Goioerê, notório exemplo, finalmente
A unanimidade sempre é honesta, porque o corrupto só compra a maioria
Josemar Bosi
Justiça seja feita é o título da última nota da Coluna Política e Ação, publicada por este Jornal na sexta passada. Assinada pelo brilhante jornalista Walter Pereira, o texto noticia os bens então pertencentes ao ex-prefeito de Goioerê Paulo Novaes, previstos para irem a leilão.
Avaliados em cerca de 3,5 milhões de reais, o que for arrecadado com a venda, será diretamente destinado aos cofres públicos daquele Município. Paulo Novaes cumpre pena, está preso na Penitenciária de Guarapuava. Segundo a Justiça, ao cometer uma série de desvios como fraude em licitações e enriquecimento ilícito oriundo do dinheiro público, fatos típicos de improbidade administrativa.
Nem carece de discorrer aspectos inerentes à Administração Pública, citações e análises do Direito ou ainda as funções primordiais próprias do poder público de uma maneira geral. O bom senso basta para verificar a legítima aspiração da sociedade de qualquer lugar do Brasil, o desejo da aplicação da justiça e, primordialmente, dos ocupantes de cargos públicos, provada alguma ilicitude, que eles sejam condenados à prisão e tenham a indisponibilidade dos bens com a consequente venda para o ressarcimento aos cofres públicos.
Ora, a prisão, por mais que ela tenha caráter punitivo por si só, caso o dinheiro desviado e toda a natureza do enriquecimento ilícito não resulte em devolução, pode-se afirmar, sem exagero, que o crime compensaria. A população, com o seu juízo de valor do senso comum quer exatamente isso, prisão e devolução do que tenha sido desviado.
Se Goioerê infelizmente já foi manchete devido a tal malversação do bem público, é de lá, através do Ministério Público e da Justiça naquela Comarca, que se processa efetivamente a justiça, formal e materialmente.
Em meio a tantos escândalos de corrupção e a impunidade que de algum modo perdura dada a demora da aplicação das leis e dos muitos meios de postergação por parte dos réus, fatos que levam a descrença generalizada, a deslinde de Goioerê é notícia, merece destaque, pois ela é incomum no universo tão amplo e marcado de casos onde a agressão à ética e aos interesses públicos se espraia.
Portanto, a farra chegou ao fim, conclui a citada nota, oportuna e pontual, Walter Pereira sintetizou o pensamento legítimo de todo brasileiro que não mais suporta tanta corrupção, tanta impunidade e quer justiça!
Frases de Fazer Frases
Até para não compreender nada ou apenas para discordar, é preciso ler.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
A Justiça italiana negou pedido brasileiro de extradição para o Brasil do ladrão dos cofres públicos e condenado pelo mensalão, paranaense Henrique Pizzolato. A alegação daquele País é que no Brasil não tem cadeias adequadas. O que se sabe, ainda que não possa confirmar com precisão, que os italianos deram o troco quando o então presidente Lula negou a extradição do Brasil para a Itália de Cesari Batisti. Aliás, o STF – Supremo Tribunal Federal negou o retorno do italiano aquele país, mas Lula, afrontando a Justiça e as próprias leis brasileiras, negou o pedido.
Se Goioerê nos dá exemplo cabal, conforme tema principal da Coluna de hoje, o caso Pizzolato nos aponta que o crime compensa, pois Pizzolato ainda que preso, comprou alguns imóveis por lá e viverá da renda, tudo após ter fugido do Brasil até se valendo de falsidade ideológica quando se fez passar pelo irmão dele, já falecido. É, ele está mais vivo do que nunca (o petista ladrão Pizzolato) e nós, com uma parcela que parece estar morta, vamos tocando a vida.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Conforme análise desta Coluna, edição anterior, o resultado da eleição presidencial corresponde à previsão: a mais acirrada disputa das seis eleições após a volta da democracia no Brasil.
Reminiscências em Preto e Branco
Passado, lembranças reunidas, esparsas, perdidas, escondidas ou encontradas quando nos damos conta que elas servem-nos como aspiração/inspiração, ou advertência/vertência de tudo o que elas representaram e podem se reapresentar.
