Na marra
Um mérito tem-se que reconhecer no senador Roberto Requião: sua persistência. Ele não desiste nunca de atingir seus adversários, no caso presente o governador Beto Richa. Como o fazia quando Lerner comandava o estado. E num passado não muito distante, na campanha de 1990, a José Richa, por sua aposentadoria como governador, por ironia motivo atual de suas brigas (agora em seu favor), e a Martinez , com a criativa história do Ferreirinha (embora baseada em fatos próximos à realidade). Ainda agora, quando cansado de assistir a idas e vindas sobre o financiamento concedido pelo governo federal aos estados através o Proinveste, em que nem a determinação da presidente Dilma, depois de um diálogo com Richa, foi atendida, o Estado apelou para a Justiça, mais especificamente, para o Supremo. Ali, a decisão imparcial, sempre equilibrada do ministro Marco Aurélio Mello (para sorte do Paraná encarregado da análise), determinou liminarmente a liberação imediata dos R$ 817 milhões a que o Estado tem direito. Ainda assim com uma tentativa de Requião de intervir na discussão usando a expressão latina – amicus curiae (amigo da corte), para apresentar os mesmos argumentos que usara junto ao STN para frear o empréstimo. Recebeu um chega pra lá da Corte. Dinheiro que vai fazer empreiteiros do Paraná terem um pouco de alívio e obras necessárias terem continuidade. Depois de sair desse sufoco, outros empréstimos deverão ser agilizados, permitindo o retorno à normalidade administrativa. A lamentar apenas, tais fatos, resumidos numa frase do deputado Elio Rusch: a cada vez que atira em Richa, Requião atinge o Paraná.
Black blocs políticos
Os black blocs políticos, escondidos atrás do voto secreto, são diferentes quando obrigados a votar de cara limpa. A prova foi a votação que cassou o mandato do deputado Donadon, hoje recolhido à penitenciária da Papuda, por suas incursões no dinheiro público ao tempo em que presidia a Assembleia Legislativa de Rondônia. Foram 233 votos antes e 467 agora, pela cassação.
Clima (mais) favorável
Daqui a quatro dias, quando os fiscais da FIFA voltarem a Curitiba para um veredicto final sobre a realização de quatro jogos da Copa em Curitiba – a bem da verdade de pouco interesse – certamente encontrarão um ambiente mais favorável. No pedido de financiamento ao BNDES pelo governo do Estado – R$ 250 milhões – uma parte completará o orçamento da Arena e R$ 65 milhões servirão para ressarcir o Fundo de Desenvolvimento Estadual do dinheiro que emprestou à obra. Com isso o governo dará contrapartida aos investidores que pretendem fazer parceria com o poder público (PPPs).
Expressão comprometedora
Nos acirrados debates entre situação que festejava a decisão do STF e a oposição, que insistia na tese de que faltou competência ao governo para liberar os recursos, uma frase do deputado Péricles de Melo merece reflexão. Afirmou ele que o líder do governo estava mentindo. Os empréstimos só não saíram por questões burocráticas. Esquecido de que a burocracia está sempre a favor de quem está no poder. O que não tira a culpa dos ministros paranaenses, especialmente a que tinha mais poder sobre os burocratas.
Decisão retardada
O oportuno pedido de vistas do deputado Tadeu Veneri (PT) ao projeto que tramita na CCJ da Assembleia Legislativa, com parecer favorável do relator, deputado Alexandre Cury, concedendo auxílio-moradiapara juízes e desembargadores, retarda até terça-feira a discussão, e dá tempo a que o presidente Valdir Rossoni consolide sua decisão de não colocar o projeto de afogadilho em discussão no Plenário. Apenas nos casos em que juízes e promotores têm seus aluguéis bancados por prefeituras de cidades de porte médio, a medida seria aceitável. Isso em função do estado de penúria dos municípios.
Em choque
Se a exigência de candidatura própria, de Marina Silva junto a Eduardo Campos, prevalecer aqui, como ficará o Luciano Ducci (PSB) em relação à candidatura de Beto à reeleição?
