Ouvir ou vir

Quanto mais posições de pessoas eu tiver presente em minha mente ao ponderar um dado problema, e quanto melhor puder imaginar como eu sentiria e pensaria se estivesse em seu lugar, mais forte será minha capacidade de pensamento representativo e mais válidas minhas conclusões finais, minha opinião.

Hannah Arendt

Debates com plateia, público, auditório ou ambiente a congregar pessoas, é comum os presentes aplaudirem o primeiro a falar. E depois, com igual entusiasmo, aplaudir o segundo que usa da palavra. Quem sabe o silêncio, quando a manifestação do orador for contrária a do primeiro.

Os aplausos ao primeiro estariam errados? Necessariamente não. O que faltaria é a prudência de ouvir, meditar após todos falarem. Tem casos a que basta anunciar quem irá falar, a vaia se dá tão intensamente que será preciso esperar que ela termine para que o orador hostilizado possa falar.

Calar-se voluntariamente ou ter que se calar para atender a algum comando, é acertado, seja por quem deva se calar já tenha sido ouvido ou para que, ao ouvir outrem, o respeite de tal modo que assegurará para si o direito de falar.

Entre o falar e o ouvir, o silêncio é crucial. Silêncio também ao meditar.

Fases de Fazer Frases (I)

Não ter dúvidas? Ponha-se ponto no lugar da interrogação.

Fases de Fazer Frases (II)

Liberdade, ainda que não saiba o que dela fazer, desejo-a a meu lado.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

Há exatamente dois finais de semana seguidos eu não recebo o exemplar impresso da Folha de S. Paulo. Reclamações não faltam, pois já ocorreu em outras vezes. Paguei adiantado. A sensação é muito ruim, a de poder receber, ou não, o jornal. O curioso é que tem dois números de telefones para reclamar em Campo Mourão. Eles não atendem nem recebem mensagens. Então, por escrito, reclamei diretamente a Empresa, que lamentou e prometeu resolver o problema. Sem dar prazo, mas que eu aguardasse.

Curioso e ao mesmo tempo eleva a minha insatisfação, é que o Colégio Estadual Campo Mourão, onde leciono todas as noites, o jornal está sempre lá, entregue e, segundo constatei, sem falhas. Talvez seja até pior, o meu jornal, que já paguei, esteja sendo entregue por engano para outro, pago pelo consumidor idiota aqui. E não posso pensar em mudar a assinatura para outro jornal, pois corro o risco de ser o mesmo entregador e de continuar a ser ludibriado.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

No trânsito novembro começará com as infrações bem mais caras, 68% é o aumento no valor das multas. Chama a atenção o valor e a penalidade para a infração que consistir em bloqueio de via pública. Agora é de R$ 5.869,40 (sete pontos na carteira), antes era de R$ 191,54. Além da multa, impedir o tráfego normal em vias públicas implicará na retenção do veículo e a suspensão no direito de dirigir. A infração, agora é gravíssima, deverá evitar bloqueios em rodovias, comuns nos protestos.

Olhos, Vistos do Cotidiano (III)

Motivos de grandiosas divergências e debates, sobretudo jurídicos, parece que agora está pacificado, quando do exame do bafômetro. Caso o motorista se recuse a se submeter ao teste, a multa e a retenção do veículo serão feitos de imediato. A tese que então levou a longos debates nos tribunais se baseava no princípio segundo qual nenhuma pessoa deve produzir prova contra si. Mas quem de fato não tem nada a temer, porque então a recusa em fazer o teste? O fato lembra os que se recusam a realizar exame de paternidade sem qualquer justificativa. Ora, se não é o pai, porque a recusa? A jurisprudência estabeleceu, a paternidade é presumida.

Olhos, Vistos do Cotidiano (IV)

Todos verão o horário de verão. Só o sol. Esse frio no horário? Relógios atrasados nos obrigam a adiantar o frio de verão?

Reminiscências em Preto e Branco

Finados, leva a vela quem agora vela o passado velado.

Veladas, encontro vida e morte. Vida, agora vela, um dia será levada à morte.