto. Pode até não apoiar o Serra e ficar neutro pode ser uma tendência. Apoiar Dilma após sair do PT e pressionada diretamente por Lula que não mais queria no Ministério do Meio-Ambiente poderia comprometer a sua bela biografia.

 

Olhos, Vistos do Cotidiano (III) 

         No Paraná o eleitor deixou claro que deseja praticar determinadas renovações. A vitória de Gleice (PT) como a mais votada para o Senado e com mais de um milhão de votos, e Requião em segundo ganhando por pouca diferença (menos de duzentos mil votos em relação a Gustavo Fruet) mostra que o grande governo requianista foi mesmo bom para o nepotismo do Roberto, aliás, eis aí a grande briga dele com o Pessuti, a irmandade fora do poder.

 

Reminiscências em Preto e Branco 

         A verdadeira e cristalina alma portuguesa, seja na origem genealógica, seja na cultura lusitana, notadamente o trato e o tino comercial inconfundíveis. Brasileiro apaixonado pelo país, logo se afeiçoou por este lugar.  O pioneiro de Campo Mourão Antônio Marques Claro não tinha propriamente fregueses, possuía acima de tudo muitos amigos. Cultivava a boa prosa com simpatia, denodo, decência. Domingo passado, aos 80 anos, concluiu a jornada da vida, despediu-se dela, dos familiares e amigos.  Será lembrado pela honradez, humildade, desprendimento e serenidade.