Imagem desgastada

Há um questionamento que sempre envolve dois poderes da República em discussões inócuas. É quando o Legislativo não cumpre sua missão e o Judiciário acaba metendo a colher torta, legislando. Caso da atual discussão em torno do financiamento de campanhas políticas, em cartaz no STF. Embate que não ocorreria se o Congresso tivesse realizado a reforma política exigida para a consolidação séria do regime democrático que se pratica no país, nela embutido o tema em questão: qual a forma de financiamento moralizadora,  cabível aqui! Como as medidas adotadas pelo Congresso não têm passado de um arremedo de reforma, o Supremo avocou para si a questão. Não vai faltar quem, ressentido com medidas recentes adotadas pela Suprema Corte, provocando gestos como os do agora notório deputado André Vargas que jogando para a torcida ergueu o braço com o punho fechado, em grosseira provocação ao ministro Joaquim Barbosa – repetição do gesto de revolta dos mensaleiros José Dirceu e José Genoino ao serem presos – venha alegar intervenção indevida do Poder Judiciário. Questão de ponto de vista. Parafraseando John Kennedy, valeria a questão dirigida ao Congresso: Não critique quando o Judiciário legisla; pergunte o que você (Congresso) tem feito pelas leis do país. A  propósito: ao invés de anunciar uma campanha publicitária de R$ 10 milhões para melhorar a imagem da Câmara, seu presidente poderia baixar normas que conduzissem os parlamentares a boas ações que tirassem tal  imagem do fundo do poço. O uso de jatinho de doleiros, empreiteiros e outros que tais, estaria entre as práticas que seriam abominadas.

Retrato da…

Uma coisa puxa outra: ao ver a figura do presidente do Senado, agora com seu modelito capilar pernambucano produzido à custa de vôo patrocinado pela  FAB, flagrado por TV sendo ‘retirado do elevador em que já adentrara’, como mero subalterno, para subir as escadas do Planalto,  todos já anteviram sua decisão do dia posterior, em relação à CPI da Petrobras.

…pressão

A surpresa foi o cínico discurso que precedeu sua decisão pilatiana de lavar as mãos e transferir à Comissão de Constituição e Justiça –com maioria governista – a decisão sobre a implantação ou não da CPI da Petrobras, com apoio regimental obtido pela oposição. O destaque da fala de Renan Calheiros: Não fui eleito presidente deste centenário Poder (Senado) para atender aos interesses de outro (Planalto). Só rindo!

Questão de memória

O discurso do deputado André Vargas, personagem que esta coluna já elogiou pela sua decisiva participação na criação do Tribunal Federal do Paraná, e também censurou, quando do gesto contra o ministro que sentava a seu lado, premido pelo protocolo da sessão solene e não pelo prazer da companhia, coloca-o em posição próxima à que cassou o mandato do senador Demóstenes Torres, um arauto da moralidade, flagrado em avião do contraventor Carlinhos Cachoeira. A diferença é que o DEM expulsou o senador de suas fileiras, antes mesmo da cassação. O PT não teve gesto semelhante com nenhum de seus companheiros. Nem com o apanhado com dólares na cueca. Dá chance a comparações  como esta!

Mais memória

A morte súbita do mineiro de Juiz de Fora,  filho adotivo que  tanto fez pelo Paraná, Belmiro Valverde, remete o colunista aos anos de 1963/64/65, quando com ele conviveu na assessoria  do  maranhense que escolheu trabalhar e morrer no Paraná em 2008, a ele oferecendo sua notável capacidade de planejamento, então coronel Alípio Ayres de Carvalho, um dos grandes responsáveis pelo sucesso do primeiro governo de Ney Braga.. Belmiro, jovem acadêmico de direito, certamente ali desenvolveu a vocação que viria a  notabilizá-lo.

Ao mestre, com afeto

Grato, em um de seus artigos dominicais na Gazeta do Povo, Belmiro, ao analisar o desperdício nacional de recursos públicos em ações sem sentido, quando a carência em áreas essenciais era visível (general, Alípio morreu sem ter assistido os desperdícios de hoje) titulou seu artigo: Está faltando um coronel Alípio.